terça-feira, 16 de março de 2021

Licitações: polícia prende presidente da Assembleia de SC

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina ( SC ) ( ALESC ), o deputado Julio Garcia ( do Partido Social Democrático - PSD ), foi preso na manhã desta terça-feira ( dezenove de janeiro de dois mil e vinte e um) pelo Departamento da Polícia Federal ( DPF ) durante a segunda fase da operação Alcatraz ( * vide nota de rodapé ). A informação foi confirmada pelo advogado de Garcia, Cesar Abreu. A prisão é domiciliar.

Julio Garcia
O presidente da Alesc, Julio Garcia
(Foto: )

Segundo o Abreu, Garcia compareceu à sede do DPF, em Florianópolis ( Capital do Estado de SC ), para prestar esclarecimentos durante a manhã. Depois, foi liberado e voltou para casa, onde cumprirá prisão em regime domiciliar. Abreu também afirmou que a defesa ainda não se manifestará sobre a prisão porque não teve acesso aos detalhes da decisão que embasaram o pedido.

A assessoria da ALESC informou que aguarda mais detalhes sobre a decisão judicial para se manifestar sobre o assunto.

De acordo com o DPF, a segunda fase da operação, chamada de "Hemorragia", tem como alvo suposta organização criminosa suspeita de corrupção, fraude em procedimentos licitatórios e lavagem de dinheiro em SC. 

O foco desta fase envolve contratos firmados pelas secretarias estaduais, empresários do ramo de tecnologia e servidores públicos. Segundo o DPF, contratações de serviços eram feitas sem cotação prévia de preços, ou ainda, instruídos com orçamentos apresentados por empresas que possuíam relacionamento societário ou comercial entre elas.

​Foram expedidos vinte mandados de prisão - onze mandados de prisão preventiva e outros nove de prisão temporária, em Florianópolis, Joinville e Xanxerê. Houve ainda trinta e quatro mandados de busca e apreensão.

Até perto do meio-dia, dez mandados de prisão preventiva e oito de prisão temporária haviam sido cumpridos. Em coletiva nesta manhã, o DPF não divulgou o nome dos detidos ou investigados, informando que caso está em sigilo.

Outros alvos da operação

O ex-governador de SC, Eduardo Pinho Moreira ( do Movimento Democrático Brasileiro - MDB ), também foi alvo da operação naquela terça. A informação foi confirmada pelo colunista Ânderson Silva. Agentes do DPF cumpriram mandado de busca e apreensão no apartamento dele em Florianópolis e recolheram documentos e o celular do político.

O Outro alvo da operação foi o empresário Jefferson Colombo, dono da empresa Apporti, preso preventivamente. A prisão preventiva de Colombo foi confirmada pelo advogado dele, Francisco Ferreira. Em uma das denúncias da fase anterior da Operação Alcatraz ( * vide nota de rodapé ), Colombo foi apontado como operador financeiro de Garcia no suposto esquema investigado.​​

A segunda fase da Operação Alcatraz ( * vide nota de rodapé ) também cumpriu medidas cautelares como afastamento da função pública, proibição de contato com outros investigados e de se ausentar do país, além do bloqueio de patrimônio dos investigados em valores que variam entre novecentos e vinte e oito mil reais e trinta e sete milhões de reais. 

O DPF afirmou ter identificado pagamentos irregulares que ultrapassam cinquenta milhões de reais. O Ministério Público ( MP ) e a Receita Federal do Brasil ( RFB ) participam das investigações.

A Secretaria de Estado da Administração ( SEA ) de SC informou, em nota, que emitiu ofício solicitando mais informações sobre os processos em curso, e que outras medidas somente poderão ser adotadas após ciência concreta da situação.

Primeira fase da Alcatraz

A primeira fase da operação Alcatraz foi deflagrada em maio de dois mil e dezenove, com o objetivo de combater fraudes a licitações e desvios de recursos públicos ligados a contratos de prestação de serviços de mão de obra terceirizada e do ramo de tecnologia firmados com órgãos do Poder Executivo Estadual ( PEE ) em SC. Garcia, já havia sido um dos alvos na operação anterior. ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal ( MPF ) dentro da operação.

O MPF o aponta como "chefe de uma organização criminosa" que era formada por funcionários públicos que praticavam delitos contra a administração pública. Entre os crimes pelos quais Garcia foi denunciado, estão lavagem de dinheiro, peculato, fraude em licitação e contrato subsequente. Garcia vinha negando as acusações e afirmando ser alvo de uma perseguição.


Com informações de


Guilherme Simon ( guilherme.simon@somosnsc.com.br ) e Ânderson Silva

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