sexta-feira, 11 de maio de 2018

Produtividade do capital: o investimento em contas a receber

Em todas as empresas há capital fixo ou permanente - ou seja, dinheiro investido permanentemente em prédios, máquinas e equipamentos. E há capital circulante líquido ou capital de giro, dinheiro aplicado em estoques, por exemplo, ou em crédito concedido aos clientes ( denominado geralmente de contas a receber ). O capital fixo e o capital circulante líquido, embora ambos sejam capital, exigem diferentes abordagens na gestão de sua produtividade. Muitas empresas usam métodos sofisticados para tomar decisões sobre investimentos de capital. Mas depois que se tomam as decisões, geralmente se dispõe de muito poucas informações sobre a produtividade dos ativos resultantes desses investimentos.

A maioria dos empresários sabe que nada é mais perdulário nos ativos fixos que o tempo não trabalhado ou tempo ocioso. No entanto, poucos se dão conta de assumir - produção contínua conforme padrões preestabelecido para determinado ativo fixo, seja um laminador numa usina siderúrgica, seja uma unidade de espaço de venda numa loja ou um leito em hospital. A contabilidade de custos-padrão, em outras palavras, não mede nem controla o maior item de custo isolado de um ativo fixo: o custo da não produtividade do capital.

Do mesmo modo, a contabilidade de custos precisa assumir um mix de produtos padrão, ainda que os custos e receitas variem muito entre as diferentes combinações ( talvez mais para o leito de hospital, entre todas as diferentes modalidades de investimentos de capital ). A administração do tempo ocioso e do mix de produtos é a maioria mais eficaz de melhorar a produtividade do capital para a maioria dos investimentos em ativos fixos. Para tanto, contudo, é preciso primeiro saber quanto tempo não está sendo trabalhado, ou a quantidade de tempo ocioso, e por quê. É necessário conhecer a economia das várias combinações de produtos, ou mixes de produtos. Em outras palavras, é preciso dispor de informações econômicas sobre a produtividade do capital, além de dados analíticos do modelo contábil. Nessas condições, é possível melhorar em muito a utilização do tempo e, em consequência, a produtividade do capital fixo.

Mas o capital circulante liquido deve ser medido e gerenciado de maneira diferente. Mas, ao contrário dos ativos fixos, o capital circulante líquido não é capital produtivo, e sem capital de apoio. Ele não cria riqueza, ou seja, bens e serviços. Ele leva bens e serviços ao mercado ou financia o intervalo entre o pagamento da produção e o pagamento da compra. Portanto, a pergunta a ser feita é: "O que ele apoia e o que deve apoiar?".

Contas a receber - ou seja, o crédito concedido pela empresa aos clientes - é o exemplo óbvio. As empresas em geral avaliam a administração de crédito e cobrança pela proporção de crédito recuperado. "Nossa concessão de crédito é de primeira classe, pois perdemos menos de um por cento.", esse é o comentário ouvido com frequência. Mas as empresas industriais não atuam no setor financeiro nem, considerando o custo de capital, poderiam competir com os bancos. Elas concedem crédito para fazer vendas lucrativas. Assim, qual deve ser o objetivo da política de crédito quanto à criação de mercados, ao lançamento de produtos, à ampliação das vendas e ao aumento dos lucros - com a experiência de perdas baixas como restrição, não como objetivo ou indicador? Todas as empresas que fizeram essa pergunta constataram que:

a) destinam a maior parte do crédito às fontes dos menores retornos e
b) concedem a menor parte do crédito às fontes dos menores retornos.

Durante um período de três a quatro anos, as empresas que trabalham sistematicamente com a produtividade do capital aplicado em contas a receber podem esperar que com dois terços do dinheiro hoje dedicado a crédito é possível financiar volume de vendas maior e mais lucrativo. Outras informações podem ser obtidas no livro Fator humano e desempenho, de autoria de Peter F. Drucker.

Mais em

http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/produtividade-do-capital-o-investimento-em-contas-a-receber/110482/

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Produtividade do capital: intensidade e inteligência

As administrações também precisam aprender algumas regras elementares sobre gerenciamento da produtividade do capital.

É possível aumentar a produtividade do capital de duas maneiras. Pode-se fazer o capital trabalhar com mais intensidade ou pode-se fazer o capital trabalhar com mas inteligência. A propósito, essa é uma das principais razões pelas quais gerenciar a produtividade do capital é mais fácil do que gerenciar a produtividade dos dois outros principais insumos - recursos físicos e recursos humanos. Em geral, só se consegue aumentar a produtividade dos recursos humanos fazendo-os trabalhar com mais inteligência, e a dos recursos físicos, fazendo-os trabalhar com mais intensidade.

Distribuir os estoques entre depósitos regionais com localização estratégica, de modo que a mesma quantidade de estoques seja capaz de atender a maior volume de vendas, é fazer o capital trabalhar com mais intensidade. Controlar a mix de produção para vender maior proporção de produtos com margem de contribuição mais alta é fazer o capital trabalhar com mais inteligência. Não raro, é possível alcançar os dois objetivos ao mesmo tempo. Mas é difícil prever de antemão qual abordagem tem mais probabilidade de ser adequada em determinada situação, ou seja, a mais produtiva e menos arriscada. Ambas devem ser consideradas em cada área de investimento e em cada empresa. Outras informações podem ser obtidas no livro Fator humano e desempenho, de autoria de Peter F. Drucker.

Mais em

http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/produtividade-do-capital-intensidade-e-inteligencia/110464/ e

http://noticias.cennoticias.com/10203272?origin=relative&pageId=41f54657-c7b4-41c4-8eb4-01d117a07667&PageIndex=2

Adm. Cláudio Márcio participa de palestra sobre voto disruptivo

O O administrador Cláudio Márcio Araújo da Gama ( registrado no Conselho Regional de Administração de Santa Catarina sob o número vinte e quaro mil seiscentos e setenta e três) participou, nesta quarta-feira ( nove de maio de dois mil e dezoito ), no Tribunal de Contas o Estado de Santa Catarina ( TCE/SC ) do evento “Colóquios Contemporâneos:  Voto Disruptivo e a Democracia”, a partir das dez horas e quinze minutos. Gama representou a Secretaria de Estado da Casa Civil (SCC) no evento. A promoção foi da Fundação Escola de Governo ( ENA' ), com apoio da Embaixada da França no Brasil. Proferiram as palestras o professor francês da Sciences Po, Dr. Pascal Perrineau, especialista em Sociologia Eleitoral, que profeririu a palestra "O Voto Disruptivo: Panorama das mudanças eleitorais na França e na Europa", e o professor Dr. Juarez de Freitas, que falou sobre "A Democracia na Era da Conectividade".
Pelo TCE/SC, participaram o vice-presidente, o corregedor-geral e o supervisor do Instituto de Contas (ICON), conselheiros Adircélio de Moraes Ferreira Júnior, Wilson Rogério Wan-Dall e Herneus De Nadal, respectivamente, e a auditora substituta de conselheiro Sabrina Nunes Iocken.
Perrineau foi diretor do Centro de Pesquisas Políticas até dezembro de dois mil e treze. Além de professor de graduação e mestrado, é responsável pelo programa “Vida Política”, na Sciences Po. Também é membro dos Conselhos de Administração da Fundação Nacional das Ciências Políticas, da Fundação Destreilles e do Canal Publicsénat. Pertence aos Conselhos Científicos da Fundação para a Inovação Política e da Fundação Jean Jaurès e, atualmente, é presidente da Associação dos Antigos alunos da Sciences Po.
Freitas é pós-doutor em Direito na Università Degli Studi Di Milano, doutor e mestre em Filosofia, professor de Direito — mestrado e doutorado — da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e da Universidade Federal do mesmo Estado. É presidente do Conselho Científico do Instituto Brasileiro de Altos Estudos de Direito Público, do Instituto de Direito Administrativo do Rio Grande do Sul e do Conselho Editorial da Revista Interesse Público. É também advogado, consultor e parecerista.
A programação foi aberta a professores, alunos e agentes públicos de Santa Catarina, conforme segue: 
Programação
das dez horas e quinze minutos às dez horas e trinta minutos: Abertura.
das dez horas e trinta minutos às onze horas e trinta minutos: Palestra “O voto disruptivo: panorama das mudanças eleitorais na França e na Europa”, do professor Dr. Pascal Perrineau.
das onze horas e trinta minutos às doze horas e dez minutos: Palestra “Democracia na Era da Conectividade”, do professor Dr. Juarez de Freitas.
das doze horas e dez minutos às treze horas: participação aberta ao público.

Mais em

terça-feira, 8 de maio de 2018

Produtividade do capital: identificar as principais áreas onde ele está investido é o primeiro passo

Não obstante a importância e o potencial de retorno do aumento da produtividade do capital, poucos gestores de empresas prestam atenção a isto, muito menos se empenham sistematicamente em aumentá-la. A propósito, essa mesma característica também é típica de gestores de serviços públicos, como hospitais, onde a produtividade do capital, nos últimos anos, caiu mais que em empresas privadas.

Uma explicação, talvez, isoladamente, a mais importante, é que os gestores, em geral, recebem poucas informações sobre a produtividade do capital. Evidentemente, a maioria das empresas sabe quantas vezes por ano gira todo o capital. Mas o giro anual de todo o capital da empresa em um negócio, digamos, uma fábrica de papel ou uma loja de departamentos, é um agregado. Sempre é preciso gerenciar - e, portanto medir primeiro - os grandes componentes separadamente. No entanto, poucas administrações sabem que componentes significativos do capital estão no negócio, muito menos qual é, qual poderia ser ou qual deve ser a produtividade do capital em cada um deles.

Portanto, o primeiro passo para a administração da produtividade do capital é determinar as principais áreas da própria empresa em que efetivamente se investiu capital. Raramente existem mais que algumas. Numa empresa manufatureira típica, por exemplo: máquinas e equipamentos; estoques de materiais, suprimentos e produtos acabados; contas a receber - em conjunto, esses itens respondem por três quartos do dinheiro investido. Numa loja de departamentos típica, são espaço de prateleira ( ou espaço de venda ), contas a receber e estoques ( os estoques no varejo geralmente devem ser subdivididos; por exemplo, peças de vestuário, móveis e utensílios, eletrodomésticos etc., para serem significativos e gerenciáveis ). qual e o volume de trabalho produtivo que o capital investido executa em cada uma dessas áreas? Qual é o giro desse capital? Qual é o seu retorno ou contribuição? Então, deve-se perguntar: Quanto poderia produzir e quanto efetivamente produz e o que é preciso fazer para que realize seu potencial? É preciso fazer o capital trabalhar com mais intensidade ou com mais inteligência. Outras informações podem ser obtidas no livro Fator humano e desempenho, de autoria de Peter. F. Drucker.

Mais em

http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/produtividade-do-capital-identificar-as-principais-areas-onde-ele-esta-investido-e-o-primeiro-passo/110426/ e

http://noticias.cennoticias.com/10157369?origin=relative&pageId=41f54657-c7b4-41c4-8eb4-01d117a07667&PageIndex=1

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Capital: aumento do giro aumenta a produtividade

As evidências dos últimos cento e trinta anos são muito claras: é possível manter e até aumentar a produtividade do capital, desde que os empresários se empenhem nesse propósito com determinação e constância.

Com efeito, enfatizar a produtividade do capital é a maneira mais fácil e, em geral, mais rápida de aumentar a lucratividade da empresa e, quase sempre, a de maior impacto. O lucro total de uma empresa é a margem de lucro multiplicada pelo giro do capital, ou seja, pela produtividade do capital. Se um produto custa noventa centavos de dólar e é vendido por um dólar, a margem de lucro é de seis centavos de dólar. Se o produtor girar o capital uma vez por ano, o retorno sobre o capital total será de seis por cento. Caso ele aumente o giro de capital para um vírgula dois vezes por ano, o retorno sobre o capital total será de sete vírgula dois por cento.

Amentar as margens de lucro em vinte por cento sempre é extremamente difícil e, talvez, até impossível em mercados competitivos. Mas aumentar o giro do capital de uma vez por ano para um vírgula dois vezes por ano quase sempre exige apenas trabalho duro consistente, mas rotineiro. De fato, com base na experiência de Peter F. Drucker de apenas poucos anos nessa área, ele previa que um aprimoramento dessa magnitude - ou seja, um aumento de vinte por cento na produtividade do capital nos próximos quatro ou cinco anos - estará ao alcance de qualquer pessoa que se dedique com seriedade à tarefa. Outras informações podem ser obtidas no livro Fator humano e desempenho, de autoria de Peter F. Drucker.

Mais em

http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/capital-aumento-do-giro-aumenta-a-produtividade/110403/ 

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Capital: a lei de retornos decrescentes e a necessidade de aumento de produtividade

Há cento e trinta anos, Karl Marx baseou suas previsões do colapso iminente e inevitável do que Peter F. Drucker chamou de capitalismo ou sistema da livre empresa ( ambos os termos foram cunhados muito depois da morte de Marx ) na lei dos retornos decrescentes do capital.

O que aconteceu, ao contrário, foi que a produtividade do capital, há mais de um século, nos países desenvolvidos, com economia de mercado, só tem feito subir, à exceção dos anos de depressão mais grave. Essa é uma das maiores realizações das empresas modernas, sobre a qual talvez se alicercem, em última análise, os outros grandes feitos. Em parte, essa realização foi empobrecedora: o deslocamento constante do capital de áreas de investimento obsoletas, cada vez menos produtivas, para novas áreas de investimento mais produtivas - ou seja, para áreas de inovação técnica ou social.

Mas o aumento constante da produtividade do capital também é consequência da ação gerencial, do esforço contínuo para aumentar a quantidade de trabalho produtivo resultante e determinada unidade de capital. Um exemplo são os bancos comerciais, em que uma unidade de capital hoje financia volumes de transações cinco vezes maiores que na época de Marx. Outras informações podem ser obtidas no livro Fator humano e desempenho, de autoria de Peter F. Drucker.

Mais em

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Futuro: as funções econômicas, políticas e sociais do lucro

INTRODUÇÃO

A maioria dos empresários parece não compreender o aspecto mais importante do lucro e da rentabilidade. e o que dizem uns aos outros e ao público sobre o lucro e lucratividade inibe tanto a ação empresarial quanto a compreensão pública.

Isso porque o fato essencial sobre o lucro é que não há lucro; há apenas custos.

O que é denominado lucro e apresentado como tal nas demonstrações financeiras das empresas é em grande parte custo quantificável genuíno, sob três aspectos:

1) Como custo inequívoco de um importante recurso, a saber, capital;
2) Como prêmio de seguro indispensável ao risco real - e, mais uma vez, em grande parte quantificável - das incertezas de toda atividade econômica e
3) Como custo dos empregos e das pensões de amanhã.

A única exceção, o único verdadeiro superávit das receitas sobre custos, é um autêntico lucro do monopólio, como o que agora está sendo exercido pelos governos dos países exportadores de petróleo (especialmente os árabes) por meio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo ( OPEP ).

DESENVOLVIMENTO

1) Custo do capital

Todos os economistas sabem há duzentos anos que existem fatores de produção, isto é, três recursos necessários: trabalho, terra ( isto é, recursos físicos ) e capital. E todos devem ter aprendido nos últimos trinta anos que não há recursos gratuitos. Todos têm custos. Com efeito, os economistas estão muito à frente dos empresários na compreensão e aceitação custo do capital. Alguns elaboraram métodos elegantes para determinar o custo do capital e para medir o desempenho das empresas na cobertura desse custo.

Sabe-se que no período pós-Segunda Guerra Mundial, até o surgimento da inflação global, na década de sessenta, o custo do capital em todos os países desenvolvidos do mundo livre situava-se um pouco acima de dez por cento ao ano ( e que, decerto, era muito mais alto nas economias comunistas ). O custo do capital é o que os usuários devem pagar para levantar dinheiro no mercado. A propósito, esse custo apresenta pequenas variações entre as diferentes formas legais de levantamento de capital, como, por exemplo, entre empréstimos ou financiamentos bancários; emissão de títulos de dívida, ou bônus e emissão de títulos de propriedade, ou ações. Os fatores determinantes do curso do capital são, primeiro, aquilo que os economistas denominam custo verdadeiro ( true cost ) - que provavelmente gira em torno de três a quatro por cento ao ano; segundo, o custo um tanto elevado da administração do dinheiro, que, mesmo em grandes bancos muito eficientes, são de pelo menos dois por cento ao ano; terceiro, o risco de não recuperar o dinheiro que é um autêntico risco de perda - e é, evidentemente, muito mais alto para alguns usuários que para outros; e, finalmente, o risco de o dinheiro em si perder valor, ou seja, o risco da inflação. qualquer usuário de dinheiro, não importa a sua origem nem a forma legal da transação, seja de um banco, como empréstimo a curto prazo ou como hipoteca a longo prazo, seja pela emissão de títulos de dívida de longo prazo, como os do governo federal americano, ou ainda pelo lançamento de ações ordinárias, sempre terá de pagar os quatro tipos de custo do dinheiro - e todos os quatro são tipos genuínos.

Sabe-se que todas as empresas precisam pagar esses custos. Sabe-se que muito poucas empresas realmente auferem o suficiente para cobrir esses custos. O custo do capital no pós-Segunda Guerra Mundial raramente caiu abaixo de dez por cento ao ano e, nos anos inflacionários, efetivamente foi muito mais alto. Mas muito poucas empresas geram de maneira consistente, depois dos impostos, sete por cento do dinheiro empregado no negócio. Até agora, contudo, apenas umas poucas empresas parecem saber se cobrem ou não esses custos. E mesmo essas raras empresas jamais falam sobre isso a nunca se submetem a esse teste em suas demonstrações financeiras publicadas. No entanto, não cobrir o custo do capital é um fracasso tão grande não cobrir os custos dos salários e das matérias-primas.

Atividade econômica é a alocação de recursos reais a expectativas futuras. É, portanto, um compromisso com o risco e com a incerteza - envolvendo obsolescência de produtos, processos e equipamentos; mudanças nos mercados, nos canais de distribuição, nos valores dos consumidores; e nas transformações da economia, da tecnologia e da sociedade. As chances de qualquer compromisso com o futuro são sempre adversas; não é dado aos seres humanos conhecer o futuro. As probabilidades, portanto, tendem sempre para perdas, não para ganhos. E, em períodos de rápidas transformações, como o que vive-se ainda hoje, os riscos e as incertezas decerto não são menores.

Esses riscos e incertezas não são suscetíveis de determinação exata. Mas é possível aferir,e até mesmo quantificar, o risco mínimo desses compromissos com o futuro, com grau razoável de plausibilidade. Onde quer que se tenha feito essa tentativa, em qualquer empresa - e tanto na Xerox quanto na IBM, por exemplo, sabe-se que esse esforço se estendeu durante anos, em relação a produtos e tecnologia - , os riscos se mostraram muito mais elevados que os admitidos até pelos planos de negócios mais conservadores.

Os riscos de eventos naturais - incêndios, por exemplo - há muito são tratados como custos normais dos negócios. Uma empresa que não se dispõe a pagar prêmios de seguro adequados por esses riscos seria considerada no mínimo imprudente, por deixar em situação perigosa os ativos geradores de riqueza sob sua guarda. Os riscos e as incertezas econômicas, sociais e tecnológicas são menos reais. Também elas exigem prêmios de seguro adequados - cujo fornecimento é função do lucro e da lucratividade.

Portanto, a pergunta a ser feita por qualquer administração não é: "Qual é o lucro máximo que esta empresa pode gerar?", mas sim, "Qual é a lucratividade máxima necessária para cobrir os riscos futuros desta empresa?". E se a lucratividade ficar abaixo desse mínimo - como ocorre na maioria dos casos que Peter F. Drucker conheceu - , a empresa não consegue cobrir seus custos genuínos, arriscando-se em demasia e empobrecendo a economia.

O lucro também cobre os empregos e pensões do futuro. Ambos são custos das empresas e também custos da economia. O lucro das empresas, retido no negócio ou distribuído aos acionistas, é a maior fonte isolada de formação de capital para os empregos de amanhã e, pelo menos nos Estados Unidos, a maior fonte isolada de formação de capital para as aposentadoria se pensões de amanhã.

A definição mais satisfatória de progresso econômico é o aumento constante da capacidade da economia de investir mais capital em cada novo emprego e, assim, gerar empregos que proporcionem melhor padrão de vida, assim como melhor qualidade de trabalho e de vida. Em mil novecentos e sessenta e cinco, antes de a inflação ter tornado cada vez mais difícil a obtenção de cifras expressivas, o investimento por emprego na economia americana subira de trinta e cinco mil dólares para cinquenta mil dólares. As necessidades aumentarão de maneira bastante acentuada, pois as maiores necessidades e oportunidades de investimentos estão em setores como energia, meio ambiente, transporte, assistência médica e, principalmente, produção de alimentos, nos quais os investimentos de capital por emprego estão muito acima da média das indústrias de bens de consumo, que dominaram a economia americana nos últimos cinquenta anos.

Ao mesmo tempo, a necessidade de criação de empregos também está em forte aceleração - desfecho da explosão demográfica do pós-Segunda Guerra Mundial (baby boom), entre mil novecentos e quarenta e oito e mil novecentos e sessenta. Teremos de aumentar em um por cento ou quase um milhão, a oferta de emprego por ano, nos próximos anos, para que seja mantida uma quitação como a demografia. E, ao mesmo tempo, a quantidade de aposentados e pensionistas também continuará aumentando, quanto mais não seja porque os trabalhadores que se aposentam vivem cada vez mais, assim como também ocorre como os beneficiários de pensões. Qualquer empresa que não produza capital suficiente, ou seja, lucro bastante, para atender às necessidades dessa expansão nos empregos, nas aposentadorias e nas pensões, não está cobrindo nem os próprios custos previsíveis e quantificáveis nem os custos da economia.

CONCLUSÕES

Esses tipos de custos - os custos de capital, os prêmios de risco da atividade econômica e as necessidades de capital para o futuro - se sobrepõem em extensão considerável. No entanto, qualquer empresa deve cobrir de maneira adequada qualquer um desses custos que seja o maior no próprio negócio. Do contrário, estará operando com prejuízo autêntico, certo e provável.

Dessas premissas elementares extraem-se três conclusões:

1. Lucro não é peculiaridade do capitalismo. É pré-requisito de qualquer sistema econômico. com efeito, as economias comunistas exigem taxas de lucro muito mais elevadas. Seus custos de capital são mais altos, não só porque os custos de administração são muito mais altos nas economias centralizadas, mas também porque os riscos são elevados na falta de controles automáticos (ou semiautomáticos) dos sistemas de mercado. E o planejamento central aumenta as incertezas econômicas. Com efeito, as economias comunistas funcionam com taxas de lucro substancialmente mais altas, não importa que, por motivos ideológicos, sejam denominadas imposto sobre o faturamento, em vez de sobre o lucro. E as únicas economias que se podem considerar baseadas no planejamento do lucro são exatamente as comunistas, em que o produtor (o planejador estatal) impõe antecipadamente a lucratividade necessária, em vez de permitir que ela seja determinada pelas forças de mercado.

2. Os custos do futuro, os custos do risco e da incerteza, que são pagos pela diferença entre as receitas correntes e as despesas correntes de produção e distribuição, são realidades econômicas inescapáveis, tanto quanto os salários e os pagamentos a fornecedores. Como as demonstrações financeiras das empresas devem refletir a realidade econômica, esses custos também deveriam ser mostrados. Decerto eles não são conhecíveis com tanta exatidão quanto os custos de fazer negócios dos contadores. Mas eles são conhecidos e conhecíveis dentro de limites que provavelmente não são mais amplos nem mais confusos que a maioria dos números da contabilidade de custos ou que boa parte das cifras de depreciação - e talvez sejam mais importantes tanto para a administração das empresas quanto para a análise de seu desempenho.

3. Finalmente, é dever dos empresários, perante si mesmos e perante a sociedade, enfatizar que não existe essa coisa chamada lucro pode cobrir é responsabilidade econômica e social. Com efeito, é a responsabilidade econômica e social específica da empresa. Não é a empresa que gera lucro compatível com seu custo de capital genuíno, com os riscos de amanhã e com as necessidades dos trabalhadores e dos pensionistas de amanhã que dilaceram a sociedade. É a empresa que não cumpre essa missão. Outras informações podem ser obtidas no livro Fator humano de desempenho, de autoria de Peter F. Drucker.

Mais em

http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/futuro-as-funcoes-economicas-politicas-e-sociais-do-lucro/110373/