sexta-feira, 30 de junho de 2023

Abuso de poder político: Tribunal forma maioria para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos; réu ainda pode recorrer da decisão

Logo na retomada do julgamento do pedido de inelegibilidade do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro ( do Partido Liberal - PL ), o Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) formou maioria para tornar Bolsonaro inelegível por oito anos. A ministra Cármen Lúcia, primeira a votar na sessão desta sexta-feira ( Trinta de junho de Dois mil e vinte e três ), anunciou logo no início da leitura do voto que iria acompanhar o relator Benedito Gonçalves e votar pela inelegibilidade de Bolsonaro.

Com isso, o julgamento passou a ter o placar de Quatro votos a Um para tornar Bolsonaro inelegível. Como a corte é formada por sete ministros, o resultado já representa a maioria dos votos para condenar o ex-presidente. O resultado final do julgamento, no entanto, só será formalizado após o voto dos dois últimos ministros. Com a punição, Bolsonaro ficará impedido de disputar eleições até Dois mil e trinta.


Após três sessões adiadas, Bolsonaro teve nesta sexta-feira ( Trinta de junho de Dois mil e vinte e três ) o Dia D do julgamento sobre o pedido de inelegibilidade analisado pelo TSE. O quarto dia de votação começou pouco depois das 12h20min.

Votaram a favor de tornar Bolsonaro inelegível o relator do caso no TSE, ministro Benedito Gonçalves, e os ministros Floriano de Azevedo Marques Neto, André Ramos Tavares e Carmen Lúcia . O ministro Raul Araújo foi o único voto em defesa da absolvição de Bolsonaro.

Dois ministros ainda precisam votar na sessão desta sexta-feira: Kassio Nunes Marques e o presidente da corte, Alexandre de Moraes.

Quarto dia de julgamento de Bolsonaro

  • O julgamento do caso de Bolsonaro foi retomado por volta das 12h30min, com a leitura do voto da ministra Carmen Lúcia.
  • Logo no início do voto, a ministra já anunciou que iria acompanha o relator e votar pela inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro por oito anos, e contra a aplicação de pena contra o candidato a vice na chapa, Braga Netto, que também é alvo do processo.
  • Com o voto de Cármen Lúcia, o placar ficou em Quatro a Um pela condenação de Bolsonaro, tornando-o inelegível por oito anos. Como a Corte é formada por sete ministros, o placar já indica a maioria dos votos para condenar o ex-presidente.
  • No voto decisivo, a ministra destacou que a reunião com embaixadores ocorreu a apenas três meses das eleições e teve manifestações de caráter eleitoral, como críticas ao atual presidente Lula, então adversário de Bolsonaro nas urnas. Também criticou o fato de que no que chamou de “monólogo” aos embaixadores, o ex-presidente teria desqualificado o Poder Judiciário, com “ataques deliberados” e “nomeação de ministros”.
  • A ministra também disse que a reunião com embaixadores teve “caráter eleitoreiro” e que isso gera impactos ao processo eleitoral
  • A ministra também citou as acusações sem provas feitas por Bolsonaro ao sistema eleitoral brasileiro. “Essa consciência de perverter faz com que não apenas o ilícito tenha acontecido, colocando em risco a normalidade e a legitimidade do processo eleitoral e, portanto, da própria democracia, mas isto foi divulgado, ou seja, com o uso indevido dos meios de comunicação para solapar a confiabilidade de um processo sem o qual nós não teríamos sequer o estado de direito, porque a Constituição não se sustentaria”, afirmou a ministra ao longo do voto.
  • Por volta das 12h50min, o ministro Nunes Marques iniciou a leitura do voto.

Após o resultado, a defesa do ex-presidente ainda poderá apresentar os chamados embargos de declaração, espécie de recurso da decisão, ao próprio TSE, e também um recurso especial ao Supremo Tribunal Federal ( STF ).

Bolsonaro é acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação por ter feito ataques ao sistema eleitoral durante uma reunião com embaixadores de vários países, em encontro transmitido ao vivo pela TV Brasil. A ação é movida pelo Partido Democrático Trabalhista ( PDT ).

A ação também pedia a inelegibilidade do vice na chapa de Bolsonaro nas eleições de Dois mil e vinte e dois, general Braga Netto, mas no voto anunciado terça-feira, o ministro Benedito Gonçalves não incluiu o militar na condenação proposta no relatório final.

O que pesa contra Bolsonaro

No relatório que embasou o voto, o ministro Benedito Gonçalves apontou que estaria configurado abuso de poder político no uso do cargo de presidente, com atos que teriam contribuído para “degradar o ambiente eleitoral”.

Ele também escreveu que “não é possível fechar os olhos para os efeitos antidemocráticos de discursos violentos e de mentiras que colocam em xeque a credibilidade da Justiça Eleitoral”.

Gonçalves definiu que a reunião teve finalidade eleitoral ao tentar influenciar o eleitorado e a opinião pública, o que configuraria um desvio de finalidade do cargo.

O ministro também relembrou outras acusações infundadas feitas pelo ex-presidente, como insinuações de um ataque hacker ao sistema eleitoral e argumentos falsos para a rejeição da Proposta de Emenda Constitucional ( PEC ) do voto impresso.

Com informações de:

Habitação: Programa Minha Casa Minha Vida tem ampliado limites para compra; anima setor em SC

Decisão do Conselho Curador ( CC ) do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço ( FGTS ) na última semana que ampliou os limites para compra de imóveis pelo Programa Minha Casa, Minha Vida ( MCMV ) e reduziu taxas de juros para a baixa renda oferece mais oportunidades de compra de imóveis e anima o setor da construção do Estado de Santa Catarina ( SC ), um dos que mais empregam no Estado. Em SC, os valores médios são os que têm maior oferta. Para famílias com renda de Quatro vírgula quatro mil reais a Oito mil reais ( faixa Três ), o valor máximo do imóvel pode ser de até Trezentos e cinquenta mil reais e o juro nominal ficou em Sete vírgula sessenta e seis por cento ao ano.

Valor até trezentos e cinquenta mil reais atende demanda da maioria das famílias que buscam primeiro imóvel Foto : Marco Favero, NSC, BD

Entre as construtoras que acreditam que venderão mais com essa mudança está a Rôgga, que atua em Joinville ( maior cidade do Estado de SC ) e Jaraguá do Sul ( na mesma região ). Essa mudança no limite para compra pelo MCMV aumenta em cerca de Trinta  por cento o poder de compra das famílias com essa faixa de renda, estima o diretor comercial da companhia, Thales Silva. A Rôgga tem sete empreendimentos com imóveis para essa faixa nas duas cidades.

Em SC, a oferta é menor para as unidades mais populares, que também tiveram limites de valores de imóveis aumentados. Para as faixas de renda Um e Dois, em cidades com população entre Cem mil e trezentos mil habitantes, o limite do valor do imóvel subiu para Duzentos e trinta mil reais; com menos de Cem mil habitantes foi para Duzentos mil reais; e com população entre trezentos mil e Setecentos mil habitantes, o limite foi para Duzentos e cinquenta mil reais.

Alta geração de empregos

Forte na construção de imóveis de luxo na faixa do litoral, o setor da construção civil de SC tem se destacado na geração de emprego na indústria. Dos Três vírgula seis mil empregos gerados no Estado em maio de Dois mil e vinte e três, a construção respondeu por Seiscentos e setenta e uma vagas, e, de janeiro a maio de Dois mil e vinte e três, abriu Dez mil e cinquenta e seis vagas, segundo apuração do Observatório da Federação das Indústrias do Estado de SC ( FIESC ) junto ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados ( CAGED ). Essas vagas foram abertas pela indústria da construção e seus serviços especializados. Considerando o total de empregos novos criados por SC até maio de Dois mil e vinte e três, Cinquenta e nove mil trezentos e setenta e duas vagas, a indústria em geral respondeu por praticamente a metade: Vinte e nove mil e oitenta e cinco.

Com informações de:

Abuso de poder político: julgamento de Bolsonaro prossegue; placar parcial é de 3x1 em favor de inelegibilidade

O ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro ( do Partido Liberal - PL ) tem nesta sexta-feira ( Trinta de junho de Dois mil e vinte e três ) o Dia D do julgamento sobre o pedido de inelegibilidade analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ). O quarto dia de votação começa às 12 horas, com a expectativa de desfecho após três sessões adiadas.

( Foto : Divulgação, TSE )

O julgamento foi interrompido nesta quinta-feira ( Vinte e nove de junho de Dois mil e vinte e três ) com o placar por Três votos a Um a favor da inelegibilidade de Bolsonaro por oito anos. A punição impediria o ex-presidente de disputar eleições até Dois mil e trinta.

Votaram a favor de tornar Bolsonaro inelegível o relator do caso no TSE, Ministro Benedito Gonçalves, e os ministros Floriano de Azevedo Marques Neto, André Ramos Tavares. O ministro Raul Araújo foi o único voto em defesa da absolvição de Bolsonaro.

Três ministros ainda precisam votar na sessão desta sexta-feira ( Trinta de junho de Dois mil e vinte e três: Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e o presidente da Corte, Alexandre de Moraes. Como a Corte é formada por sete magistrados, basta mais um voto para que a inelegibilidade seja confirmada.

Após o resultado, a defesa de Bolsonaro ainda poderá apresentar os chamados embargos de declaração, espécie de recurso contra a decisão, ao próprio TSE, e também um recurso especial ( RE ) ao Supremo Tribunal Federal ( STF ).

Bolsonaro é acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação por ter feito ataques ao sistema eleitoral durante uma reunião com embaixadores de vários países, em encontro transmitido ao vivo pela TV Brasil. A ação é movida pelo Partido Democrático Trabalhista ( PDT ).

A ação também pedia a inelegibilidade do vice na chapa de Bolsonaro nas eleições de Dois mil e vinte e dois, general Braga Netto, mas no voto anunciado terça-feira, o ministro Benedito Gonçalves não incluiu o militar na condenação proposta no relatório final.

O que pesa contra Bolsonaro

No relatório que embasou o voto, o ministro Benedito Gonçalves apontou que estaria configurado abuso de poder político no uso do cargo de presidente, com atos que teriam contribuído para “degradar o ambiente eleitoral”.

Ele também escreveu que “não é possível fechar os olhos para os efeitos antidemocráticos de discursos violentos e de mentiras que colocam em xeque a credibilidade da Justiça Eleitoral”.

Gonçalves definiu que a reunião teve finalidade eleitoral ao tentar influenciar o eleitorado e a opinião pública, o que configuraria um desvio de finalidade do cargo.

O ministro também relembrou outras acusações infundadas feitas pelo ex-presidente, como insinuações de um ataque hacker ao sistema eleitoral e argumentos falsos para a rejeição da Proposta de Emenda Constitucional ( PEC ) do voto impresso.

Com informações de:

Licitações e contratos: DEIC de SC faz buscas; suspeita de irregularidade em contratação de software

As operações da Diretoria Estadual de Investigações Criminais ( DEIC ) da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina ( PCSC ) deflagradas nesta sexta-feira ( Trinta de junho de Dois mil e vinte e três ) em SC têm como alvos ex-integrantes do governo do ex-governador Carlos Moisés da Silva ( do partido Republicanos ). Entre eles, está o ex-Secretário de Estado da Administração ( SEA ) Jorge Eduardo Tasca. Ele é coronel reformado da Polícia Militar do Estado de SC ( PMSC ), assim como outros alvos da operação, conforme apurou a coluna do jornalista Ânderson Silva do jornal Diário Catarinense ( DC ).



Os mandados contra os oficiais da PMSC foram cumpridos pela Corregedoria da própria PMSC e integrantes da PCSC. Já sete mandados contra os demais investigados na operação foram cumpridos somente pela PCSC.


Os outros investigados são empresários da área de tecnologia que tiveram contratos com o Estado de SC. As sedes das empresas deles também foram alvo de mandados de busca e apreensão. As empresas ficam em São José, Palhoça ( na Região metropolitana de Florianópolis ( Capital do Estado de SC ) e Canoas ( no Estado do Rio Grande do Sul - RS ). Já as residências dos empresários ficam em São José e Florianópolis.

O que diz a defesa de Tasca

A coluna entrou em contato com Noel Baratieri, defensor de Tasca. Baratieri disse que vai se reunir com Tasca na metade da manhã. Depois disso, eles vão emitir um posicionamento sobre a operação. Inicialmente, Baratieri diz que Tasca está tranquilo em relação à investigação.

As operações

A primeira operação, batizada de “Irmãos em Armas”, apura irregularidade na contratação de um software pela SEA e Porto de São Francisco do Sul ( PSFS ) durante o governo de Silva. Conforme a investigação, um sistema desenvolvido por uma empresa de Florianópolis foi escolhido pela SEA para gerir os indicadores de desempenho, tendo como base a Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão Construtivista ( MCDA ).


Agentes políticos da SEA e servidores do alto escalão do PSFS estariam envolvidos na contratação, assim como o representante da empresa fornecedora do software, que tinha vínculos com a PMSC e foi um dos responsáveis pela utilização e implementação da mesma metodologia na instituição.

De acordo com a PCSC, ela começou a ser colocada em prática na PMSC em Dois mil e treze após estudos acadêmicos feitos pelos investigados na Universidade Federal de Santa Catarina ( UFSC ), usando para a gestão dos indicadores um software com valor mais barato, que é disponibilizado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública ( SSP ) aos órgãos policiais.

Ainda segundo a investigação, a contratação ocorreu com dispensa de licitação depois da juntada de algumas solicitações de orçamentos, destinadas a empresas estabelecidas em SC e em outros Estados. De todas as solicitações encaminhadas, apenas a empresa contratada teria respondido.

Com as negativas, foi feita a compra direta do software com o fundamento de ser a única ferramenta adaptada e disponível no mercado para o uso da metodologia MCDA-C. Já a contratação no PSFS, apenas replicou o processo de inexigibilidade conduzido pela SEA.


A PCSC constatou, ainda, que o termo de referência ( TR ) anexado para a abertura do processo de contratação do programa pelo PSFS foi feito pelo proprietário da empresa. Além disso, há indícios de que ele nunca foi utilizado no local.

A estimativa é de que o prejuízo com a contratação da empresa seja de cerca de Um vírgula cinco milhão de reais.

Já a segunda operação, que recebeu o nome de Gênesis, teve origem após o compartilhamento de provas pela Polícia Civil de Rondônia ( PCRO ) com base na investigação da Operação Mobillis. Ela teve início com uma denúncia anônima que relatava supostas irregularidades no processo licitatório para a compra de software, tablets e demais acessórios para implementação do “Sistema Mobile”, usado para o registro de ocorrências policiais e a lavratura de Termos Circunstanciados ( TC ).

Ao analisar os dados, a PCRO constatou que a empresa também teria transacionado com outras unidades da federação.


Em SC, a mesma empresa presta serviços à PMSC desde Dois mil e onze. Com isso, a suspeita é de que os crimes foram praticados no Estado de SC e, depois, levados para outras instituições militares.


Com informações de:


Licitações e contratos: Polícia de SC investiga suspeita de fraude em compra de software

Duas operações da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina ( PCSC ) feitas nesta sexta-feira ( Trinta de junho de Dois mil e vinte e três ) tiveram como alvos softwares contratados pelo governo estadual em gestões passadas para uso da Polícia Militar do Estado de SC ( PMSC ), Porto de São Francisco do Sul ( PSFS ) e Secretaria de Estado da Administração ( SEA ). Ao todo, nove mandados de busca e apreensão são cumpridos em municípios da Grande Florianópolis ( Capital do Estado de SC ) e na cidade de Canoas, no estado do Rio Grande do Sul ( RS ). Em um dos casos, o prejuízo somado pode chegar ao montante de Um vírgula cinco milhões de reais.

Operações foram deflagradas na manhã desta sexta-feira ( Trinta de junho de Dois mil e vinte e três ) ( Foto : Polícia Civil / Divulgação )

Ambos os casos são investigados pelas delegacias de Combate à Corrupção e Investigação à Lavagem de Dinheiro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais ( DEIC ).

A primeira operação, batizada de “Irmãos em Armas”, apura irregularidade na contratação de um software pela SEA e PFSFS durante o governo durante o mandato do ex-governador Carlos Moisés da Silva ( do partido Republicanos ). Conforme a investigação, um sistema desenvolvido por uma empresa de Florianópolis foi escolhido pela SEA para gerir os indicadores de desempenho, tendo como base a Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão Construtivista ( MCDA ).

Agentes políticos da SEA e servidores do alto escalão do PSFS estariam envolvidos na contratação, assim como o representante da empresa fornecedora do software, que tinha vínculos com a PMSC e foi um dos responsáveis pela utilização e implementação da mesma metodologia na instituição.

De acordo com a PCSC, ela começou a ser colocada em prática na PMSC em Dois mil e treze após estudos acadêmicos feitos pelos investigados na Universidade Federal de Santa Catarina ( UFSC ), usando para a gestão dos indicadores um software com valor mais barato, que é disponibilizado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública ( SSP ) aos órgãos policiais.

Ainda segundo a investigação, a contratação ocorreu com dispensa de licitação depois da juntada de algumas solicitações de orçamentos, destinadas a empresas estabelecidas em SC e em outros Estados. De todas as solicitações encaminhadas, apenas a empresa contratada teria respondido.

Com as negativas, foi feita a compra direta do software com o fundamento de ser a única ferramenta adaptada e disponível no mercado para o uso da metodologia MCDA - C. Já a contratação no PSFS, apenas replicou o processo de inexigibilidade conduzido pela SEA.

A PCSC constatou, ainda, que o termo de referência anexado para a abertura do processo de contratação do programa pelo PSFS foi feito pelo proprietário da empresa. Além disso, há indícios de que ele nunca foi utilizado no local.

A estimativa é de que o prejuízo com a contratação da empresa seja de cerca de Um milhão e meio de reais.

Operação Gênesis

Já a segunda operação, que recebeu o nome de Gênesis, teve origem após o compartilhamento de provas pela Polícia Civil do Estado de Rondônia ( PCRO ) com base na investigação da Operação Mobillis. Ela teve início com uma denúncia anônima que relatava supostas irregularidades no processo licitatório para a compra de software, tablets e demais acessórios para implementação do “Sistema Mobile”, usado para o registro de ocorrências policiais e a lavratura de Termos Circunstanciados ( TC ).

Ao analisar os dados, a PCRO constatou que a empresa também teria transacionado com outras unidades da federação ( UF ).

Em SC, a mesma empresa presta serviços à PMSC desde Dois mil e onze. Com isso, a suspeita é de que os crimes foram praticados no Estado e, depois, levados para outras instituições militares.

Conforme a investigação, as licitações para criar e manter o Sistema de Atendimento de Despacho de Emergência – SADE ( PM MOBILE ) da PMSC catarinense foram direcionadas com a inclusão de cláusulas restritivas, exigência de atestados de qualificação expedidos pela própria PMSC e prazos exíguos para desenvolver o produto, o que teria afastado a participação de outras empresas de tecnologia na disputa.

A PCSC também identificou o uso de agentes públicos para promover a empresa fora de SC, com o objetivo de vender o produto para outras instituições militares, como o ocorrido em RO, além do recebimento de presentes pelos agentes públicos e a elaboração conjunta dos TR.

Como a investigação apura crimes praticados por militares da ativa, foram expedidos mandados de busca e apreensão tanto pela Justiça comum como pela Justiça castrense. Ou seja, a PCSC será a responsável pelo cumprimento nas casas e empresas dos civis, enquanto a PMSC cumprirá em desfavor dos militares envolvidos.

Ao todo, nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta sexta-feira ( Trinta de junho de Dois mil e vinte e três ) envolvendo as duas operações. As buscas ocorrem em Florianópolis, São José, Palhoça e Canoas, no RS. Até o momento desta publicação, ninguém havia sido preso.

Em ambos os casos, a PCSC investiga os crimes de associação criminosa, corrupção ativa e passiva, e fraude em licitação.

Em nota, a SEA informou que as supostas irregularidades no processo licitatório são da gestão passada e que a atual não “realizou a renovação do contrato referido e estão sendo prontamente disponibilizadas as informações necessárias às autoridades competentes, colaborando de forma irrestrita com as investigações em curso”.

o Portal NSC Total também entrou em contato com a PMSC, mas ainda não obteve retorno.

Com informações de:

Direitos Humanos: O direito à liberdade de expressão e a comunicação social

A liberdade de expressão ( * vide nota de rodapé ) é tratada tanto no "rol do Artigo quinto quanto no Capítulo da comunicação social ( *2 vide nota de rodapé ) na Constituição Federal de Mil novecentos e oitenta e oito ( CF - 88 ). Essa repetição de massa, em diversos países democráticos, é sujeita à regulamentação específica, diferente da que rege a comunicação entre indivíduos.


A liberdade de informação jornalística decorre da liberdade de expressão, mas dela difere: na liberdade de expressão, predomina o discurso direto do emitente, que veicula suas ideias e valores; na liberdade de informação predomina o discurso indireto do emitente, que noticia e veicula fatos ou falas de outrem.


é possível, ainda, decompor o "direito de informação" em:


1) liberdade de informar;

2) liberdade de se informar e

3) liberdade de ser informado.


No caso brasileiro, a CF - 88 reiterou o direito à livre manifestação do pensamento, da criação, da expressão e da informação ( Artigo Duzentos e vinte, Caput ), vedando a edição de leis que venham a restringir a liberdade de informação jornalística ( Artigo Duzentos e vinte, Parágrafo Primeiro ), e ainda também proibiu qualquer censura política, ideológica e artística ( Artigo Duzentos e vinte, Parágrafo Segundo ).


Porém, a CF - 88 regulou fortemente o conteúdo transmitido pela comunicação de massa das emissoras de rádio e televisão ( que são concessões públicas ), ao dispor, em diversos Incisos do Artigo Duzentos e vinte e um, que esses meios devem observar em sua programação uma "preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas" ( Inciso Primeiro ), além de zelar pela "promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação" ( Inciso Segundo ), e devem esses veículos acatar a "regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei" ( Inciso terceiro ), e, finalmente, devem obedecer aos "valores éticos e sociais da família" ( Inciso Quarto ).


Na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ( STF ), prevalece o espírito liberal de valorização da liberdade de expressão, mesmo na comunicação de massa. Na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental ( ADPF ) número Cento e trinta, o STF considerou como totalmente não recepcionada pela ordem constitucional a Lei número Cinco mil duzentos e cinquenta / Mil novecentos e sessenta e sete ( denominada "Lei de Imprensa" ).


Para o STF, o conjunto desses dispositivos constitucionais referentes à "Comunicação Social" ( Capítulo Quinto do Título Oitavo da CF - 88 ) demonstra que os veículos de comunicação de massa representam uma "instituição-ideia", influenciando cada pessoa e auxiliando a formar a opinião pública.


Nessa linha, o STF sustentou que o Capítulo constitucional da comunicação social representa um prolongador de direitos que são emanações da dignidade da pessoa humana ( *3 vide nota de rodapé ): a livre manifestação do pensamento e o direito à informação e à expressão artística, científica, intelectual e comunicacional. Portanto, para o STF, a liberdade de informação jornalística é expressão sinônima de liberdade de imprensa, constituindo-se em um patrimônio imaterial do povo e "irmã siamesa de democracia". Ou, nas palavras do Ministro Celso de Mello, "a censura prévia governamental, emanada de qualquer um dos três Poderes, é a expressão odiosa da face autoritária do poder público". No final, o STF decidiu que, apesar da não recepção da Lei número Cinco mil duzentos e cinquenta / Mil novecentos e sessenta e sessenta e sete, o direito de resposta, nela regulamentado, ainda é cabível, uma vez é fruto direto do Artigo quinto, Inciso Quinto, da CF - 88.


Quanto ao uso do direito penal para reprimir a liberdade de expressão, a Corte Interamericana de Direitos Humanos ( Corte IDH ) ( *4 vide nota de rodapé ) possui uma série de precedentes que estabelece limites ao uso em especial do "crime contra a honra" para cercear tanto a liberdade de expressão quanto a liberdade de informação. é necessário, para incidência do direito penal, que


1) haja prévia tipificação penal em lei;

2) que seja usada a lei penal para proteger direitos também albergados pela Convenção Americana de Direitos Humanos ( CADH ) ( *5 vide nota de rodapé ) e

3) a tipificação penal seja necessária em uma sociedade democrática.


No recente caso Álvares Ramos houve a condenação, na Venezuela, do jormalista Álvares Ramos por difamação agravada e continuada e além da pena de presão, foi inabilitado politicamente. Para a Corte IDH, no tocante à tipificação necessária em uma sociedade democrática, as matérias de interesse público não podem resultar em uma responsabilidade penal, o que geraria um nefasto efeito inibidor ( chilling effect ).  Assim, o debate público e a crítica a políticos e administradores públicos exigem o afastamento do uso do direito penal na proteção da honra, evidenciando a especial proteção da liberdade de expressão nesse contexto ( *6 vide nota de rodapé ) 


P.S.:


Notas de rodapé:


* O direito à liberdade de expressão, no contexto dos Direitos Humanos, é melhora detalhado em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2023/06/direitos-humanos-o-direito-liberdade-de.html .


*2 O direito à informação na comunicação social, no contexto dos Direitos Humanos, é melhor detalhado em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2021/04/direitos-humanos-doutrinas-e_80.html .


*3 O direito à dignidade da pessoa humana, no contexto dos Direitos Humanos, é melhor detalhado em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2022/03/direitos-humanos-dignidade-humana-e.html .


*4 A Corte Interamericana de Direitos Humanos é melhor detalhada em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2022/11/direitos-humanos-corte-interamericana.html .


*5 A Convenção Americana de Direitos Humanos é melhor detalhada em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2022/10/direitos-humanos-convencao-americana.html .


*6 Nesse sentido, ver Torres, Paula Ritzmann. O caso Álvarez ramos versus Venezuela: limites à tutela penal da honra e da liberdade de expressão e crítica. Boletim do IBCCrim, número Trezentos e vinte e sete, fevereiro de Dois mil e vinte.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Infraestrutura: Caravana do Ministro dos Transportes, Renan Filho, traz boas notícias para o setor

Esta tem sido uma semana de lavar alma para os petistas do município de Blumenau ( na Região do Alto Vale do Rio Itajaí ) e do Estado de Santa Catarina ( SC ). A caravana de boas notícias que escoltou o ministro dos Transportes, Renan Filho ( do Movimento Democrático Brasileiro - MDB ), pelas rodovias do Estado teve o seu ápice na rodovia federal número Quatrocentos e setenta ( BR-470 ), em Blumenau, terça-feira ( Vinte e sete de junho de Dois mil e vinte e três ). Ato público em que não faltaram bandeiras do partido, coro de “Olê, olê, lá, Lula” e… Cartazes de agradecimento pela obra ainda por concluir — que invocaram lembranças ao Vale do Itajaí.


Ministro dos Transportes, Renan Filho ( MDB ) e Vice-líder do governo na Câmara dos Deputados e deputada federal Ana Paula Lima ( PT ). 

Há tempos não se via mobilização tão orgulhosa da militância petista na região — também efeito de uma disputa com o MDB catarinense, como apontou a jornalista  Dagmara Spautz, do jornal Diário Catarinense ( DC ). Apoiadores que atravessaram o purgatório da Operação Lava-Jato ( na qual Lula teve 26 processo nulos ) e do bolsonarismo e conviveram por uma década com cobranças e piadas sobre a duplicação da BR-470. Maior líder regional do partido, a deputada federal Ana Paula Lima ( PT ) rememorou ao microfone:

— Apanhamos muito por causa da duplicação da BR-470.

Ana e o marido, o ex-prefeito Décio Lima ( PT ), materializaram-se como alvo dos opositores, em Dois mil e treze, ao espalhar outdoors pela região agradecendo à então presidente Dilma Rousseff ( PT ) pela duplicação da BR-470 e a federalização da Fundação Universidade Regional de Blumenau ( FURB ). Daí a sensação de mau presságio que os cartazes pendurados no viaduto do Badenfurt, nesta semana, inevitavelmente provocam.


O terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) tem a oportunidade de fazer por merecer os agradecimentos apressados. Ministro e Departamento nacional de Infraestrutura de Transportes ( DNIT ) concordam que a duplicação tem de estar pronta em Dois mil e vinte e cinco, mais tardar Dois mil e vinte e seis, dentro do atual mandato presidencial. A se confirmar essa esperança, o PT de SC dirá, com razão, que entregou a BR-101 Sul e a BR-470 até Indaial. Pode ser um caminho de resgate ao partido no Médio Vale, onde já governou Blumenau, Indaial e Gaspar.

Com informações de:


Abuso de poder político: Como fica o jogo político, caso Bolsonaro fique inelegível por 8 anos?

A inelegibilidade do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro ( do Partido Liberal - PL ) é dada como certa nos bastidores e deve se confirmar nesta quinta-feira ( Vinte e nove de junho de dois mil e vinte e três ). Com isto, a figura mais carismática da direita nacional, responsável por provocar sucessivas ondas que carregaram nomes para dentro do Congresso Nacional ( CN ) e dos Poderes Legislativos Estaduais ( PLE ), estará impedida de disputar eleições e deixará um vácuo. A pergunta é: Para onde vai a direita com Bolsonaro fora do jogo.

Ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro ( do Partido Liberal - PL ) . 

Há fontes de diferentes lados no espectro político que apostam num fortalecimento do bolsonarismo – especialmente se Bolsonaro se colocar no papel de vítima, de injustiçado. Por outro lado, também há análises de que, inelegível, o ex-presidente terá gradualmente menos influência no jogo político. Especialmente se o governo Lula conseguir bons resultados na economia. Em ambos os cenários, a direita terá de se reorganizar.

O espólio de Bolsonaro está em aberto. Bolsonaristas no Estado de Santa Catarina ( SC ), dentro e fora do PL, apostam nos mesmos nomes que estão “pipocando” nacionalmente – Romeu Zema ( do partido Novo ), Ratinho Junior ( do Partido Social Democrático  - PSD ) e, em especial, Tarcísio Gomes de Freitas ( do partido Republicanos ). Todos são próximos do governador do Estado de SC, Jorginho dos Santos Mello ( PL ). Curiosamente, o nome de Michelle Bolsonaro ( PL ) não aparece entre as apostas na política catarinense para herdar os eleitores bolsonaristas.

A dúvida é se um nome alternativo terá a mesma força de Bolsonaro, ou se o eleitorado vai se dividir. O primeiro teste será nas eleições municipais do ano de Dois mil e vinte e quatro. O PL usará o ex-presidente como cabo eleitoral. Valdemar da Costa Neto ( presidente do PL ) já informou que o partido vai bancar um tour pelos Estados. Conta com o toque de Midas de Bolsonaro para alavancar o número de prefeituras.

A tendência é que isso ocorra em Estados como SC, que tem uma conjuntura favorável ao partido. De carona na “nova onda” Bolsonaro, o PL governa o Estado e tem a maior representação na bancada – fatores que devem aumentar o número de vereadores e prefeitos eleitos.

Em Dois mil e vinte e seis, no entanto, o jogo estará em aberto. Sem Bolsonaro, a polarização política que o Brasil viveu ao longo dos últimos anos também enfraquece. E outra questão em aberto é até onde Bolsonaro inelegível ajuda ou prejudica Lula. Os dois se colocaram como lados opostos, e a rejeição a um alimentou a votação de outro – um fenômeno que foi possível porque as duas figuras mais populares da política nacional se enfrentaram nas urnas. O Partido dos Trabalhadores ( PT ) conseguirá a reeleição com um candidato menos estridente à direita? A esquerda, como a direita, terá um cenário novo a encarar.

Ao julgar Bolsonaro, o Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) fecha um ciclo e abre uma caixa de perguntas.

Com informações de:

Abuso de poder político: Ex-presidente Bolsonaro segue sob julgamento pelo TSE; poderá ficar inelegível por até 8 anos

O Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) iniciou nesta quinta-feira ( Vinte e nove de junho de Dois mil e vinte e três ) o terceiro dia de julgamento da ação que pode tornar o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro ( do Partido Liberal - PL ) inelegível por até oito anos. O caso começou a ser julgado na última sexta ( Vinte e três de junho de Dois mil e vinte e três ), mas teve a sessão suspensa após as manifestações do Partido Democrático Trabalhista ( PDT ), partido que propôs a ação, e da defesa de Bolsonaro. A sessão desta quinta-feira começou às Dez horas da manhã.

Ex-presidente Jair Messias Bolsonaro ( do Partido Liberal - PL ) .


Votos

  • Ministro Floriano de Azevedo Marques vota por condenar ex-presidente e desempata julgamento, 2 a 1. Falta voto de 4 ministros do TSE
  • Raul Araújo foi o 1º a votar nesta quinta. O ministro divergiu do relator e votou contra, acolhendo o questionamento da defesa sobre o uso da “minuta do golpe”.
  • Na terça-feira (28), Benedito Gonçalves, relator do processo, votou a favor da condenação de Bolsonaro.

Julgamento

Na terça-feira (28), o TSE retomou o caso no segundo dia de julgamento da ação contra o ex-presidente. Na ocasião, o ministro Benedito Gonçalves, relator do processo, fez a leitura do relatório e do voto. O ministro pediu a condenação de Bolsonaro por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, com decretação de inelegibilidade por oito anos. A punição impediria o ex-presidente de se candidatar a cargos públicos até 2030.

A sessão de terça-feira foi suspensa após a leitura do voto do relator. O julgamento será retomado nesta quinta, às 10h, com o voto do ministro Raul Araújo. Depois dele, ainda faltaram outros cinco ministros para votar: Floriano de Azevedo Marques Neto, André Ramos Tavares, Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e o presidente da corte, Alexandre de Moraes.

Caso mais três ministros acompanhem o relator e votem pela condenação de Bolsonaro, o ex-presidente ficará inelegível. Os ministros ainda podem fazer um pedido de vista, o que suspenderia o andamento do caso e abriria prazo de 30 dias para análise do processo pelos magistrados.

Bolsonaro é acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação por ter feito ataques ao sistema eleitoral durante uma reunião com embaixadores de vários países, em encontro transmitido ao vivo pela TV Brasil.

A ação também pedia a inelegibilidade do vice na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022, general Braga Netto, mas no voto anunciado terça-feira, o ministro Benedito Gonçalves não incluiu o militar na condenação proposta no relatório final.

Acompanhe Ao Vivo:




Com informações de:

Fernanda Mueller ( fernanda.mueller@nsc.com.br ) . 

Direitos Humanos: o direito à liberdade de expressão versus a ridicularização de minorias

Tema de recente impacto na mídia diz respeito aos limites à liberdade de expressão ( * vide nota de rodapé ) artística do gênero humor. As piadas "politicamente incorretas" podem sofrer limitação judicial e os humoristas serem responsabilizados civilmente por danos morais individuais às pessoas atingidas ou danos morais coletivos às comunidades ofendidas?


A casuística pende para a preferência à liberdade de expressão artística ( humor ), como se vê em julgado do Superior Tribunal de Justiça ( STJ ), no qual a relatora, Ministra Nancy Andrighi, ressaltou que "a tarefa de examinar aquilo que se poderia chamar de 'inteligência' do humor praticado cabe, apenas, aos setores especializados da imprensa, que concedem prêmios aos artistas de acordo com o desempenho por eles demonstrado em suas obras" ( STJ, Recurso Especial número Setecentos e trinta e seis mil e quinze / Rio de Janeiro, Ministra Nancy Andrighi, julgado em Dezesseis de junho de Dois mil e cinco ).


Em Dois mil e quinze, houve, contudo, posição divergente do Superior Tribunal de Justiça em conhecido caso envolvendo humorista que, em programa de televisão de rede nacional, diante de matéria envolvendo celebridade grávida, fez comentário considerando chulo e grosseiro ( "comeria ela e o bebê" ). houve a propositura de ação de indenização promovida pelos pais e também pelo feto ( direito da personalidade do nascituro ), tendo sido o humorista condenado no Primeiro Grau, sendo a sentença mantida no Tribunal de Justiça de São Paulo ( TJSP ) ( por maioria ). No conflito entre a liberdade de expressão ( na faceta humorística ) e os direitos de personalidade dos atingidos ( honra - *3 vide nota de rodapé - , imagem ), o TJSP entendeu que a agressividade contida nas palavras ditas afasta que se tome o dito como piada, sendo vedado "usar de sua liberdade de expressão de modo a pôr em risco valores ainda maiores, como a dignidade da pessoa humana ( *2 vide nota de rodapé )". Nessa linha, a maioria no TJSP entendeu que quando o humor seja sem graça, mais ofenda que divirta, não cumpre sua função: o fazer rir. Assim, não se pode admitir que venha alguém querer se escudar no fato de fazer humor para escapar à responsabilidade quanto ao conteúdo de certa manifestação que tenha emitido". Com isso, a maioria do TJSP - além de invocar a dignidade humana como princípio de maior peso - fez descaracterização da frase grosseira como forma de humor, ou seja, criou-se critério - sem parâmetros claros - do que pode ser considerado humor em uma sociedade. O voto vencido ( do relator originário, Desembargador Roberto maia ) apontou a impossibilidade de um terceiro descaracterizar o humor, somente porque - pelos seus parâmetros - este foi chulo, grosseiro ou extremamente infeliz. Para Mais, condenar o humorista seria estabelecer standards judiciais sobre os mais diversos tipos de humor, segmentando-os em lícitos / ilícitos ( Apelação Cível número Duzentos e um mil oitocentos e trinta e oito  - Cinco . Dois mil e onze . Oito . Vinte e seis . Cem, TJSP, relator designado João Batista Vilhena, julgado em Seis de novembro de Dois mil e doze ). O Superior Tribunal de Justiça ( STJ ) manteve a condenação, sustentando que o comentário feito pelo humorista foi "reprovável, agressivo e grosseiro, sendo efetivamente causador de abalo moral" ( Recurso Especial número Um milhão quatrocentos e oitenta e sete mil e oitenta e nove - São Paulo, Relator Ministro Marco Buzzi, julgado em Vinte e três de julho de Dois mil e quinze ).


Ridendo castigat mores ( o riso corrige os costumes ) e, em geral, não gera dever de indenização. O cerne da diferenciação do humor de outras formas de conduta ( como a ofensa pura e simples ) está no ânimo do agente havendo a vontade clara de divertir e gracejar ( animus jocandi ), fica caracterizada a liberdade de expressão humorística, mesmo se a piada for rude, cáustica ou mesmo sem alguma graça no contexto social de uma época. Por outro lado, caso haja a caracterização do ânimo de ofender ou inferiorizar determinada pessoa ou grupo social, pode-se chegar à limitação da liberdade de expressão humorística, aqui usada somente como disfarce para se assegurar a prevalência de outro direito envolvido ( por exemplo, o direito à igualdade ).


Destaca-se a caracterização, dado o contexto brasileiro de exclusão e marginalização das minorias raciais, do humor depreciativo envolvendo pessoas negras ( bem como de outras minorias )  como sendo uma espécie velada de racismo - o chamado "racismo recreativo" ( *4 vide nota de rodapé ), na conceituação pioneira de Adilson Moreira. Para Moreira, o racismo recreativo consiste em uma política cultural que usa o humor para expressar hostilidade em relação a minorias raciais, camuflando o racismo, mostrando a minoria em situação degradante e inferiorizada. Como exemplo, o outor cita a degradação sexual de minorias em piadas como tentativa de


1) manter a superioridade dos membros do grupo racial dominante ( seriam os únicos parceiros sesuais socialmente aceitáveis ) e

2) associar tal característica sexual depreciativa à incompetência do integrante da minoria para outros postos de poder na sociedade.


Tal humor racista representa, sob o pretexto de fazer rir, o desejo da manutenção da posição de poder de pessoas brancas, eternizando estereótipos negativos, ao mesmo tempo em que impede a mobilização da minoria para outros postos de poder na sociedade. Tal humor racista representa, sob o pretexto de fazer rir, o desejo da manutenção da posição de poder de pessoas brancas, eternizando estereótipos negativos, ao mesmo tempo em que impede a mobilização da minoria e tenta deslegitimar o debate sobre racismo ( "era só uma piada" ). Conclui Moreira que o racismo recreativo é espécie de discurso de ódio ( *5 vide nota de rodapé ), não sendo protegido pela liberdade de expressão ( *6 vide nota de rodapé ).


Não se descarta, também a possibilidade de repressão de eventuais violações de direitos  das pessoas atingidas por atividades invasivas. O caso de conhecido programa de humor que perseguiu atriz televisiva célebre, inclusive com a contratação de caminhão com guindaste para ficar na frente de sua residência, importunando-a e interferindo fortemente na sua vida privada, é típico caso de uso camuflado da liberdade de expressão artística para justificar violação do direito à vida privada ( *7 vide nota de rodapé ).


Nessa linha de ponderação da liberdade de expressão com  outros direitos, o Supremo Tribunal Federal ( STF ) considerou que o Estado não está autorizado a impedir que um candidato seja aprovado em definitivo em concurso p´[ublico, pelo fato de ostentar, de forma visível ou não, uma pigmentação definitiva em seu corpo ( a chamada tatuagem ) que expresse os sentimentos, ideologia, crenças ou quaisquer valores do seu portador. Contudo, caso a tatuagem exteriorize valores ofensivos aos valores previstos na Constituição Federal de Mil novecentos e oitenta e oito ( CF - 88 ) e tratados de Direitos Humanos ( DH ), não é possível invocar a liberdade de expressão, pois aquele que exerce cargo público deve possuir valores compatíveis com a dignidade humana. para o Ministro Luiz Fux, " ( ... ) Independentemente de ser visível ou do seu tamanho, uma tatuagem não é sinal de inaptidão profissional, apenas podendo inviabilizar o desempenho de um cargo ou emprego público, quando exteriorizar valores excessivamente ofensivos à dignidade dos seres humanos, ao desempenho da função pública pretendida ( como na hipótese, verbi gratia, de um candidato ao cargo policial que possua uma tatuagem simbolizando uma facção criminosa ou o desejo de assassinato de policiais ), incitação à violência iminente, ameaças reais ou representar obscenidades". Assim, somente se:


1) houver lei e

2) a tatuagem for ofensiva à dignidade e aos DH, pode existir o óbice à assunção do cargo público ( STF, Recurso Extraordinário número Oitocentos e noventa e oito mil quatrocentos e cinquenta / São Paulo, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em Dezessete de agosto de Dois mil e dezesseis, Informativo do STF número Oitocentos e quarenta e um ).


Por fim, a liberdade de expressão pode encontrar compressão nas limitações previstas em lei no tocante à obscenidade e pornografia, em especial diante dos direitos da criança ( *8 vide nota de rodapé ). Em Dois mil e dezesseis, o Ministro Luiz Fux fez menção às três condições impostas pela Suprema Corte dos Estados Unidos da América ( EUA ) para definir o que seria obscenidade nas publicações e obras em geral ( o chamado Miller-test, no caso Miller versus Califórnia, de Mil novecentos e setenta e três ), a saber:


"1) o homem médio, seguindo padrões contemporâneos da comunidade, considere que a obra, tida como um todo, atrai o interesse lascivo;

2) quando a obra retrata ou descreve, de modo ofensivo, conduta sexual, nos termos do que definido na legislação estadual aplicável;

3) quando a obra, como um todo, não possua um sério valor literário, artístico, político ou científico" ( STF, Recurso Extraordinário número Oitocentos e noventa e oito mil quatrocentos e cinquenta / São Paulo, relator Ministro Luiz Fux, julgado em Dezessete de agosto de Dois mil e dezesseis, Informativo do STF número Oitocentos e quarenta e um ).  


P.S.:


Notas de rodapé:


* O direito à liberdade de expressão, no contexto dos Direitos Humanos, é melhor introduzido em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2023/06/direitos-humanos-o-direito-liberdade-de.html .


*2 O direito à dignidade da pessoa humana, no contexto dos Direitos Humanos, é melhor detalhada em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2022/03/direitos-humanos-dignidade-humana-e.html .


*3 O direito à honra e à imagem, no contexto dos Direitos Humanos, é melhor detalhada em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2021/04/direitos-humanos-doutrinas-e_29.html .


*4 A vedação ao racismo, no contexto dos Direitos Humanos, é melhor detalhada em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2022/11/direitos-humanos-racismo-e-formas.html .


*5 A vedação ao discurso de ódio, no contexto dos Direitos Humanos, é melhor detalhado e exemplificado em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2023/06/direitos-humanos-o-direito-liberdade-de_28.html .


*6 Moreira, Adilson. Racismo recreativo ( coleção Femininos Plurais - coordenação de Djamila Ribeiro ). São Paulo: Pólen Livros, Dois mil e dezenove, em especial Páginas Cinquenta e oito e seguintes.


*7 O direito à vida privada, no contexto dos Direitos Humanos, é melhora detalhado em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2021/04/direitos-humanos-doutrinas-e_29.html .


*8 Os direitos da criança, no contexto dos Direitos Humanos, é melhora detalhado em: https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2022/06/direitos-humanos-os-direitos-da-crianca.html .   

Direitos Humanos: Vereadora Carla Ayres de SC sofre ameaça de morte por e-mail

A vereadora de Florianópolis ( Capital do Estado de Santa Catarina  - SC ) Carla Ayres ( do Partido dos Trabalhadores - PT ) noticiou que recebeu uma mensagem eletrônica (  e - mail ) com ameaças de morte contra ela e a comunidade LGBTQIAP+. Ela foi nesta quarta-feira ( Vinte e oito de junho de Dois mil e vinte e três ) à delegacia de polícia ( DP ) da Capital, onde registrou um boletim de ocorrência ( B.O ).

( Foto : Redes Sociais )


Carla falou sobre a ameaça sofrida durante um seminário que discutia os desafios da garantia de direitos da comunidade LGBTQIAP+. A mensagem diz: “Eu juro, mas eu juro do fundo do meu coração que eu vou trocar o meu Corsa em uma pistola Nove Milímetros ( 9mm ) e vou comprar uma passagem só de ida para meter uma bala na sua cabeça e em todas as sapatonas, negros, gays e homossexuais que estiverem aí”.

Segundo Carla, a ameaça foi enviada pelo mesmo homem que teria compartilhado mensagens de ódio contra duas deputadas estaduais de São Paulo ( SP ), ambas negras e bissexuais.

— Enquanto resisto sendo a primeira mulher assumidamente lésbica eleita nesta cidade, a minha assessoria lia este e-mail. Nossas vidas estão em risco pelo que somos: mulheres, negras e LGBTIAP+. Essa não é a primeira ameaça que a gente recebe — disse.

Carla havia denunciado um e-mail de ameaças em fevereiro de Dois mil e vinte e três, quando foi chamada de "sapatona doente". Na época, ela também registrou um B.O.. Desta vez, porém, Carla afirma que o autor do e-mail citou a localização exata de sua residência, e que “poderia ser qualquer pessoa na saída da Câmara de Municipal de Florianópolis ( CMF ), ou um vendedor na rua”. O homem, que criticou o projeto de autoria de Carla sobre pobreza menstrual ainda escreveu: “basta apenas um só deslize seu e BOOM”.

— Todas as medidas cabíveis já foram tomadas e diversos órgãos municipais, estaduais e federais foram acionados. Eu exijo que minha segurança e de todas as pessoas que caminham ao meu lado seja garantida — afirmou Carla.


De acordo com a diretora de Polícia da Grande Florianópolis, delegada Michele Alves Correa Rebelo, a Polícia Civil do Estado de Santa Catarina ( PMSC ) deve abrir um inquérito sobre a ameaça. Ela pontua com uma investigação já ocorre na Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso ( DPCAMI ) da Capital em relação a outra denúncia.

— Se ela fez o B.O. com certeza nós vamos apurar. Neste caso, se a vítima manifestar o ‘ok’, nós vamos apurar — explica.


Com informações de: 


quarta-feira, 28 de junho de 2023

Abuso de poder político: Ministro relator vota por condenação de Bolsonaro a inelegibilidade por 8 anos; outros 6 ministros ainda votarão

O julgamento que pode tornar o ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro ( do Partido Liberal - PL ) inelegível caminha para o desfecho na sessão desta quinta-feira ( Vinte e oito de junho de Dois mil e vinte e três ) do Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ), marcada para as Dez horas.

Votação será retomada na quinta-feira ( Foto : Marcello Casal Jr, Agência Brasil )

O segundo dia de julgamento foi marcado pelo voto do relator do caso, o Ministro Benedito Gonçalves, pedindo a condenação de Bolsonaro por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação e a decretação de inelegibilidade por até oito anos. A punição deixaria o ex-presidente sem poder concorrer a eleições até Dois mil e trinta.


Com o término da leitura do voto do relator, o julgamento será retomado com o voto dos outros seis ministros que compõem o TSE. O primeiro deles será Raul Araújo. Ele já foi apontado como uma das “esperanças” de Bolsonaro para que seja apresentado um pedido de vista ao processo. Caso isso ocorra, o andamento da votação é suspenso, e os magistrados passam a ter prazo de Trinta dias, prorrogável por mais Trinta, para analisar o processo antes de o julgamento ser retomado.

Na votação desta terça-feira ( Vinte e sete de junho de Dois mil e vinte e três ), ele chegou a ser questionado pelo presidente do TSE, Alexandre de Moraes, se gostaria de apresentar o voto ainda na terça, mas optou por anunciar o voto na próxima sessão, quinta-feira ( Vinte e nove de junho de Dois mil e vinte e três ). Até o momento, no entanto, ele não sinalizou nenhuma possibilidade de pedido de vista, e a hipótese é considerada cada vez mais improvável.

Depois dele, ainda precisarão votar os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques, Floriano de Azevedo Marques Neto e André Ramos Tavares.


Caso quatro ministros votem a favor de um determinado posicionamento — condenação ou absolvição —, o resultado pode ser conhecido já nesta quinta-feira, ainda que haja pedido de vista.

Bolsonaro é acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação por ter feito ataques ao sistema eleitoral durante uma reunião com embaixadores de vários países, em encontro transmitido ao vivo pela TV Brasil. 


Com informações de:

Reforma Tributária: Líder da reforma explica proposta em audiência pública na Assembleia de SC

Com a adoção da mudança do sistema tributário brasileiro previsto na reforma, a economia do país entrará num ciclo virtuoso de crescimento porque todos os setores serão beneficiados. A Índia, que mudou seu sistema em Dois mil e dezessete, está crescendo Seis por cento ao ano.

Em audiência na Assembleia Legislativa do Estado de de SC, Reginaldo Lopes explica os pontos da proposta de reforma. Foto : Bruno Collaço, Agência AL.


Esse cenário promissor é destacado pelo coordenador do Grupo de Trabalho da Reforma Tributária na Câmara dos Deputados ( CD ) Federal, deputado Reginaldo Lopes ( do Partido dos Trabalhadores - PT do Estado de Minas Gerais - MG ), economista e um dos maiores conhecedores da proposta que tramita no Congresso Nacional ( CN ). Nesta segunda-feira ( Vinte e seis de junho de Dois mil e vinte e três, o parlamentar fez palestra em audiência na Assembleia Legislativa do Estado de SC ( ALESC ) a convite da deputada federal Ana Paula Lima ( PT - SC ) ( Vice-líder do governo da CD ) e do presidente do Sindicado dos Fiscais da Fazenda de SC ( SINDIFISCO ), José Farenzena, com as participações também do Secretário de Estado da Fazenda ( SEF ) de SC, Cleverson Siewert, e do presidente da Federação das Indústrias do Estado de SC ( FIESC ), Mario Cezar de Aguiar.


Antes, em entrevista para a coluna da jornalista Estela Benetti, do jornal Diário Catarinense ( DC ) ele explicou os principais pontos do projeto. Disse que o modelo de Imposto sobre Valor Agregado ( IVA ) proposto é dual ( um IVA federal e outro para Estados e Municípios ), a alíquota será definida a partir de base com uma alíquota-teste de Um por cento e que, pelo período para transferência da arrecadação de Cinquenta a nos anos da origem para o destino, Estados produtores não perderão receita. Saiba mais na entrevista a seguir:

O senhor veio aqui na ALESC para uma audiência pública sobre a Reforma Tributária. Qual a sua expectativa e qual a importância de se fazer um debate sobre esse assunto agora?

– Depois de Quarenta anos, na minha opinião, é que nós conseguimos as principais respostas para as principais perguntas em relação a uma reforma do Sistema Tributário. Temos as respostas, construímos democraticamente durante esses Quarenta anos uma solução para um Sistema Tributário que tem Quatrocentos e sessenta mil normas – nós não temos regras, nós temos exceções. Uma solução para a gente simplificar o Sistema Tributário brasileiro. Ou seja, é juntar uns cinco impostos em um único imposto, um imposto de valor adicionado.

O nosso modelo, hoje, é super cumulativo, ele cobra imposto do imposto, em efeito cascata. Agora, nós vamos cobrar imposto de valor adicionado em cada elo de produção, no sistema débito e crédito. Portanto, o Brasil vai ficar mais competitivo, internamente e externamente. Ou seja, nós vamos produzir produtos e serviços mais baratos para o povo brasileiro.

A nossa indústria, nosso comércio, nosso setor de serviços poderão enfrentar os importados e, o mais importante, o Brasil poderá voltar a ser um país exportador, porque hoje nós temos um déficit da balança comercial de Cento e vinte e oito bilhões de dólares. E cada um bilhão de dólares gera Trinta mil empregos diretos na economia. Nós estamos exportando empregos, no mínimo Dois vírgula cinco milhões por ano, importando produtos que prejudicam o nosso mercado interno.

Eu acredito que, com a reforma tributária e esse alinhamento político extraordinário da CD e do Senado Federal ( SF ), sob a liderança do Arthur Lira e do Rodrigo Pacheco, o alinhamento do pacto federativo. Há uma disponibilidade de todos os governadores e prefeitos, e também do setor produtivo, porque todos vão ganhar com a reforma, todos os setores, o comércio, os serviços, a gastronomia, a indústria e o agronegócio.

Eu acredito que nós temos chances objetivas de, na primeira semana de julho de Dois mil e vinte e três, votar a reforma tributária. A minha expectativa aqui, no Estado de SC, é poder conversar com todos. Estamos fazendo os últimos diálogos, revisitando o setor produtivo, revisitando o pacto federativo, para que a gente possa resolver os últimos dissensos residuais em relação à reforma tributária. 


Nós vamos, então, na prática, substituir não sei quantos mil impostos por dois?

– Na verdade, nós vamos substituir três impostos federais, o Programa de Integração Social ( PIS ), a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ( COFINS ) e o Imposto sobre Produtos Industrializados ( IPI ), pelo Imposto de Valor Adicionado ( IVA ) nacional, que a gente chama de IVA, o imposto sobre bens e serviços. É um modelo de débito e crédito, ele cobra só o valor adicionado. Hoje, se cobra o valor total em cada etapa da produção, por isso que a gente fala de cobrança de efeito cascata, da cumulatividade tributária.

E nós vamos juntar o Imposto sobre Serviços ( ISS ), que é dos municípios, e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte Interestadual e sobre Telecomunicações Interestaduais ( ICMS ), que pertence aos Estados, no chamado IBS, o IVA subnacional. Nós vamos ter um modelo que se chama IVA dual, o IVA nacional e o IVA subnacional. Na verdade, é um único imposto. E nós vamos criar um segundo imposto que é o imposto seletivo, para aqueles produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente. Hoje, esses produtos já pagam mais impostos, cigarros, bebidas, etc.

O IVA vai calcular a alíquota no primeiro ano teste, que será em Dois mil e vinte e seis. Haverá uma transição. A gente faz a reforma este ano de Dois mil e vinte e três, faz a promulgação da reforma, no ano de Dois mil e vinte e quatro faz as leis complementares e o novo IVA entra em vigor em Dois mil e vinte e seis. E aí, três anos depois, em Dois mil e vinte e nove, entra ( em vigor ) o IVA dos Estados e Municípios.

E tem essa transição, que termina em Dois mil e trinta e dois. Porque o nosso modelo, hoje, foi gerando o que a gente chama de guerra fiscal. Na verdade, quem tem culpa nisso é a União, que nunca criou um instrumento de desenvolvimento regional. Então, os governadores utilizaram um incentivo tributário para atrair empresas. E como a gente agora muda o imposto para o destino, não há mais como utilizar esse instrumento.


E o que deverá ser feito, então, para superar essa prática dos incentivos fiscais?

Nós vamos criar o que a gente chama de Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional ( FNDR ). O ministro ( da Fazenda ) Fernando Haddad e o presidente Lula já concordaram em aportar para esse fundo, anualmente, Quarenta bilhões de reais para que os governadores possam utilizar esses recursos para melhorar a infraestrutura rodoviária, ferroviária, portuária, de telecomunicações, ou mesmo até para colocar esse dinheiro para atrair empresas para os seus Estados, mas com transparência, com despesa orçamentária transparente e bem objetiva.

Isso também é um ganho da reforma. O Brasil vai passar a ter um Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional para enfrentar os contrastes regionais, porque o instrumento de incentivo fiscal acabou não sendo mais funcional. Todos os Estados utilizam o incentivo fiscal e todo mundo perdeu. Não resolveu os problemas regionais, os contrastes e sequer conseguiu diminuir o preço dos produtos.

O Brasil ficou um país mais caro porque se você somar o custo do Brasil do ponto de vista da administração tributária, do ponto de vista dos gastos tributários, do ponto de vista da judicialização, porque tudo aqui precisa ser resolvido na Justiça, o país tem um custo de Um vírgula cinco trilhão de reais ao ano. Nos países que fizeram o modelo simplificado, de um único imposto de valor agregado, você só tem Um por cento de judicialização.

O Brasil tem um Produto Interno Bruto ( PIB ) de Nove trilhões de reais na Justiça, ou está na esfera judicial ou na administrativa, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ( CARF ). Ninguém ganha com isso, do jeito que está. O dinheiro não chega aos cofres públicos, porque esse imposto é do consumidor, não é do setor produtivo. O cidadão paga, mas ( o imposto ) não chega aos cofres públicos.

Nós queremos fazer uma reforma que termine com essa judicialização. Simplificando, fazendo um sistema de base ampla. Não vamos tentar separar algo que é impossível de ser separado. O que é uma mercadoria, o que é um serviço? Esse celular que você está utilizando nesse nosso diálogo, por exemplo. Ele é uma mercadoria, ou um serviço?

Às vezes, a empresa vende como mercadoria, às vezes vende como serviço, às vezes vende como mercadoria e serviço também. Não tem mais como separar. E se tentar separar serviço de mercadoria, isso cria uma erosão na base tributária que promove uma judicialização.

Segundo, nós vamos fazer o imposto por fora, e não mais por dentro. Se eu te perguntar quanto você pagou de imposto quando comprou esse celular, você não saberá me responder. Ninguém sabe. E quem souber eu vou dar uma passagem para Paris. Nem quem produz sabe responder, por causa da cumulatividade tributária.

Ninguém sabe o que está por dentro, porque ele está recheado de resíduo tributário que deveria ter sido creditado para a etapa produtiva posterior. Então, o nosso imposto vai ser por fora, agora. Se você for comprar um celular e ele custa Mil reais, vamos supor que a alíquota seja de 25% ( essa alíquota vai ser calculada no primeiro ano-teste ), então você pagará Mil Duzentos e cinquenta reais, ou seja, Mil reais é o produto e Duzentos e cinquenta reais é imposto.

E o mais interessante é que o cidadão vai saber para onde ele está mandando esses recursos. Quantos por cento foram para a União, quantos por cento desses recursos foram para os Estados e quantos por cento dos recursos chegaram na prefeitura. Isso vai dar ao cidadão brasileiro o que eu chamo de cultura fiscal, cultura financeira e cultura plena da sua cidadania. Vai exigir que os gastos públicos, que os investimentos públicos, sejam de melhor qualidade.

O senhor pode citar um exemplo de país que tenha uma tributação simples, como o IVA – eu li que 170 países adotam esse modelo, enfim -, um país que tenha uma tributação simples e cuja economia consegue fluir bem?

– Vamos citar o último exemplo, a última reforma, a Índia, um país com Um vírgula cinco bilhão de habitantes, com Vinte e três diferentes línguas, que implementou o IVA e está crescendo Seis por cento ao ano depois da simplificação. E desse total, Dois por cento se deve à simplificação do sistema tributário. O país ganha em competitividade.

Se você cobra imposto do imposto, tudo o que você fizer vai sair mais caro. Se a cadeia produtiva for curta, no mínimo é Oito por cento mais caro. Se a cadeia for longa, porque quanto mais elo na cadeia produtiva tiver, mais imposto sobre o imposto teremos, então o produto vai ficar cada vez mais caro.

Por isso o Brasil deixou de ser um país exportador de valor agregado. O Brasil passou a ser um país de valor primário exportador de commodities. Por que o empresário brasileiro não vai agregar valor? Porque vai pagar imposto do imposto. O que acontece é que ele não consegue vender seus produtos.

O mundo é global, como é que ele vai vender um produto de valor agregado de Oito por cento a Vinte por cento mais caro que o seu concorrente? O Brasil deixou de ser um país exportador de produtos de valor agregado. E, a cada ano, nosso déficit na balança comercial, importação versus exportação de bens manufaturados, cresce assustadoramente.

O senhor acredita que a gente vai começar a virar essa chave agora, que a indústria brasileira vai poder melhorar sua competitividade, exportar mais?

Sim, e muito, porque nós vamos diminuir o custo de produção. Nós vamos ganhar eficiência produtiva, vamos ganhar competitividade nacional e internacional. Porque não é só para exportação. A indústria brasileira vende produtos mais caros para o povo brasileiro. E o mais importante, nós vamos aumentar a renda do povo. Os estudos apontam que a economia vai crescer de 12% a 20% em 10 anos, só por causa da reforma tributária

Porque o IVA começou lá fora e não adotaram aqui dentro?

– O IVA foi pensado em Mil novecentos e dezoito, há mais de Cem anos. Na Europa, foi implementado há mais de Sessenta anos. No mundo, há Cento e noventa e cinco países filiados à organização das Nações Unidas ( ONU ), e Cento e setenta e quatro países têm o IVA, têm o sistema de tributação de base ampla que não separa mercadoria de serviço, têm crédito amplo que devolve o crédito, não há cumulatividade, é o modelo de débito e crédito. Só cobra o valor adicionado em cada etapa da produção, é simples, não há burocracia, não tem obrigações acessórias.

Hoje, o empresário gasta duas mil horas para contabilizar os seus impostos que serão pagos. É um modelo totalmente simplificado, um modelo de regras bem objetivas, igual ao Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana ( IPTU ), Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores ( IPVA ) e o Imposto sobre a Renda de Qualquer Natureza ( IR ). Você já viu judicialização em algum desses três, mas o imposto sobre o consumo todo mundo manda para a Justiça.

O que temos hoje é muito ruim. Poucos pagam, e os que pagam precisam pagar muito. Nós defendemos o modelo em que todos pagam, e quando todos pagam, todos podem pagar menos, porque temos o que chamamos de incidência de base ampla. Acredito que isso vai ser muito bom para a economia brasileira. 

O senhor disse que precisa resolver ainda algumas dúvidas, algumas pendências. O que está pesando, no momento? E o que é pode vir a preocupar o povo, de modo geral, nessa reforma?

Essa reforma não é uma reforma que tem Quatrocentos e sessenta mil normas, que tem exceções para tudo. Muita gente se beneficiou desse modelo que está em vigor. É difícil você ter total consenso. Mas, no geral, nas premissas, nos parâmetros, a reforma é boa para todo mundo, não é uma reforma neutra, é uma reforma que todos vão ganhar, é uma reforma do ganha-ganha.

Porque, se o Brasil cresce, todos ganham. Todos os setores produtivos. Às vezes, o setor de serviços fala assim: “Ah, nós vamos pagar mais”. Mas o setores de serviços, no Brasil, a ampla maioria pertence ao super simples, cujo modelo de tributação está preservado.

E como ficam as empresas do Simples?

– Estão mais do que preservadas. Hoje, uma pequena empresa no SuperSimples não vende para grande empresa porque, com a diferenciação da alíquota e a chamada substituição tributária, a DIFAL ( diferencial de alíquota ), se a grande empresa comprar hoje, na regra do sistema tributário, ela vai ter um custo de Doze por cento a mais nos produtos dessa pequena empresa.

No nosso modelo, nós estamos libertando o SuperSimples. A pequena empresa vai vender, pagar a empresa e vai creditar. Se ela pagar Oito por cento, o adquirente dela, o comprador, se for uma grande empresa, vai pegar esse crédito que a pequena empresa pagou. Então, a pequena concorre com todas as outras empresas, e isso vai permitir que ela cresça.

Nós também abrimos uma exceção, uma alíquota diferenciada, para serviço na área de saúde, educação, transporte coletivo e produtos da cesta básica. Porque a alíquota não é do setor produtivo. Quem paga imposto sobre o consumo é o consumidor, a alíquota pertence ao cidadão. Portanto, se a cadeia for curta, o setor não tem o que creditar muito, a gente tem que olhar a alíquota que ele está pagando para não repassarmos para o consumidor. Nós não queremos aumento relativo dos preços, nós queremos melhorar a vida do povo. Nesse sentido, também nos preocupamos com esses setores de cadeia curta para ter uma alíquota diferenciada para não ter aumento de preço.

Então, para as empresas do Simples, continua tudo a mesma coisa, e ela ainda vai poder creditar para o adquirente. Se ela pagar Oito por cento, ela vai creditar esse percentual pago para quem comprar dela, se for grande empresa. Com uma vantagem. Ela vai poder vender para todo o Brasil. As empresas do SuperSimples se abrem para o Brasil. Estamos libertando o SuperSimples.

Existe uma preocupação aqui em SC, pelo fato de sermos um Estado produtor, de que podemos perder arrecadação no futuro. Mas tem essa transição. O senhor acha que vai ser tranquilo para todo mundo?

A transição é de Cinquenta anos. Ninguém perde, temos estudos sustentando isso. Vai ter uma agência interfederativa que vai fazer a arrecadação e a partilha dos recursos e, também, a devolução de crédito para o para o setor que tiver crédito acumulado. Nós fizemos um modelo de transição de Cinquenta anos justamente pelo seguinte: vai ter uma espécie, estamos discutindo, de seguro receita. Como a receita sai da origem e vai para o destino, você tem um seguro receita que compensa ou corrige ao nível atual de arrecadação. Então ninguém perde. Sem falar que o PIB vai crescer, e o crescimento do PIB também compensará possíveis perdas na arrecadação. Então ninguém perde, tanto que todos os Estados apoiam a reforma. Inclusive, o governador Jorginho dos Santos Mello ( do Partido Liberal - PL ) apoia a reforma tributária.

Que outra novidade o senhor destaca na proposta da reforma tributária?

Eu sou defensor de criar o cashback, a devolução dos impostos pagos. Hoje, um cidadão de menor poder econômico paga imposto igual ao cidadão mais rico do planeta. O imposto de consumo no Brasil é Cinquenta e dois por cento da arrecadação. Quem ganha dois salários mínimos gasta Cem por cento no consumo. Quem ganha mais sobra alguma coisa.

A nossa ideia é definir, por lei complementar, quem vai receber esse imposto de volta. Por exemplo, uma mãe solo, com três filhos, recebe Mil reais do Programa Bolsa Família ( PBF ), mas o governo dá com uma mão e o sistema tributário retira com a outra com o imposto sobre o consumo. Imposto escondido, por dentro.

Não definimos a alíquota, mas digamos que seja Dez por cento a alíquota padrão, só para ficar mais objetivo. Como não vai mais ser por dentro, e sim por fora, ela vai saber que está pagando Cem reais de imposto. E por lei complementar a gente vai definir quem é elegível para receber esse cashback: mães do PBF, pessoas que não declaram IR, pessoas que recebem até um salário mínimo. E podemos devolver no pix, no cartão do PBF, em dinheiro na conta bancária.

O Brasil é um país moderno. Os ricos, as pessoas de maior renda, já têm cashback, no IR, nos descontos com educação e saúde. Quando vão ao shopping comprar produtos, têm cashback também. Então, porque não pode haver cashback para alimentação para as mães e as pessoas de menor poder econômico.

Tudo tem custo, dinheiro não cai do céu, nem brota da terra. Então você tem que definir, respeitando as regras fiscais, a trajetória da dívida, o nível de arrecadação. Define o público e vê o percentual. Mas o cashback é muito importante por causa da cultura fiscal, da cultura cidadã.

O cidadão mais simples, como ele não paga o imposto direto, não paga no salário, no contracheque dele, ou não paga imposto de patrimônio, ele acha que não é pagador de imposto. Mas quem mais paga imposto no Brasil são as pessoas que não declaram IR. É o consumidor que gasta Cem por cento do seu dinheiro no dia a dia. Em tudo que ele compra tem imposto embutido.

Esse cidadão vai ter certeza que ele é pagador de imposto e, mais do que isso, ele vai receber de volta. Isso vai dar para ele uma cidadania plena, para exigir políticas públicas de qualidade, melhor eficiência na creche, na escola de tempo integral, educação de qualidade, saúde pública de qualidade, transporte de qualidade, infraestrutura, segurança pública, ele vai exigir a eficiência do Estado.

Ele vai ter a certeza de que ele é pagador de imposto. E mais, você cria uma consciência, porque o Brasil precisa ainda deslocar parte do seu imposto, que é regressivo no consumo, que é indireto, que hoje é por dentro, vai ser por fora, para a renda e patrimônio. Isso vai criar uma cultura fiscal nova para o brasileiro.

Essa proposta de alíquota de 25% do IVA já está definida?

Não está definida ainda. No ano de Dois mil e vinte seis, você pega e aplica Um por cento do IVA nacional e você chega à capacidade arrecadatória desse novo imposto. E aí, qual é o princípio? Neutralidade na carga tributária. Você pega o que que você arrecada hoje de ICMS, o que você arrecada hoje de ISS, o que você arrecada dos três impostos federais e faz a alíquota para manter o mesmo nível de arrecadação. Portanto, não teremos aumento de carga tributária. O compromisso é manter o nível de arrecadação e simplificar todo o sistema.


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