terça-feira, 22 de outubro de 2019

Sociedade de organizações: a administração como um órgão consultivo

O segredo mais bem guardado da administração de empresas é que a primeira aplicação sistemática da teoria da administração e de seus princípios não aconteceu em um empreendimento empresarial ( business enterprise ). Ocorreu no setor público. A primeira aplicação sistemática e deliberada dos princípios da administração nos Estados Unidos da América ( EUA ) - implementada com inteira consciência de que se tratava de uma aplicação da administração - foi a reorganização do Exército dos EUA, encabeçada por Lihu Root, secreta´rio de Guerra do Presidente Teddy Roosevelt. Apenas alguns anos mais tarde, em mil novecentos e oito,apareceu o primeiro gerente da cidade ( em Staunton, Virgínia ), como resultado da aplicação consciente de princípios de administração, então uma novidade, como a separação do que eram políticas ( tratadas no âmbito político entre aqueles que foram eleitos para a Câmara dos Deputados ) do que era administração ( tratada de forma profissional e não política, com responsabilização gerencial ). Aliás, o gerente da cidade era o primeiro executivo a ser chamado deste modo em qualquer lugar: gerente era um termo desconhecido mesmo nas palavras. Frederick W. Taylor.

Taylor é considerado o pai da administração, um polêmico engenheiro mudou a face do mundo dos negócios ao elaborar diversos estudos que tinham por objetivo ajudar as empresas a encontrar eficiências nos movimentos dos trabalhadores, economizando tempo nas linhas de produção das fábricas. Henry Ford, por exemplo, foi um dos que colocaram suas teorias em práticas.

Taylor, por exemplo, seu eu famoso testemunho diante do Congresso americano, em mil novecentos e onze, jamais usou o termo, mas falou em proprietários e seus ajudantes. E, quando perguntaram a Taylor o nome uma organização que efetivamente praticasse "administração científica", ele não mencionou uma empresa, e sim a Mayo Clinic. Esta instituição médica sem fins lucrativos, com vários espalhados pelos EUA, especializada em doenças de difícil tratamento por seus métodos inovadores e eficazes.

Trinta anos mais tarde, o gerente de cidade Luther Gulick aplicou os princípios da administração à organização de um governo federal que havia crescido ficado fora de controle nos anos do New Deal. Somente em mil mil novecentos e cinquenta e mil novecentos e cinquenta e um, isto é, mais de dez anos depois, conceitos e princípios semelhantes foram sistematicamente aplicados em um empreendimento empresarial de forma semelhante: a reorganização da General Eletric Company ( GE ) após a empresa ter crescido além de sua estrutura organizacional anterior, que era puramente funcional.

Hoje, certamente, a administração é usada com intensidade tanto nas empresas quanto na administração pública - talvez mais nesta última. Dentre as nossas instituições, talvez a que tenha mais consciência dos princípios da administração sejam as Forças Armadas, seguidas de perto pelos hospitais. Há setenta anos, os então novos consultores de administração consideravam clientes potenciais apenas as empresas. Hoje, metade dos clientes de uma típica consultoria de administração são órgãos públicos: instituições de governo, forças Armadas, escolas e universidades, hospitais, museus, associações profissionais e instituições comunitárias, como os Escoteiros ou a Cruz Vermelha.

E, cada vez mais, os que têm uma formação avançada em Administração de Negócios, os MBAs, são os candidatos preferenciais para carreiras em administração de cidades, museus de arte e na Secretaria de Orçamento e Finanças ( SOF ) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão ( MPOG ), que depois da última reforma administrativa ficou dentro da estrutura do Ministério da Economia ( ME ), do governo federal no Brasil, por exemplo.

No entanto, a maioria das pessoas ainda entende ter ouvido o termo administração de negócios quando, na verdade, ouve ou lê a palavra administração. Livros de administração geralmente vendem mais que todos os outros livros de não ficção nas listas de best-sellers; no entanto, as críticas são normalmente publicadas na seção de negócios. Uma após as outras, as escolas de graduação em negócios ( graduate business schools ) mudam seu nome para escola de administração de negócios ( Master of Musiness Administratios ), ou MBA. Livros de administração, sejam livros-texto para uso em aula na universidade ou destinados ao leitor em geral, tratam principalmente de negócios, com exemplos e estudos de caso.

Mas existe uma explicação simples para o fato de haver um entendimento do termo administração de negócios quando o escrito ou falado é administração. O empreendimento empresarial não foi a primeira instituição a ser administração a ser administrada. Tanto a universidade moderna quanto o exército moderno se anteciparam ao moderno empreendimento empresarial em cerca de meio século. Ambos surgiram logo depois das Guerras Napoleônicas. Com efeito, o primeiro, o primeiro CEO de uma instituição moderna foi o chefe de gabinete do Exército prussiano pós-napoleônico, um cargo desenvolvido entre mil oitocentos e vinte e mil oitocentos e quarenta. Tanto em espírito quanto em estrutura, a nova universidade e o novo exército representaram uma forte quebra de paradigma em relação a seus antecessores. Mas as duas instituições esconderam isto - de forma deliberada - usando as mesmas denominações, mantendo os ritos e cerimônias e, especialmente, preservando a posição social da instituição e de seus líderes.

No entanto, ninguém poderia ter confundido o novo empreendimento empresarial, quando surgiu no terceiro quarto do século dezenove, com uma continuação da velha e tradicional empresa de negócio - o escritório de registros, consistindo de dois irmãos já idosos e um atendente, que aparecem de forma proeminente nos livros de Charles Dickens, publicados nos anos mil oitocentos e cinquenta e mil oitocentos e sessenta, e em várias outras obras literárias do século dezenove, incluindo Buddenbrooks, de Thomas Mann, publicado em mil novecentos e seis.

Para início de conversa, o novo empreendimento empresarial - as ferrovias de longa distância, da forma como se desenvolveram nos EUA após a Guerra Civil, o Banco Universal, da forma como foi criado na Europa, ou nos trustes, como a U.S.Steel, criada por J.P.Morgan nos EUA no começo do século vinte - não era tocado pelos proprietários. Na verdade, não havia proprietários; estes empreendimentos tinham apenas acionistas. Legalmente, a nova universidade ou o novo exército eram as mesmas instituições que sempre haviam sido, desde o começo dos tempos. Mudaram apenas boa parte de seu caráter e de sua função. Mas, para acomodar o novo empreendimento empresarial, uma persona legal nova e diferente deveria ser inventada: a corporação. Um termo bem mais preciso é o francês Société Anonyme, o coletivo anônimo, do qual ninguém é dono, ou seja, uma sociedade aberta aos investimentos de qualquer pessoa. A propriedade compartilhada é, por necessidade, separada do controle e da gestão e facilmente divorciada de ambos. E, na nova corporação, o capital é fornecido por um número grande, geralmente bem grande, de outsiders, cada qual com direito a uma minúscula fração do todo e com nenhum tendo necessariamente interesse ou qualquer responsabilidade - uma novidade total - na condução da empresa.

Esta nova corporação, esta nova Société Anonyme, esta nova Aktiengesellschaft, não poderia ser explicada bienalmente uma reforma, que era como a nova universidade, o novo exército e o novo hospital se apresentavam. Isto era, claramente, uma genuína inovação. E esta inovação logo começou a gerar novos empregos - em primeiro lugar, para o proletariado urbano, que estava em acelerado crescimento, mas logo também para as pessoas com formação educacional - e rapidamente passou a dominar a economia. Aquilo que, nas instituições antigas, poderia ser explicado como diferentes procedimentos, regras ou regulações nas novas instituições logo se tornou uma nova função: administração, um novo tipo de trabalho. Então, isto passou a demandar a elaboração de estudos, exigiu atenção e gerou controvérsia.

Contudo, ainda mais extraordinário e sem precedentes foi o posicionamento desta novidade na sociedade. Foi a primeira nova instituição autônoma na sociedade. Foi a primeira instituição autônoma em centenas de anos, a primeira a criar um poder central que estava dentro da sociedade, embora fosse independente do governo central que estava dentro da sociedade, embora fosse independente do governo central do Estado Nacional. Isto foi uma ofensa, uma violação de tudo o que no século dezenove era considerado ( e que os cientistas políticos do século dezenove ainda consideram ) lei da história e, francamente, um escândalo.

Por volta de mil oitocentos e sessenta, um dos principais cientistas sociais à época, o inglês Sir Henry Maine, em seu livro Ancient Law, cunhou a expressão do status ao contrato para se referir ao progresso da história. Poucas frases se tornaram tão populares e tão largamente aceitas quanto esta.

Apesar disto, na mesma época em que Maine proclamou que a lei da história exige a eliminação de todos os centros de poder autônomos da sociedade, o empreendimento empresarial surgiu. E, desde o começo, era, claramente, um centro de poder dentro da sociedade e nitidamente autônomo.

Para muitos contemporâneos, isto era, compreensivelmente, um evento totalmente não natural e que anunciava uma monstruosa conspiração. O primeiro grande historiador social que os EUA produziram, Henry Adams, tinha, sem dúvida, esta visão. Seu importante livro, Democracy, escrito durante o mandato do Presidente Grant, retrata o novo poder econômico como intrinsecamente corrupto e que, por sua vez, corrompe também o processo político, o governo  a sociedade. O irmão de Henry, Brooks Adams, algumas décadas mais tarde, se aprofundou no tema em um dos livros políticos mais populares já publicado nos EUA, The degeneration of the democratic dogma.

Da mesma forma, o economista John R. Commons - o cérebro por trás do movimento progressivo de Wisconsin, seu estado natal, pai da maioria das reformas que, mais tarde, se tornaram as inovações políticas e sociais do New Deal, e, por fim, mais não menos importante, normalmente considerado o pai do sindicalismo das empresas nos EUA - também bateu basicamente na mesma tecla. Ele dizia que a culpa pelo empreendimento empresarial era de uma conspiração protagonizada pelos advogados, o que levava a uma interpretação equivocada da décima-quarta emenda da Constituição, segundo a qual era outorgada à corporação a mesma personalidade legal de um indivíduo.

Do outro lado do Atlântico, na Alemanha, Walter Rathenau - ele próprio o bem-sucedido executivo principal de uma das novas corporações gigantes ( e que, mais tarde, se tornou uma das primeiras vítimas do terror nazista, tendo sido assassinado em mil novecentos e vinte e dois, quando era ministro das Relações Exteriores da Nova República de Weimar ) - igualmente acreditava que o empreendimento empresarial era algo radicalmente novo, incompatível com as teorias políticas e sociais prevalentes e, com toda certeza, um grave problema social.

No Japão, Shibusawa Eiichi, que havia abandonado uma promissora carreira no governo, nos anos mil oitocentos e setenta, para construir um país moderno por meio da fundação de empresas, também enxergava no empreendimento empresarial algo inteiramente novo e particularmente desafiador. Ele tentou abandá-lo com uma infusão em ética confuciana ( * vide nota de rodapé ). As grandes empresas japonesas, ao se desenvolverem após a Segunda Guerra Mundial, o fizeram segundo a visão de Shibusawa.

Em todas as partes do mundo, o novo empreendimento empresarial foi igualmente entendido como uma inovação radical e perigosa. Na Áustria, por exemplo, Karl Lueger, o pai-fundador dos partidos cristãos, até hoje dominam a política do continente europeu, foi eleito prefeito lorde de Viena, em mil oitocentos e noventa e sete, com uma plataforma política que defendia o honesto e honrado pequeno empreendedor - o dono de loja e o artesão - contra a diabólica e ilegítima corporação. Alguns anos mais tarde, um obscuro jornalista italiano, Benito Mussolini, ascendeu no cenário político nacional denunciando a corporação desalmada.

E assim, com muita naturalidade, talvez até inevitavelmente, a preocupação nos primórdios dos grandes empreendimentos empresariais da década de mil oitocentos e setenta, está claro que a administração diz respeito a todas as instituições sociais. Nos últimos cento e quarenta anos, cada importante função social se incrustou nas grandes organizações administradas. O hospital de mil oitocentos e setenta ainda era o lugar para onde os pobres iam para morrer. Já em mil novecentos e cinquenta, o hospital se transformara em uma das organizações mais complexas, exigindo uma administração de extraordinária competência. Os sindicatos em países desenvolvidos são administrados, hoje, por uma equipe de gerentes, e não pelos políticos que aparecem nominalmente em sua direção. Mesmo a grande universidade do ano mil e novecentos ( e as maiores, naquela época, tinham apenas cinco mil alunos ) ainda era relativamente simples, com um corpo docente de, no máximo, algumas centenas de indivíduos, com cada professor dando aulas dentro de sua especialidade. Hoje, elas se tornaram altamente complexas - com alunos de graduação pós-graduação e doutorado - , com institutos de pesquisa e bolsas oferecidas pelo governo e pela indústria e, cada vez mais, com uma superestrutura administrativa. E, nas modernas Forças Armadas, a questão básica é até onde a administração é necessária e até que ponto isto interfere na liderança - sendo que a administração está aparentemente vencendo este confronto.

A identificação da administração como se fosse a empresa, portanto, não pode mais se sustentar. Embora os livros-texto e estudos ainda mantenham um pesado foco naquilo que se passa nas empresas - e, tipicamente, as revistas cujo título têm a palavra management ( administração ), por exemplo, a Management Today, britânica, ou a alemã Management Magazin, tratam principalmente, se não exclusivamente, do que acontece nos empreendimentos empresariais - , a administração se tornou um órgão universal que permeia toda a sociedade moderna.

Isto porque a sociedade moderna se tornou uma sociedade de organizações. Os indivíduos que se enquadram no que os teóricos políticos e sociais ainda consideram a norma se tornaram uma pequena minoria: aqueles que vivem em sociedade diretamente e por conta própria, sem qualquer intervenção intermediária à qual estejam filiados. A maioria das pessoas em países desenvolvidos é de empregados de uma organização. São indivíduos que extraem seu meio de vida da receita coletiva de uma organização. São indivíduos que extraem seu meio de vida da receita coletiva de uma organização; enxergam oportunidades de carreira e de sucesso principalmente dentro de uma organização; e definem seu status social, em grande parte, a partir da hierarquia de uma organização. Cada vez mais, especialmente nos EUA, a única maneira pela qual um indivíduo poderá ganhar o suficiente para adquirir uma pequena propriedade é por meio de um fundo de pensão, isto é, sendo membro de uma organização.

E cada uma destas organizações, por sua vez, para funcionar, depende de uma administração. A administração é o que faz com que uma organização não seja uma turba. É um órgão eficaz, integrador e que dá vida à organização.

Em uma sociedade de organizações, administrar se torna uma função social-chave, e a administração, o órgão consultivo, determinante e diferencial da sociedade. Outras informações podem ser obtidas no livro As fronteiras da administração, de autoria de Peter F. Drucker.

* P.S.:

Nota de rodapé:

A filosofia de Confúcio é melhor detalhada em

https://administradores.com.br/artigos/%C3%A9tica-a-interdepend%C3%AAncia-a-sinceridade-e-conf%C3%BAcio .

Mais em:

https://administradores.com.br/artigos/sociedade-de-organiza%C3%A7%C3%B5es-a-administra%C3%A7%C3%A3o-como-um-%C3%B3rg%C3%A3o-consultivo e

https://smartplacecoworking.com.br/blog/2019/11/08/sociedade-de-organizacoes-a-administracao-como-um-orgao-consultivo/ .

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Emprego: prefeitura admite em caráter temporário em SC

Começaram nesta quarta-feira ( dezesseis de outubro de dois mil e dezenove ) as inscrições do processo seletivo para contratação de servidores em caráter temporário. De acordo com o edital, o prazo para participar da seleção encerra em quatro de novembro e a prova objetiva será aplicada no dia dezessete de novembro.

O maior salário é para o cargo de médico clínico geral com atuação nas unidades de saúde da família, que receberá cinco mil setecentos e vinte e três e reais e oitenta e três centavos para a jornada de quarenta horas por semana. Há vagas para médicos de várias especialidades e para outros profissionais da área da saúde, como enfermeiro, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo e terapeuta ocupacional.

Também há vagas que não exigem ensino superior como motorista, servente de serviços gerais, agente de zeladoria e cozinheiro. Os detalhes da seleção e dos salários podem ser consultados no edital que está disponível no site da Furb — responsável pela execução do processo seletivo.

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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Produtividade: determinando a capacidade de pagamento e o nível de salários

É certo que as instituições de ensino de administração dos Estados Unidos da América ( EUA ) melhorarão radicalmente no curto prazo.

Com rapidez elas melhorarão, contudo, isto ainda não é sabido, embora possa acontecer mais rápido do que qualquer um espere ( se é que não já está acontecendo ). Tampouco está claro como estas mudanças ocorrerão, mas as recompensas econômicas para o conhecimento e a capacitação em administração, depois de noventa anos de persistente declínio, estão em forte ascensão - assim como as penalidades por sua inexistência.

É uma crença universal de que, durante o século vinte, aumentaram as exigências de um emprego como administrador. No entanto, isto se sustenta como verdade apenas em relação a uma minoria deles e, em geral, apenas para os empregos de administrador que sempre tiveram como pré-requisito alto grau de conhecimento em administração, como o também ocorre com os de físico ou engenheiro. Para muitos outros postos de trabalho na administração, a formação educacional em administração dos candidatos geralmente é mais desenvolvida, sem que isto implique uma mudança real do conhecimento ou capacitação exigidas. Onde antes se exigia um diploma do ensino médio ou técnico em administração, por exemplo, hoje se exige formação universitária em administração, embora o posto de trabalho, em si, não tenha passado por qualquer alteração. Mas, para o grupo mais numeroso e aquele que é, de longe, o mais bem avaliado do século vinte - o de mão de obra de baixa qualificação na indústria manufatureira - , nem o conhecimento nem as exigências educacionais se tornaram mais rigorosos. E, enquanto neste grupo as recompensas econômicas pela aquisição de conhecimento ou capacitações eram extremamente altas há noventa anos, hoje diminuíram a ponto de quase desaparecerem.

Há mais de cem anos, um trabalhador industrial precisava de três anos de trabalho continuado para ganhar setecentos e cinquenta dólares, que era o preço original daquele milagre o baixo custo - o Ford Modelo T. E estes duzentos e cinquenta dólares anuais em dinheiro era tudo que um trabalhador deste tipo ganhava naquele tempo - e isto somente na improvável hipótese de estar trabalhando dez horas por dia, seis dias por semana e cinquenta semanas por ano. Não havia benefícios, como previdência social, aposentadoria, seguro de vida em grupo, assistência médica, seguro-saúde, fundo de garantia por tempo de serviço ( FGTS ), nem, é claro, pagamento de horas-extraordinárias por trabalho além do horário do expediente ou aos domingos.

O descendente direto deste trabalhador manual do passado é o operário sindicalizado das indústrias de produção em massa - aço, automóveis, máquinas elétricas, borracha, químicos - , que custa, no mínimo, cinquenta mil dólares por ano ( metade disto em benefícios ), ou o equivalente a noive vezes o preço de um automóvel de baixo custo novo ( em números de mil novecentos e oitenta e três, é claro, desatualizados ). E isto ainda não reflete inteiramente o ganho real de renda, tendo em vista que o operário de hoje, com cinco dias por semana de oito horas de trabalho, tem uma jornada anual trinta por cento menos que sues antecessores, há mais de cem anos. O valor de sua hora trabalhada, comparada aos preços dos automóveis, teve aumento de quarenta a cinquenta vezes. E, embora o custo médio de mão de obra para trabalho de baixa especialização na indústria manufatureira esteja bem abaixo do custo em indústrias de produção em massa, de grande porte e sindicalizadas - quinze dólares por hora, contra vinte e cinco dólares a hora na U.S. Steel - , mesmo assim representa uma renda anual real de trinta mil dólares, ou cinco automóveis novos, ou um aumento de vinte vezes em relação a mais de cem anos atrás ( em valores de mil novecentos e oitenta e três, é claro, desatualizados ).

Esta mudança fundamental na posição econômica do operário de baixa qualificação em países desenvolvidos é o evento social central do século vinte. Jamais houve algo remotamente semelhante na história social. Em grande parte, isto reflete, é claro, o disparado crescimento da produtividade no século vinte. Contudo, embora geralmente denominado aumento na produtividade do trabalho, isto foi conseguido inteiramente mediante o maior investimento de capital, melhores máquinas e ferramentas e, acima de tudo, melhor administração.

Diferentemente de tudo aquilo que Marx considerava científico e absolutamente certo, o trabalho, e especialmente, a mão de obra menos culta e qualificada ( o proletariado, segundo Marx ) receberam todos os frutos do aumento da produtividade e, talvez, um pouco mais. Embora a principal obra de Marx, O Capital, tenha ficado inacabada com sua morte. Suas obras acabadas mais conhecidas são manifestos contratados por trabalhadores e empresários enquanto ele não encontrava um patrocinador para seu livro de economia que ficou inacabado.

Este foi, certamente, um dos feitos mais meritórios da humanidade. O operário de hoje não trabalha mais e por mais tempo do que o de mil novecentos e sete; ele trabalha menos horas e, graças a Deus ( deus de Marx, que era judeu ), com apenas uma fração de tarefas pesadas braçais e dos acidentes de antigamente. Acima de tudo, seu trabalho não demanda conhecimentos ou capacitações adicionais. Na verdade, é puro eufemismo chamá-lo de trabalhador de menor qualificação - nada que se aprenda em apenas três semanas, como ocorre com a maior parte das tarefas de uma linha de produção, pode ser considerada uma necessidade de capacitação. Levava muito mais tempo para que alguém se tornasse um bom cavador de buracos usando pá e picareta.

Entretanto, na maioria das outras ocupações da economia dos EUA, a renda real aumentou com muito mais rapidez. Na verdade, quanto mais capacitações ou conhecimento um posto de trabalho necessite, menos sua renda real aumentou. No começo do século, vendedores de lojas de varejo ganhavam mais ou menos o mesmo que os operários - talvez um pouco mais. Hoje, ganham, em média, entre um terço e metade. Médicos e advogados tinham uma renda real pelo menos cinco vezes maior que a dos operários. O total de seu pacote de remuneração hoje é, em média, menos do dobro do que ganham os operários. Hoje, mesmo fazendo o ajuste pelo menor número de horas trabalhadas, férias mais longas e planos de pensão, os docentes ganham bem menos que um operário sindicalizado.

A maior compreensão das diferenças de renda foi na indústria manufatureira. O diferencial entre pessoas qualificadas ( maquinistas e eletricistas, por exemplo ) e de menor qualificação caiu para cerca de vinte e cinco por cento. Há mais de cem anos, os trabalhadores qualificados ganhavam três vezes mais. Um dos primeiros anúncios da Ford alegava que o Modelo T custava não mais que um bom artesão ganhava em um ano. As pessoas com curso universitário em mil novecentos e dez começavam ganhando vinte dólares por semana, ou três vezes o que ganhava um operário. Hoje, seu salário inicial é menor que o de um operário. Até mesmo os queridinhos da indústria, os detentores de MBAs de prestigiosas escolas de negócio, geralmente precisam trabalhar, no mínimo, cinco anos até que seu pacote de remuneração ultrapasse aquele de um operário sem qualificação que tenha conseguido sobreviver ao período de experiência de trinta dias.

Não é preciso ser um fiel igualitário para se considerar a maior parte destes novos fatos benéficos. Contudo, o subproduto - nem intencional nem previsto - tem sido a consistente desvalorização do conhecimento e das capacitações, com uma regular deterioração dos incentivos para manter a capacidade de desempenho das instituições de ensino.

Há mais de cem anos, a escola era, de modo disparado, o único meio adequado para se escapar da pobreza e da insegurança total. Além disto, era o único meio de se conseguir certa afluência, respeito próprio e respeito da comunidade. O conhecimento e as capacitações não significavam, é claro, garantia de sucesso, mas, sem estas duas coisas, o fracasso era praticamente certo. Assim, havia uma enorme pressão da comunidade nas instituições de ensino para que mantivessem os padrões e que exigissem alto desempenho. São muito comentadas as demandas que os imigrantes judeus destituídos fizeram junto às instituições de ensino de Nova Iorque no primeiro quarto do século vinte. O que raramente se percebe é que foram estas demandas que transformaram aquilo que, em mil oitocentos e noventa ou mil e novecentos, era um sistema de ensino medíocre, ou mesmo inferior, na panela de pressão educacional descrita tão vividamente nas memórias dos escritores judeus nova-iorquinos.

A comunidade rural do Iowa ou os imigrantes suecos de Minnesota colocaram a mesma pressão em suas escolas - e pela mesma razão. "Apenas nos avise se tiver qualquer problema com algum bagunceiro ou qualquer aluno que não queira aprender. Nós cuidaremos dele.". Este foi o recado da comunidade de idosos, passado para a jovem professora que acabara de chegar a uma escola de uma única sala de aula, de uma cidade rural da Nova Inglaterra. E os idosos não estavam brincando.

Empregos que requerem conhecimento e habilidades - ou pelo menos as respectivas credenciais - ainda têm prestígio social muito maior, é claro. E muitas outras forças, além da econômica, exercem influência na escola. Desde a Segunda Guerra Mundial, o conhecimento e as capacitações deixaram de ser os únicos salva-vidas econômicos. Um professor universitário ainda acredita que é uma desgraça um filho seu abandonar os estudos para ir trabalhar em uma linha de produção. Mas o filho consegue levar uma vida tão confortável quanto a de seu pai. E o que o operário vê é que seu filho mais velho, que trabalha como operador de máquina em uma fábrica de vidro, ganha tanto quanto seu filho mais novo, que acabou de se formar na universidade estadual, e que chegou a este patamar salarial muito mais rápido. Não surpreende que este trabalhador passe a querer uma escola atencisa, em vez de uma exigente.

Mas agora este estado de coisas acabou. E teria acabado mesmo que a recuperação da economia chegasse a restaurar os empregos de chão de fábrica, com todos os benefícios e pacote remunerativo completo. A mudança para o trabalho qualificado como área de crescimento da economia e o movimento de larga escala para novas tecnologias significam, acima de tudo, que a produtividade será, cada vez mais, determinada pelo conhecimento e as capacitações que os trabalhadores puderem incorporar às suas tarefas. E, ao final, a produtividade sempre determinará a capacidade de pagamento e o nível de salários reais.

Esta é a razão pela qual é possível dizer, com segurança, que as instituições de ensino americanas irão melhorar - e rápido. Outras informações podem ser obtidas no livro As fronteiras da administração, de autoria de Peter F. Drucker.

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https://administradores.com.br/artigos/produtividade-determinando-a-capacidade-de-pagamento-e-o-n%C3%ADvel-de-sal%C3%A1rios . 

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Marketing: o planejamento da criação de postos de trabalho

Está se tornando chique renomear o departamento de pessoal de departamento de recursos humanos. Mas muito poucos empregados e, na verdade, muito poucos gerentes humanos se dão conta de que é preciso muito mais que um departamento de pessoal melhor. Esta-se diante de um crescente desajuste entre empregos e disponibilidade de mão de obra.

Ambos estão mudando, mas em direções diferentes - muitas vezes, opostas. Em consequência, é cada vez mais comum que as oportunidades de emprego não se ajustem às pessoas que procuram trabalho. Por outro lado, as qualificações, expectativas e os valores das pessoas que procuram emprego estão mudando ao ponto em que não mais se ajustam às vagas disponíveis. Isto se aplica ao emprego em que a maioria das pessoas pensa quando fala de trabalho: o de operário de fábrica. Mesmo não considerando as manufaturas que foram transferidas para fora dos Estados Unidos da América ( EUA ), o desemprego de operários de fábrica ainda é alto o suficiente para manter os salários em um patamar baixo. No entanto, é cada vez mais difícil preencher os empregos de operário mais desejáveis e que pagam os melhores salários. Aquilo que se chamava de mão de obra qualificada agora, cada vez amais, demanda um tecnólogo, isto é, alguém que tenha um mínimo de conhecimento teórico em, por exemplo, instalação de sistema de informação ou em programação de robôs e equipamentos automatizados de linha de montagem. É neste tipo de trabalho que surgem e crescem rapidamente as melhores oportunidades de emprego nas indústrias manufatureiras. Contudo, nem é sabido ainda se antigos operários poderão ser preservados em grande número para estes empregos. Na área hospitalar - o grande e importante setor que necessitou preencher este tipo de trabalho no passado promovendo mão de obra não qualificada - , isto não funcionou. Os paramédicos representam um grupo com formação, treinamento, expectativas e qualificações diferentes. E o tecnólogo na fábrica precisa de maior capacidade para adquirir conhecimentos adicionais - e, portanto, uma base teórica mais sólida - do que os paramédicos, com suas especializações pouco diferentes. e o tecnólogo na fábrica precisa de maior capacidade para adquirir conhecimentos adicionais - e, portanto, uma base teórica mais sólida - do que os paramédicos, com suas especializações pouco abrangentes.

Mudanças na descrição dos empregos e em seu conteúdo também estão gerando desajuste no corpo gerencial. A tecnologia é um fator. Sabe-se como treinar pessoas para trabalhar com tecnologia, como na engenharia ou na área química, mas não é sabido como promover a alfabetização tecnológica dos gerentes, isto é, como fazê-los entender a tecnologia e sua dinâmica, as oportunidades que ela oferece, além de seus impactos em produtos, processos, mercados, estruturas organizacionais e pessoas. Entretanto, a alfabetização tecnológica é, cada vez mais, uma das principais qualificações exigidas de um gerente, especialmente dos gerentes intermediários e de linha de frente.

Mas não são apenas os empregos individuais que estão mudando. As estruturas organizacionais mudaram na mesma proporção. Novamente, a tecnologia se tornou um fator. À medida que mais informações vão se tornando disponíveis, é necessário haver menos níveis gerenciais e mais especialistas de todos os tipos. Mudanças do ambiente econômico e social estão empurrando as empresas na mesma direção. Há cinquenta anos, especialistas de alto nível estavam, como um todo, confinados nas atividades de pesquisa e processamento de dados. Hoje, mesmo uma empresa de porte médio pode muito bem ter um especialista em meio ambiente, um tesoureiro adjunto que não faz nada a não ser gerenciar o fluxo de caixa e a liquidez, além de tentar proteger a empresa contra perdas nas taxas de câmbio, e outro ainda que toma conta de custosos programas de benefícios.

Os trainees de Administração nos EUA, contudo, não estão preparados para carreiras como especialistas. Suas aspirações e expectativas apontam em direção a cargos gerenciais. E, no mundo dos negócios, os valores, oportunidades de carreira e recompensas ainda pressupões uma estrutura organizacional em que é o compromisso do gerente, e não do profissional, que gera reconhecimento, avanço e recompensa. Certamente, há sessenta anos, algumas poucas empresas, notadamente a General Eletric ( GE ), foram pioneiras em desenvolver escadas paralelas de reconhecimento e de promoção para gerentes e contribuintes profissionais individuais. Contudo, a não ser em trabalhos estritamente científicos, isto, por enquanto, não funcionou a contento.

Os tesoureiros adjuntos, que lidam com as operações que envolvem moeda estrangeira ou com o plano de previdência das empresa, geralmente são deslocados deste trabalho especializado por meio de uma promoção para o cargo de gerente-geral. No entanto, há cada dia menos oportunidades de promoção para uma gerência-geral.

Entre os empregados administrativos, forças semelhantes resultam nos mesmos efeitos. O correio eletrônico, por exemplo, torna obsoleta a maior parte das capacitações de uma secretária tradicional. Assim, é provável que ela perceba que o que a empresa espera dela como profissional é que passe a definir, dentre as tarefas que realiza para seu chefe, quais serão aquelas pelas quais assumirá responsabilidade direta. E mesmo a secretária que enxergue nisto uma proporção dificilmente estará preparada para a mudança.

Mudanças de estrutura na população e em faixa etária poderão ter impacto ainda maior - pelo menos, mais visível - no desajuste entre empregos e mão de obra disponível. A participação de mulheres casadas e abaixo dos cinquenta anos de idade na força de trabalho hoje é tão alta quanto a dos homens. Assim, é improvável que este número aumente. Mas um grande contingente de mulheres da força de trabalho - em sua maior parte, constituído por aquelas que entraram desde mil novecentos e setenta, quando começou o grande afluxo feminino - agora já tem em torno quarenta e cinco anos. Elas estão chegando a uma idade em que devem decidir se terão um segundo filho. E a maioria, talvez com exceção de uma minúscula proporção de executivas, deseja ter tanto uma carreira quanto uma família.

A maior parte das mulheres casadas permanece na força de trabalho depois do primeiro filho. Poucas, ao que parece, param de trabalhar, mesmo depois do segundo filho. Mas uma grande parte passa a trabalhar em meio expediente, pelo menos até que o segundo filho termine o ensino básico. Alguns empregadores se prepararam para isto e criaram empregos permanentes de meia jornada para serem preenchidos por mulheres, mas a maioria nada fez. E mesmo aquelas que oferecem oportunidades de emprego de meia jornada, em regra, ainda não estudaram a fundo o que estes empregados exigem em termos de benefícios, oportunidades, aposentadoria e assim por diante. Da mesma forma que os direitos das mulheres foram a grande causa dos anos setenta, os direitos das empregadas de meia jornada poderão se tornar a causa do que ocorreu nos anos oitenta  e noventa.

Outro importante elemento é o fato de os baby boomers estarem chegando à meia-idade. Muitas empresas estão acelerando a aposentadoria antecipada para aqueles que já passaram dos cinquenta anos de idade para abrir espaço para este grande contingente de baby boomers - os mais velhos já têm quase setenta anos de idade - que exige ser promovido para posições-chave. Porém, os mais velhos da geração pós-baby boomers já estão chegando aos cinquenta e cinco anos de idade e já vivem a primeira experiência como gerentes. E esperam ter as mesmas oportunidades e escalar a hierarquia da empresa com a mesma rapidez de seus antecessores imediatos. Contudo, esta expectativa está fora da realidade.

Quando os baby boomers estraram na força de trabalho, havia um vácuo nas posições gerenciais, mas agora a próxima geração descobrirá que as linhas de acesso estão congestionadas. Os baby boomers, em sua maioria, j a chegaram tão longe quanto poderão chegar em termos gerenciais e permanecerão em seus postos atuais por mais alguns anos. Existe, portanto, um desajuste completo entre a realidade e as expectativas perfeitamente normais dos jovens que entram agora na força de trabalho. Para preencher esta lacuna, será preciso não apenas mudar as expectativas como também redesenhar as funções gerenciais e profissionais, de forma que mesmo os mais capazes se sintam desafiados pelas exigências do cargo, mesmo depois de cinco anos ou mais no posto. Em outras palavras, cada vez mais, haverá de se dar responsabilidade aos empregados novos. E, acima de tudo, há de se encontrar outras maneiras de reconhecer e recompensar estas pessoas, sem, necessariamente, ter de promovê-las - mais dinheiro, bônus, férias adicionais, talvez reconhecimento de presidente e assim por diante. Neste ínterim, contudo, envelheceu toda uma geração para quem uma promoção era a única verdadeira satisfação e não conseguir uma anualmente, ou cada dois anos, significava ser um fracasso.

Além disto, há o surgimento do empreendedorismo, especialmente em empresas já existentes, que, cada vez mais, terão de aprender a ser inovadoras e criar este conceito dentro do negócio atual. Sabe-se como fazer isto. Existem muitos exemplos por aí. E pessoas em todos os níveis, de dentro e de fora da empresa, estão prontas para se tornar inovadoras e empreendedoras. Apesar disto, com exceção de um número relativamente pequeno de organizações empreendedoras - Johnson & Jonhson, Porcter & Gamble e 3M, nos EUA, e Marks & Spencer, na Grã-Bretanha, e assim por diante - , as empresas existentes, as de pequeno porte até mais que as de grande porte, têm somente posições gerenciais, pagam apenas pelo desempenho da gerência, se organizam apenas com uma estrutura gerencial e dispõem apenas de ferramentas e mensurações gerenciais.

Para atrair e manter as pessoas empreendedoras e promover a inovação e empreendedorismo, as empresas deverão criar novas estruturas, com novas relações e novas políticas, além de complementar remuneração, benefícios e recompensas dos gerentes, tornando-os adequados à realidade inteiramente nova do empreendedorismo. Para superar o crescente descompasso entre empregos e mão de obra disponível, os empregadores - principalmente os grandes - primeiro deverão analisar e projetar suas necessidades de postos de trabalho com alguns anos de antecedência. Até o momento, planejar significa principalmente prever, alguns anos antes, os mercados para produtos e serviços, analisando tecnologias e projetando recursos e necessidades. Cada vez mais, o planejamento deverá prever também as necessidades das pessoas e irá, por sua vez antecipar tendências demográficas e de emprego, para produtos e serviços, tecnologia e recursos financeiros. Terá também de formular a seguinte pergunta: será que as metas tiram proveito das tendências de disponibilidade de mão de obra e das expectativas, aspirações, qualificações e valores das pessoas? Ou será que vão contra isto? No futuro, o planejamento mais bem-sucedido poderá muito bem começar com as tendências e as novas realidades decorrentes da disponibilidade de mão de obra, em vez de metas financeiras ou projeções de mercado. Além disto, as empresas norte-americanas, que já são hoje, em conjunto, as maiores educadoras do país, terão de acelerar e modificar seu treinamento. Entretanto, as empresas, em sua maioria, têm programas de treinamento, e não políticas de treinamento. Poucas focalizam seu treinamento nas necessidades da empresa cinco anos para frente ou nas aspirações de seus empregados. E um número ainda menor tem ideia de qual seja retorna de seu investimento em tempo e dinheiro nestes treinamentos - sem falar no que deveriam estar obtendo. Apesar disto, a atividade de treinamento poderá estar custando tanto quando os planos de saúde para empregados -talvez mais.

Finalmente, cada vez mais, os empregadores terão de mudar o que entendem por mercado de trabalho, e os que procuram emprego serão os clientes. As oportunidades e as características de emprego deverão satisfazer a quem procura colocação. Tradicionalmente, os empregadores sempre enxergaram o mercado de trabalho como algo homogêneo, dividido apenas por grandes categorias - idade e sexo, por exemplo, trabalhadores de escritório ou de chão de fábrica, gerentes ou profissionais. Mas, crescentemente, a mão de obra disponível está se segmentando em um número relativamente grande de mercados distintos, com uma considerável liberdade para que o indivíduo mude de um segmento para outro. Os empregadores, portanto, terão de aprender que os postos de trabalho são produtos que devem ser criados e vendidos para compradores específicos, por meio de uma estratégia de marketing. Outras informações podem ser obtidas no livro As fronteiras da administração, de autoria de Peter F. Drucker.

Mais em:

https://administradores.com.br/artigos/marketing-o-planejamento-da-cria%C3%A7%C3%A3o-de-postos-de-trabalho e

https://www.fiscalti.com.br/o-planejamento-da-criacao-de-postos-de-trabalho/ . 

Tecnologia: jovens de Florianópolis-SC são premiados em festival nacional de robótica

Para este Dia dos Professores ( quinze de outubro de dois mil e dezenove ), um exemplo de que a educação de qualidade transforma é o de estudantes da Escola Social Marista Lúcia Mayvorne, integrante da rede do Instituto Padre Vilson Groh ( IVG ), do Bairro Estreito, de Florianópolis-SC. Com aulas de robótica no contraturno escolar, eles aprenderam a programar e há duas semanas conquistaram um segundo e um terceiro lugares em robótica livre, no Festival Nacional de Robótica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul ( PUC-RS ), em Porto Alegre-RS. Foi uma grande conquista. Este resultado foi possível graças à oportunidade gerada, excelência dos professores e à garra dos jovens.

Surpresa e ação

Ao assistir à apresentação de robótica dos estudantes da Escola Social Marista Lúcia Mayvorne, no ano passado ( de dois mil e dezoito ), o superintendente da Fundação Certi e diretor de Inovação da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina ( FIESC ), José Eduardo Fiates, ficou surpreso e encantado com o conhecimento e o potencial dos jovens.
Este foi o argumento para ele convencer o setor empresarial a investir na formação técnica de jovens de comunidades, tendo como base o trabalho do IVG. Os primeiros a abraçar esta causa com o Programa Pode Crer ( PPC ) foram os empresários Jaime de Paula, Guido Dellagnelo, Waltinho Koerich, Zena Becker e Valério Gomes. Entidades fortes como a FIESC, Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia ( ACATE ) e o Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena Empresa ( SEBRAE ) logo aderiram e outras entidades e empresas estão fazendo o mesmo.
   
Investimentos

Os centros de inovação social do PPC terão foco na formação múltipla de adolescentes e jovens, mas adultos também poderão frequentar e fazer cursos, informa Lucieni Braun, diretora pedagógica do IVG. Estão previstos investimentos de cinco milhões de reais para os centros de inovação e cada um terá custo médio em torno de novecentos mil reais por mês. Empresas e entidades parceiras estão sendo convidadas a investir nos centros e também nos custos mensais para oferecer as aulas de tecnologia, cultura, inglês e esportes no contraturno escolar. As aulas começam ano que vem ( de dois mil e vinte ) e trezentos estudantes já se inscreveram.

Com informações do jornal Diário Catarinense.

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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Festa: judeus e cristãos do mundo todo comemoram Sucot desde 11/10

A Festa dos Tabernáculos, ou em hebraico antigo, Sucot , é um feriado de uma semana que ocorre no início do outono, no início do ano civil judaico. Este feriado comemora o abrigo milagroso e a proteção das “Nuvens de Glória” sobre o povo de Israel enquanto viajavam do Egito para a Terra Santa. Enquanto D'us protegia seu povo escolhido durante aqueles tempos, o povo judeu celebra e reafirma sua confiança em Sua providência, construindo e habitando uma Sukkah - uma cabana ao ar livre de construção temporária com cobertura de galhos ou folhas - durante o feriado. Este feriado foi uma das três ocasiões durante os tempos bíblicos em que judeus de todo o mundo peregrinavam a Jerusalém para as festividades.

Hoje, as celebrações da Festa dos Tabernáculos em Jerusalém se tornaram um ímã para dezenas de milhares de Amigos Evangélicos de Sião de todos os continentes. Estes peregrinos viajam grandes distâncias para expressar seu amor e solidariedade com o povo judeu. Durante sua visita à Terra Santa, estes devotos cristãos oram pela paz em Jerusalém e estendem suas bênçãos ao Estado e ao povo de Israel. É realmente uma visão linda ver tantas pessoas da China, Alemanha, Rússia, África do Sul, Áustria, Brasil, Estados Unidos e outros países reunidos em união e felicidade.

Além de celebrar com o povo judeu, fundadores e CEOs de meios de comunicação cristãos de renome mundial se reunirão em Israel para a Christian Media Summit . Lá, eles terão um diálogo sobre os principais tópicos relevantes para Israel e o mundo cristão. O apoio cristão de Israel e do povo judeu não tem limites.

Os evangélicos se tornaram uma força dominante de apoio global a Israel. Eles usam suas vozes para lutar ativamente por justiça para o povo judeu e condenar a comunidade BDS. A comunidade evangélica americana, em particular, é desapologeticamente pró-Israel, sionista cristão. Nas eleições de dois mil e dezesseis nos Estados Unidos da América ( EUA ), o voto evangélico por trás da posição pró-Israel de Trump foi a maior participação na história americana de qualquer candidato à presidência. Representou mais de trinta e seis por cento do eleitorado. Além disto, como membro da Iniciativa de Fé Evangélica de Trump ( um grupo de líderes evangélicos que aconselha o presidente ), pessoalmente é possível atestar o apoio eterno da comunidade evangélica na construção de um próspero vínculo EUA - Israel.


Em dois mil e quinze, foi fundado e aberto o Museu Amigos de Sião com o falecido nono Presidente de Israel, Shimon Peres, como Presidente Internacional. O objetivo do museu é educar centenas de milhares de visitantes e sessenta e seis milhões de apoiadores globais sobre os sionistas cristãos que ajudaram e apoiaram o sonho sionista ao longo dos anos.

O Museu está localizado no coração de Jerusalém e foi construído com tecnologia de ponta que é inigualável. No Museu Amigos de Sião, os convidados participam de uma excursão no tempo e experimentam uma abordagem de contar histórias que ilumina a história de quanto sionistas cristãos contribuíram para o sonho sionista. Estão convidados os peregrinos da comunidade evangélica para se juntarem a todos os judeus do mundo todo neste momento de celebração, enquanto as pessoas ao redor do mundo observam a Festa dos Tabernáculos.

O Museu é mais do que apenas uma gravação e narração de eventos significativos na história. É missão do Museu Amigos de Sião também homenagear aqueles que defendem a justiça na defesa de Israel e do povo judeu hoje. Em dezembro de dois mil e dezessete, o presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu o "Friends of Zion Award" no Salão Oval em um evento com a presença do vice-presidente Mike Pence, conselheiros seniores Jared Kushner e Ivanka Trump e líderes religiosos representando mais de cento e cinquenta milhões de cristãos em todo o mundo. O Prêmio Amigos de Sião, a maior honra do Museu FOZ, é concedido apenas aos líderes mundiais que foram 'acima e além' do povo judeu e do Estado de Israel. Alguns dos outros ganhadores honorários incluem o quadragésimo-terceiro presidente dos EUA George Walker Bush, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro do Brasil, o presidente guatemalteco Jimmy Morales.






Em três de novembro de dois mil e dezenove, o Museu Amigos de Zion triplicará o tamanho de seu campus com a inauguração do Centro de Mídia Amigos de Zion. Participarão do evento mais de cento e cinquenta repórteres, políticos e delegações de todo o mundo, e o Primeiro Ministro de Israel. Sob sua premissa recentemente expandida, a FOZ terá uma prestigiosa universidade on-line, um think tank liderado por líderes e um centro de comunicação de nível nacional.




A universidade on-line revolucionará como o sionismo é ensinado e apresentado às massas. A Universidade Friends of Zion fez uma parceria com a Blackboard, a maior plataforma educacional do mundo. A Blackboard é uma organização de dois vírgula três bilhões de dólares dedicada a ajudar a resolver os desafios mais críticos no ambiente em constante mudança de hoje para aumentar o sucesso do aluno. A missão conjunta ajudará milhões a combater o anti-semitismo e distribuir as ferramentas necessárias para defender o povo judeu e o Estado de Israel.

O Think-Tank Amigos de Zion se concentrará em maneiras estratégicas de espalhar a mensagem para a necessidade de apoiar e proteger o estado de Israel. Seu método será aquele que se adapta às mudanças diárias do século vinte e um; criará um roteiro para os tomadores de decisão e esclarecerá os epicentros da política, economia e mídia para centenas de milhões.

Existem milhares de visitantes que visitam o Museu Amigos de Sião e, ao ouvir as histórias de sionistas não judeus, estes convidados solicitaram de nós um meio de transmitir sua inspiração às massas. Esta necessidade levou os Amigos de Sião a abrir um centro de comunicação tecnologicamente avançado para alcançar sua crescente comunidade de sessenta e seis milhões de membros. Esta comunidade ativa agora poderá ouvir os líderes e celebridades a quem admira e pode ouvir sobre suas experiências pessoais no Museu FOZ.

O Museu Amigos de Sião agradece a todos os seus apoiadores e clientes e gostaria de expressar sua gratidão por este feriado, a Festa dos Tabernáculos. Mais uma vez está estendo o convite a todos os cristãos evangélicos e a todos ao redor do mundo que estão comemorando este momento maravilhoso, com desejo de boas festas.

Com informações de Mike Evans ( * vide nota de rodapé ) e do jornal Jerusalém Post.

* Nota de redapé:

Mike Evans é o autor de best-sellers número um do jornal New York Times com noventa e seis livros publicados. Ele é o fundador do Museu Amigos de Sião, em Jerusalém, do qual o falecido presidente Shimon Peres, nono presidente de Israel, presidia. Ele também atua na Iniciativa de Fé Evangélica Trump.

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Segurança pública: Santa Catarina passa a emitir nova cédula de identidade

O novo modelo de cédula de identidade começa a ser emitido a partir da próxima segunda-feira ( quatorze de outubro de dois mil e dezenove ), em Santa Catarina ( SC ), segundo o Instituto Geral de Perícias ( IGP ). O documento vai atender aos parâmetros previstos no Decreto Federal número nove mil duzentos e setenta e oito de dois mil e dezoito, assinado pelo então presidente, Michel Temer, que determina um padrão nacional para o registro geral ( RG ). Mesmo com o novo modelo, o antigo continua válido.

Para aumentar a segurança, o novo documento conta com um QR Code que serve para garantir a autenticidade. O RG terá um novo layout e permitirá inserir o nome social, as deficiências, o tipo sanguíneo e numerações de outros documentos.

Será necessário apresentar os documentos originais e oficiais, resultado de exame laboratorial ou atestado médico com todos os dados do requerente e com o número do Código Internacional de Doenças ( CID ), comprovando a deficiência e a permanência da doença descrita para acrescentar todas as novas informações.
Em todo o país, nove estados emitem o documento com base na nova regulamentação: Rio Grande do Sul ( RS ), Paraná ( PR ), Goiás ( GO ), Mato Grosso (MT ), Acre ( AC ), Maranhão ( MA ), Ceará ( CE ), Rio de Janeiro ( RJ ), São Paulo ( SP ) e o Distrito Federal ( DF ).

O que muda

- Pode acrescentar novos dados: Carteira Nacional de Habilitação ( CNH ), Programa de Integração Social / Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS / PASEP, Cadastro de Pessoa Física ( CPF ), Título de Eleitor ( TE ), Carteira de Reservista ( CR ), Identidades Profissionais ( IP ) ( Conselho Regional de Administração -CRA, Ordem dos Advogados do Brasil - OAB ), Carteira de Trabalho e Previdência Social ( CTPS );
- Possibilidade de inclusão do tipo sanguíneo e fator RH;

- Possibilidade de inclusão de deficiências ( símbolos que constará no RG ), como surdez, física, psicológica e cegueira;
- Possibilidade de inclusão / exclusão do nome social. Necessário o preenchimento de requerimento junto ao IGP;

- Inclusão de QR CODE para identificação e segurança digital;
- Inclusão da informação “maior de sessenta anos”

O que não muda

Exigências legais para confecção do documento:

- Para brasileiros: original ou cópia autenticada da certidão de nascimento ou certidão de casamento com as devidas averbações (caso a pessoa for casada). Aceita-se também certidões com selo digital sob consulta;

- A taxa continua no valor de trinta e sete reais e cinquenta e cinco centavos para segundas vias e gratuidade para primeira via no estado;

- Atendimento continua sendo por agendamento prévio pelo site do IGP / SC.

Com informações do jornal Diário Catarinense.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Administração financeira: fundações bancando a sobrevivência de escolas profissionalizantes

O melhor investimento disponível no mercado, de longe, são as escolas profissionalizantes. seja uma escola de engenharia ou de medicina, de direito ou de biblioteconomia, de negócios ou de arquitetura, quando uma pessoa obtém graduação em uma delas, aumenta sua capacidade remunerativa vitalícia por um múltiplo substancial sobre o investimento realizado, isto é, o custo de sua educação.

Nem todas as escolas profissionalizantes produzem o mesmo retorno econômico, é claro. Contudo, mesmo aquelas com rentabilidade mais baixa ( provavelmente as escolas de educação, serviço social e biblioteconomia ) oferecem a seus alunos potencial para ter uma remuneração bem acima da média nos Estados Unidos da América ( EUA ). No entanto, financiar a educação profissional irá se tornar cada dia mais difícil, seja a escola subsidiada por impostos ou privada.

Os custos vêm aumentando muito mais rapidamente nas escolas profissionalizantes do que em universidades comuns. No entanto, o custo de boas escolas profissionalizantes ainda vai aumentar muito. Afinal, é nestas escolas - e não apenas em escolas de engenharia ou escolas de negócio - que os salários dos corpo docente estão se tornando tão pouco competitivos que já está ocorrendo uma séria evasão de cérebros. E, com o dinheiro para a alta educação se tornando cada vez mais escasso, os patrocinadores, sejam eles órgãos públicos ou privados, certamente diminuirão seu apoio a estas instituições - as escolas para a elite para os mais afluentes - , a fim de se concentrar no apoio à educação para as massas, em universidades comuns.

John R. Silber, presidente da Boston University, propôs, há muito tempo, que fosse preenchida a lacuna entre as riquezas que as universidades geram para seus formandos e sua própria penúria com um programa sob o qual os ex-alunos pagariam ao longo de cinco a dez anos o valor integral de seus estudos.

O problema com esta proposta é que ela poderá deter um número substancial dos candidatos mais capazes; contrair uma grande dívida já no começo da carreira é amedrontador, especialmente para pessoas jovens, de baixas renda.

Um programa de financiamento deste tipo também teria um evidente efeito discriminatório contra um formando que escolhesse dedicar a vida ao serviço público, em vez de ir atrás do dinheiro. Por exemplo, o médico que se dedica a pesquisas ou se torna um missionário no continente africano, em vez de optar por ser um cirurgião plástico, com consultório na Park Avenue; ou o advogado que se torna defensor público, em vez de especialista em aquisições de empresas.

Contudo, se a educação profissional for tratada como um investimento, o problema se torna bem mais simples. Os investimentos são pagos sem levar em conta o valor adicional criado por eles. Para se financiar a educação profissional - e isto é uma simplificação - , é preciso apenas retornar ao investimento uma fração do valor agregado por ele, isto é, do aumento da capacidade remunerativa vitalícia do formando.

Isto não seria um peso para a pessoa que escolhe se tornar um missionário médico; sua dívida seria zero. e nem seria um peso para o colega que ganha muito dinheiro como cirurgião plástico; ele teria como pagar. Uma proporção relativamente pequena do valor agregado por meio da educação profissional - no máximo, cinco por cento dos rendimentos do formando sobre a  receita mediana - deverá ser adequada para dar suporte à escola profissional e permitir que seja financeiramente independente. Desta forma, seria até mesmo possível apoiar uma faculdade - a maior parte das escolas vinculadas às universidades dos EUA está em péssima situação financeira. As universidades são, por assim dizer, a forne da pesquisa e desenvolvimento para as escolas profissionalizantes. Seria uma miopia gerencial cortar estes recursos, uma vez que eles podem gerar receitas com a venda de seus produtos.

No entanto, é exatamente isto que muitas universidades estão fazendo quando cortam o orçamento de suas escolas de graduação ao mínimo para treinar seus PhDs a assumir empregos de professor que não existem nas faculdades. Os principais produtos estas escolas de graduação são conhecimento e visão - e isto precisa ser apoiado de forma adequada com um grande número de estudantes de doutorado ou apenas alguns.

Se forem financiadas as escolas profissionalizantes por meio da avaliação do valor agregado da capacidade remunerativa vitalícia de seus formandos e então forem colocados, por exemplo, um décimo das receitas destas instituições em escolas de graduação, seria possível ter uma base financeira sólida para pesquisa e bolsas de estudo em todas as áreas, exceto as mais caras. Seria possível conseguir um grau de independência financeira que asseguraria que as bolsas de estudo para pesquisadores, sejam do governo ou da inciativa privada, iriam se tornar a cereja do bolo, e não o bolo propriamente dito.

Mas como seria possível organizar isto? Um modo - o mais fácil e perigoso - seria arrecadar através do sistema tributário.

Suponha-se que os formandos de escolas profissionalizantes obtivessem um número de registro distinto da Seguridade Social. Então, seriam necessárias apenas umas poucas linhas na declaração anual de imposto sobre a renda de qualquer natureza ( IR ) em que os contribuintes deduziriam uma quantia igual à mediana da receita familiar dedutível, calculariam cinco por cento da diferença e somariam o resultado ao imposto que deduziriam. Isto não seria mais difícil do que calcular o imposto de Seguridade Social dos autônomos, que já faz parte do formulário número mil e quarenta ( utilizado nos EUA ). Nenhuma mudança nas leis de tributação para fins caritativos - legalmente, isto é um pagamento de um compromisso de fins caritativos.

Peter F. Drucker dizia preferir, contudo, um mecanismo separado e não governamental, no qual seria possível chamar de corporação de crédito acadêmico ( CCA ). Seria, em tese, uma cooperativa para onde as universidades canalizariam suas demandas.

Uma das principais vantagens deste sistema seria que as demandas logo - talvez em cinco anos e, certamente, dentro de dez anos - se tornariam instrumentos financeiros, que poderiam ser negociados no mercado ou usados como papéis financiáveis, gerando, assim, um fluxo de caixa prematuro para as escolas profissionalizantes, com base em expectativas atuariais e na experiência de cobrança de penhor. Mais importante ainda e desejável, uma cooperativa deste tipo de manteria as escolas e seus recursos longe do governo.

Não consigo imaginar uma contribuição maior que as principais fundações dos EUA poderiam fazer hoje do que emular o que a Fundação Carnegie fez há cem anos, quando subscreveu a Teachers Insurance and Annuity Association ( assegurando assim, na opinião de Drucker, a sobrevivência da educação superior nos EUA ) e a Academic Credit Corporation ( ACC ).

E que dizer da possibilidade de que a exigência de um compromisso de retornar cinco por cento do valor agregado, especialmente se irrevogável e rigorosamente cobrado, inibiria os candidatos?

Certamente, se uma escola profissionalizante de pouca projeção fosse pioneira desta ideia, talvez perdesse possíveis candidatos, mas uma escola de prestígio - a Escola de Medicina da Harvard University, por exemplo, ou a Wharton School, da Universidade da Pensylvania - somente teria a ganhar. Isto porque há fortes indicativos de que um bom número de candidatos aptos já é inibido, hoje, pelo alto e crescente custo das escolas profissionalizantes. Se lhes fosse possível adiar o pagamento até que pudessem honrar os custos, isto é, até que tivessem a receita que a educação profissionalizante torna possível, eles poderiam e iriam se candidatar.

A não ser que as escolas profissionalizantes encontrem um meio de ser remuneradas quando seus formandos tiverem capacidade de desembolsar o valor agregado pela formação profissionalizante, logo irão descobrir que cobram um preço para a educação além do que um jovem pode pagar ( a não ser que seja filho de família rica ) e, ainda assim, não terão receita suficiente para manter o corpo docente, bibliotecas, laboratórios de pesquisa e outros equipamentos essenciais à atividade universitária. Outras informações podem ser obtidas no livro As fronteiras da administração, de autoria de Peter F. Drucker.

Mais em:

https://administradores.com.br/artigos/administra%C3%A7%C3%A3o-financeira-funda%C3%A7%C3%B5es-bancando-a-sobreviv%C3%AAncia-de-escolas-profissionalizantes .