quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Pós-industrialismo: as novas abordagens da administração

Resumo


No pós-industrialismo, a teoria administrativa está atravessando um período de intensas e profundas revisão e crítica. Desde os tempos da teoria estruturalista não se via tamanha onda de revisionismo. O mundo mudou e também a teoria administrativa está mudando. Mas para onde? Quais caminhos? Algumas dicas podem ser oferecidas pelo que está acontecendo com a ciência moderna que também está passando por uma forte revisão em seus conceitos. Afinal, a teoria administrativa não fica incólume ou distante deste movimento de crítica e renovação.


Na verdade, a teoria administrativa passou por três períodos em sua trajetória:


1) O período cartesiano e newtoniano da administração. foi a criação das bases teóricas da administração iniciada por Taylor e Fayol envolvendo principalmente a administração científica, a teoria clássica e a neoclássica. A influência predominante foi a física tradicional de Isaac Newton e a metodologia científica de René Descartes. Foi um período de calmaria e de relativa permanência no mundo das organizações.


2) O período sistêmico da administração. Aconteceu com a influência da teoria dos sistemas que substituiu o reducionismo, o pensamento analítico e o mecanicismo pelo expansionismo, pensamento sintético e teleologia, respectivamente a partir da década de sessenta. A abordagem sistêmica trouxe uma nova concepção da administração em busca do equilíbrio na dinâmica organizacional em sua interação com o ambiente externo. Teve sua maior influência no movimento de DO e na teoria da contingência. Foi um período de mudanças e de busca da adaptabilidade no mundo das organizações.


3) O período atual da administração. Está acontecendo graças à profunda influência das teorias do caos e da complexidade na teoria administrativa. A mudança chegou para valer no mundo organizacional.


Os paradoxos das ciências


As ciências sempre guardaram um íntimo relacionamento entre si. Principalmente depois da revolução sistêmica e cibernética: o que ocorre um uma área científica logo permeia nas demais provocando um desenvolvimento científico que, se não é homogêneo, pelo menos se torna relativamente concomitante ou se faz com relativo atraso. Um acontecimento na biologia do século dezenove e cinco outros acontecimentos na física do século vinte estão produzindo intensa influência na teoria administrativa no início do século vinte e um.


1) O darwinismo organizacional. No século dezenove, após coletar uma enorme massa de informações, Charles Darwin ( que viveu entre mil oitocentos e nove e mil oitocentos e oitenta e dois ) escreveu seu famoso livro, As origens das espécies, no qual apresenta a sua teoria da evolução das espécies. Concluiu que todo organismo vivo - seja planta ou animal - é resultado, não de um ato criador isolado ou de um evento estático no tempo, mas de um processo natural que vem se desenrolando há bilhões de anos. Tudo evoluiu gradativamente desde os sistemas simples até os mais complexos. A complexidade organizada dos seres vivos ocorre sem necessidade de intervenção de qualquer força não natural. Em outras palavras, a vida vem se transformando continuamente através dos tempos. A evolução é orientada por um mecanismo incrível chamado seleção natural das espécies. Este mecanismo seleciona os organismos mais aptos a sobreviver e elimina automaticamente os demais. Não são os mais fortes da espécie os que sobrevivem, nem os mais inteligentes, mas os que se adaptam melhor às mudanças ambientais. O raciocínio de Darwin é o seguinte: se em uma espécie existem variações nas características que os indivíduos herdam de uma geração para outra, e s algumas destas características são mais úteis do que outras, então, estas últimas vão disseminar-se mais amplamente na população e, com o tempo, vão acabar predominando. O conjunto da população acabará tendo estas características mais eficientes na arte da reprodução, e esta espécie pode tornar-se completamente diferente daquilo que já foi. Para que este mecanismo seletivo possa atuar, são necessárias três condições:


a) Deve haver variação, ou seja, as criaturas não podem ser idênticas.


b) Deve haver um meio ambiente em que nem todas as criaturas possam sobreviver e no qual algumas se darão melhor que outras.


c) Deve haver algum mecanismo por meio do qual a cria herda características dos pais.


A evolução pela seleção natural das espécies explica o mundo vivo. O ser humano é o último passo da caminhada evolutiva de um determinado tipo de chimpanzé. Passados quase duzentos anos de sua divulgação, a ideia da evolução também está sendo aplicada às organizações como organismos vivos.


2) teoria dos quanta. No ano de mil e novecentos, o cientista alemão Max Planck ( que viveu entre mil oitocentos e cinquenta e oito e mil novecentos e quarenta e sete ) apresentou a sua teoria dos quanta que iria operar uma completa revolução na física tradicional. Planck descobriu que no mundo das partículas subatômicas, as leis de Newton não funcionam. Até então, a física clássica de Isaac Newton estabelecia uma exata correspondência entre a causa e efeito. O mundo newtoniano e previsível como um mecanismo de relojoaria passou a ser entendido como aleatório tanto quanto um jogo de dados. Era como se Deus fosse um excelente jogador. A física quântica deixou de ser determinística para ser probabilística.


Ao estudar os problemas que envolviam trocas de energia e emissão de radiações térmicas, Planck chegou à conclusão de que a quantidade de energia emitida ou absorvida é igual a um múltiplo inteiro de uma certa quantidade mínima, a que denominou de quantum ( significa uma quantidade de alguma coisa ) elementar de ação. Para a teoria quântica, a energia é algo descontínuo e discreto, ou seja, o seu crescimento se faz por acréscimos constantes, tais como um muro feito de tijolos que só pode aumentar segundo múltiplos inteiros de um tijolo. Em outras palavras, a energia é transmitida em pequenos pacotes - os quanta - e não de modo contínuo.


A física quântica mostra que no nível subatômico não há partículas estáveis e nem bolcos de construção de matéria, mas apenas ondas de energia em contínuo movimento que podem, em certas condições, formar partículas. Todos os fenômenos subatômicos podem atuar como uma onda ( vibrações ) ou como partículas ( com posição localizada no espaço e no tempo ). É a energia - e não a matéria - a substância fundamental do universo. Mas, os efeitos do mundo quântico não se limitam apenas ao pequeno. Einstein apontou seus efeitos macroscópico no universo.


3) Teoria da relatividade. Em mil novecentos e cinco, Albert Einstein ( que viveu entre mil oitocentos e setenta e nove e mil novecentos e cinquenta e cinco ) aplicou a hipótese quântica ao efeito fotoelétrico para obter uma explicação para o fenômeno. Admitiu que cada elétron é liberado por um quantum de luz, denominando-o fóton, a que está ligada a uma energia proporcional a respectiva frequência. Assim, a luz tem um caráter dual: ela é onda e é partícula ao mesmo tempo, o que confundia totalmente os cientistas. Daí surgiu a teoria da relatividade, vinculada às noções de espaço e de tempo e aos métodos de medida destas duas grandezas. Einstein demonstrou que:


a) A massa é uma forma de energia variante em função da velocidade ( e = mc [ c ] ). Isto liquidou a noção de objetos sólidos. Segundo esta fórmula, a energia ( força ) contida na matéria é equivalente à massa desta matéria multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado. Portanto, até mesmo a menor partícula de matéria contém um imenso potencial de energia concentrada. O espaço assemelha-se a um oceano invisível fervilhante de atividade, uma teia ou rede de campos de energia subatômicos.


b) O espaço e o tempo estão em permanente interação, ou seja, são relativos e não absolutos, são dependentes do observador e constituem partes integrantes de um continuum quadridimensional - o espeço-tempo. Na medida em que a velocidade das partículas se aproxima da velocidade da luz, a descrição até então tridimensional precisa incorporar o tempo como uma quarta coordenada determinada relativamente ao observador. ocorre então uma espacialização do tempo.


c) A força da gravidade tem o efeito de curvar o espaço-tempo. Isto derrubou a geometria euclidiana e o conceito de espaço vazio.


4) Princípio da incerteza. Werner Heisemberg ( que viveu entre mil novecentos e um e mil novecentos e setenta e seis ) criou a mecânica quântica em substituição à mecânica clássica de Newton para o estudo das partículas subatômicas em movimento. Estas partículas nunca são estáticas e estão sempre em contínuo movimento em inexplicáveis e inesperados saltos quânticos provocando a imprevisibilidade e a indeterminação. Daí o princípio da incerteza - ou princípio da indeterminação: o processo de observar um fenômeno altera este fenômeno. Ou seja, a observação de qualquer fenômeno equivale a alterar a posição e velocidade destas partículas. A substância fundamental do universo é a energia e não a matéria. Isto enterrou o velho determinismo da física clássica de Newton. A objetividade newtoniana é substituída pela subjetividade quântica. A velha visão mecanicista, determinística e reducionista do mundo cai por terra. Isto demorou a ser percebido pela teoria administrativa. Além disto, as partículas não determinam o comportamento das partes, outro princípio que a teoria administrativa somente captaria décadas depois.


5) Teoria do caos. Na década de sessenta, Edward Lorenz do Instituto de Tecnologia de Massachussetts ( MIT ) desenvolveu um modelo que simulava no computador a evolução das condições climáticas. Dados os valore iniciais de ventos e temperaturas, o computador fazia uma simulação da previsão do tempo. Lorenz imaginava que pequenas modificações nas condições iniciais provocariam alterações igualmente pequenas na evolução do quadro como um todo. A surpresa: mudanças infinitesimais nas entradas podem ocasionar alterações drásticas nas condições futuras do tempo. Como dizia Lorenz, uma leve brisa em Nevada, a queda de um grau em Massachussetts, o bater de asas de uma borboleta na Califórnia podem causar um furacão na Flórida um mês depois. Uma estrambólica variação em cadeia do chamado efeito dominó. Da previsão do tempo ao mercado de ações, das colônias de cupins à internet, a constatação de que mudanças diminutas podem acarretar desvios radicais no comportamento de um sistema veio reforçar a nova visão probabilística da física. O comportamento dos sistemas físicos, mesmo os relativamente simples, é imprevisível. O estado final de um sistema não é um ponto qualquer; certos percursos com maior frequência. Os chamados atratores estranhos ( strange attactors ) permitem que os cientistas prevejam o estado mais provável de um sistema, embora não quando precisamente ele vai ocorrer. É o que acontece com a previsão do tempo ou de um maremoto, por exemplo.


A palavra caos tem sido tradicionalmente associada à desordem. Nas mitologias e cosmogonias antigas, caos era o vazio escuro e ilimitado que precede à criação do mundo. Desde tempos imemoriais, o ser humano se defronta com o desconhecido e o percebe como caótico e atemorizante. Desde os tempos de Descartes, a lógica e a racionalidade da ciência constituíram uma luta contante contra o caos: tornar o mundo conhecido e reduzir incerteza.


Contudo, na ciência moderna, caos significa uma ordem mascarada de aleatoridade. O que parece caótico é, na verdade, o produto de uma ordem subliminar, na qual pequenas perturbações podem usar grandes efeitos devido à não linearidade do universo. Para a ciência moderna, os fenômenos deterministas - que obedecem ao princípio da linearidade de causa e efeito - constituem uma pequena minoria nos eventos naturais. Tudo na natureza muda e evolui continuamente. Nada no universo é passivo ou estável. A noção de equilíbrio - tão cara à teoria de sistemas - constitui um caso particular e pouco frequente. Na verdade, não existem mudanças no universo. O que existe é mudança. O estado de equilíbrio, o determinismo e a causalidade linear são casos muito singulares em um universo primordialmente evolutivo, onde tudo é fluxo, transformação e mudança. No decorrer do século vinte, a ciência passou da visão clássica para um realidade em permanente estado de equilíbrio para uma visão de uma realidade sujeita a perturbações e ruídos, mas que tendia naturalmente a retornar ao equilíbrio, graças à abordagem sistêmica.


Para a teoria do caos, a desordem, a instabilidade e o acaso no campo científico constituem a norma e a regra, a lei. A influência destas ideias na teoria administrativa é marcante. Afinal, ainda estão sendo buscadas a ordem e a certeza em um mundo carregado de incertezas e instabilidade. Os modelos de gestão baseados na velha visão do equilíbrio e da ordem estão caducos. Além do mais, quando se faz um esforço para integrar a administração com outras ciências, os resultados caminham em uma direção completamente diferente. A ciência moderna mostra que o sistema vivo é, para si, o centro do universo e sua finalidade é a produção de sua identidade. O sistema procura interagir como o ambiente externo sempre de acordo com uma lógica própria e singular.


6) Teoria da complexidade. Em mil novecentos e setenta e sete, Ilya Prigogine ganhou o prêmio Nobel de Química ao aplicar a segunda lei da termodinâmica aos sistemas complexos, incluindo organismos vivos. A segunda lei estabelece que os sistemas físicos tendem espontânea e irreversivelmente a um estado de desordem ou de entropia crescente. Contudo, ela não explica como os sistemas complexos emergem espontaneamente de estados de menor ordem desafiando a tendência á entropia. Prigogine verificou que alguns sistemas quando elevados à condições distantes do equilíbrio - à beira do caos - iniciam processos de auto-organização, que são períodos de instabilidade e de inovação dos quais resultam sistemas mais complexos e adaptativos. Exemplos destes sistemas adaptativos e autoorganizantes são os ecossistemas de uma floresta tropical, formigueiros, cérebro humano e a internet. São sistemas complexos que se adaptam em redes ( networks ) de agentes individuais que interagem para criar um comportamento autogerenciado, mas extremamente organizado e e cooperativo. Estes agentes respondem à retroação ( feedback ) que recebem do ambiente e, em função dela, ajustam seu comportamento. Aprendem com a experiência e introduzem o aprendizado na própria estrutura do sistema. Em outras palavras, aproveitam as vantagens da especialização sem cair na rigidez burocrática. Se, ao invés de formigas, abelhas ou neurônios, considerar seres humanos reunidos em redes cooperativas, verifica-se que esta descoberta científica ingressou na teoria administrativa com muito atraso, indicando que as organizações são sistemas complexos, adaptativos e que se auto-organizam até alcançarem um estado de aparente estabilidade.


Prigogine elaborou a teoria das estruturas dissipativas - também conhecida como teoria do não equilíbrio - para explicar a ordem por meio das perturbações que governam o fenômeno da evolução. A evolução é, basicamente, um processo de criação de complexidade por meio do qual os sistemas se tornam progressivamente capazes de utilizar maiores quantidades de energia do ambiente para ampliação de suas atividades.


A palavra complexidade tem sido utilizada para representar aquilo que é compreendido e dominado com mais dificuldade. A complexidade constitui uma nova visão das ciências. A velha cibernética despertou a curiosidade dos cientistas. O emaranhado das ciências interdisciplinares levou à constatação de que a realidade que cerca o homem apresenta segredos ainda não totalmente desvendados para inteligência humana. As fronteiras do conhecimento exploradas pela teoria do caos e teoria das estruturas dissipativas - levam a conclusões impressionantes.


A teoria da complexidade é a parte da ciência que trata do emergente, da física quântica, da biologia, da inteligência artificial e de como os organismos vivos aprendem e se adaptam. Ela é um subproduto da teoria do caos. No estudo do comportamento das partículas fundamentais que constituem todas as coisas do mundo, a física quântica proporciona conclusões ambíguas e indeterminadas: como pode a realidade se revelar ao ser humano por meio de um mundo de coisas concretas e determinadas se ela é constituída de aspectos indeterminados? O mundo quântico tem as suas esquisitices. A lógica da ciência da complexidade substitui o determinismo pelo indeterminismo e a certeza pela incerteza. Os físicos tiveram de reconstruir as bases sobre as quais a ciência vinha se desenvolvendo desde o mundo mecânico, previsível e linear de Isaac Newton. Há autores que pregam um paralelo entre o mundo da ciência e o mundo dos negócios, mostrando que, da mesma forma, também a teoria administrativa terá de se estabelecer sobre bases novas que definam a nova lógica para a atuação das organizações. Para abordar os movimentos ondulatórios dos negócios seria necessária uma total recauchutagem da teoria administrativa?


Todas estas contribuições - o darwinismo organizacional, a teoria dos quanta, a teoria da relatividade, o princípio da incerteza, a teoria da caos e a teoria da complexidade - vieram trazer uma nova conceituação da ciência moderna não está apenas descobrindo novos campos científicos, mas está redefinindo o próprio sentido do que seja a ciência, como:


a) A ciência abandona o determinismo e aceita o indeterminismo e a incerteza, inerentes ao homem e às suas sociedades.


b) A ciência abandona o idéia de uma simplicidade inerente aos fenômenos do mundo natural e abraça a complexidade também inerente ao homem e suas sociedades.


c) A ciência abandona o ideal de objetividade como única forma válida de conhecimento, assumindo enfim a subjetividade, marca maior da condição humana.


A complexidade significa a impossibilidade de se chegar ao conhecimento completo a respeito da natureza. A complexidade não pode apenas reconhecer a incerteza e tentar dialogar com ela.


A quinta onda


A era industrial predominou em quase todo o século vinte e cedeu lugar à era da informação. Nesta nova era, as mudanças e transformações passam a ser gradativamente mais rápidas e intensas. Sobretudo, descontínuas. A descontinuidade significa que as mudanças não são mais lineares ou sequenciais e nem seguem uma relação causal ( causa e efeito ). Elas são totalmente diversas e alcançam patamares diferentes do passado. A simples projeção do passado ou do presente não funciona mais, pois as mudanças não guardam alguma similaridade com o que se foi. Como dizia Joseph Schumpeter: a economia saudável é aquela que rompe o equilíbrio por meio da inovação tecnológica. Ao invés de tentar otimizar o que já existe, a atitude produtiva é a de inovar por meio daquilo que ele chamou de destruição criativa. Na visão de Schumpeter, os ciclos em que o mundo viveu no passado foram todos eles determinados por atividades econômicas diferentes. Cada ciclo - como qualquer ciclo de vida de produto - tem as suas faces. Só que estas ondas estão ficando cada vez mais curtas fazendo com que a economia renove a si mesma mais rapidamente para que o novo ciclo possa começar.


O primeiro elemento central da quinta onda é a internet. A world wide web - www - a rede mundial de computadores de pessoas, equipes e organizações. E a inquebrantável lógica desta nova onda e de que não há ais lugar para se fazer as mesmas coisas do passado. Claro que precisamos conhecer o que foi feito no passado como base elementar para o conhecimento do homem e para o poder de criação e inovação. Todavia, o que se aprendeu no passado passa a ter pouco valor prático para o futuro que se aproxima cada vez mais rapidamente. Trata-se de uma nova dimensão de tempo e de espaço à qual ainda não se está acostumado.


O segundo elemento central da quinta onda é a globalização dos negócios. Ela é um processo de mudança que combina um número crescentemente maior de atividades por meio das fronteiras e da tecnologia da informação, permitindo a comunicação praticamente instantânea com o mundo. E, de lambuja, promete dar a todas as pessoas em todos os cantos o acesso ao melhor do mundo. A globalização constitui uma das mais poderosas e difusas influências sobre nações, organizações, ambientes e trabalho, comunidades e vidas. Para Kanter, quatro processos abrangentes estão associados à globalização:


a) Mobilidade de capital, pessoas e ideias. Os principais ingredientes de um negócio -capital, pessoas e ideias - estão adquirindo cada vez mais mobilidade. Estão migrando de um lugar para o outro com incrível rapidez e facilidade. A transferência de informações em alta velocidade torna o lugar irrelevante.


b) Simultaneidade - em todos os lugares ao mesmo tempo. O processo de globalização significa ma disponibilidade cada vez maior de bens e serviços em muitos lugares ao mesmo tempo. O intervalo de tempo entre o lançamento de um produto ou serviço em um lugar e sua adoção em outros lugares está caindo vertiginosamente, em especial no que se refere às novas tecnologias.


c) Desvio - múltiplas escolhas. A globalização é ajudada pela competição além das fronteiras apoiada por um trânsito internacional mais fácil, desregulamentação e privatização de monopólios governamentais, que aumentam as alternativas. O desvio significa inúmeras rotas alternativas para atingir e servir os clientes. O surgimento de serviços de entrega de encomendas vinte e quatro horas por dia em qualquer lugar do mundo substitui os serviços postais governamentais. O mesmo ocorre com o fax. Transferências eletrônicas de fundos substituem os bancos centrais. Os novos canais são mais universais, menos específicos ao local e podem ser explorados em qualquer lugar.


d) Pluralismo - o centro não pode dominar. No mundo inteiro, os centros monopolistas estão se dispersando e sofrendo um processo de descentralização. O pluralismo se reflete na dissolução e dispersão de funções para todo o mundo, independentemente do lugar.


Estes quatro processos juntos - mobilidade, simultaneidade, desvio e pluralismo - ajudam a colocar um número maior de opções nas mãos do consumidor individual e dos clientes organizacionais que, em contrapartida, geram uma cascata de globalização, reforçando mutuamente os ciclos de retroação que fortalecem e aceleram as forças globalizantes. Pensar como o cliente está se tornando a lógica global de negócios. Além disto, dois fenômenos ocorrem simultaneamente: o regulamentado está se tornando desregulamentado ( o que reduz o controle político ), enquanto o desorganizado está ficando organizado ( o que aumenta a coordenação dos setores ).


Para vencer em mercados globais e altamente competitivos, as organizações bem-sucedidas compartilham uma forte ênfase em inovação, aprendizado e colaboração por meio das seguintes ações:


a) As organizações organizam-se em torno da lógica do cliente. Atendem rapidamente às necessidades e desejos dos clientes em novos conceitos de produtos e serviços e transformam o conceito geral do negócio quando as tecnologias e mercados mudam.


b) Estabelecem metas elevadas. Tentam definir os padrões mundiais nos nichos almejados e buscam redefinir a categoria a cada nova oferta.


c) Selecionam pensadores criativos com um visão abrangente. Definem seus cargos de forma abrangente e não de forma limitada, estimulam seus funcionários a adquirir múltiplas habilidades, trabalhando em vários territórios e dão a eles as melhores ferramentas para executar suas tarefas.


d) Encorajam o empreendimento. Investem em equipes de empowerment para que elas possam buscar novos conceitos de produtos e serviços, deixam que elas coloquem em prática suas ideias e reconhecem fortemente a iniciativa.


e) Sustentam o aprendizado constante. Promovem a ampla circulação de informações, observam os concorrentes e inovadores no mundo inteiro, medem seu próprio desempenho com base em padrões mundiais de qualidade e oferecem treinamento contínuo para manter atualizado o conhecimento das pessoas.


f) Colaboram com os parceiros. Combinam o melhor de sua especialização e da de seus parceiros, desenvolvendo aplicações customizadas para os clientes.


Daí outros paradoxos: as organizações bem-sucedidas apresentam uma cultura que combina características aparentemente opostas; padrões rígidos e interesse pelas pessoas; ênfase em inovações proprietárias e uma habilidade de compartilhar com os parceiros. E seus principais ativos são os três Cs: conceitos, competência e conexões, que elas estimulam e repõem continuamente. Desta maneira as organizações bem-sucedidas estão criando o shopping center global do futuro. E, no processo de globalização, elas se tornam classe mundial: focalizadas externamente e não internamente, baseando-se no conhecimento mais recente e operando através das fronteiras de funções, setores, empresas, comunidades ou países em complexas redes de parcerias estratégicas.


Referência:


Chiavenato, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração - 8ª edição  -Rio de Janeiro : Elsevier, 2011. ( pp. 531 - 542 ).


Mais em:


https://administradores.com.br/artigos/p%C3%B3s-industrialismo-as-novas-abordagens-da-administra%C3%A7%C3%A3o .

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Sociedade do conhecimento: pessoas, tecnologia, serviços e resultados

Resumo


A administração de recursos humanos ( arh ) é uma das áreas mais afetadas pelas mudanças que ocorrem no mundo moderno. O século vinte proporcionou o aparecimento de três eras distintas. A era da industrialização clássica, de relativa estabilidade, trouxe o modelo hierárquico, funcional e departamentalização de estrutura organizacional. Foi a época das relações industriais. A era da industrialização neoclássica, de relativa mudança e transformação, trouxe o modelo híbrido, duplo e matricial de estrutura organizacional. Foi a época da administração de recursos humanos ( arh ). A era da informação, de forte mudança e instabilidade, esta trazendo o modelo orgânico e flexível de estrutura organizacional, no qual prevalecem as equipes multifuncionais de trabalho. É a época da gestão de pessoas e com pessoas. No mundo de hoje, as preocupações das organizações se voltam para a globalização, pessoas, cliente, produtos / serviços, conhecimento, resultados, e tecnologia. As mudanças e transformações na área de rh são intensas e predomina a importância do capital humano e intelectual. Os novos papéis da função de rh ,infra-estrutura, contribuição dos colaboradores e mudança organizacional.


Introdução 


A Administração de Recursos Humanos é uma das áreas mais afetadas pelas recentes mudanças que estão acontecendo no mundo moderno. As organizações perceberam que as pessoas constituem o elemento do seu sistema nervoso que introduz a inteligência nos negócios e a racionalidade nas decisões. tratar as pessoas como recursos organizacionais é um desperdício de talentos e de massa encefálica produtiva. Assim, hoje se fala em gestão de pessoas e não mais em recursos humanos, exatamente para proporcionar esta nova visão das pessoas - não mais como meros funcionários remunerados em função do tempo disponibilizado para a organização - mas como parceiros e colaboradores do negócio da empresa.


As mudanças e transformações no cenário mundial


Desde que o velho ancestral bíblico Adão resolveu atropelar as recomendações do Criador, o trabalho tem sido uma constante na existência do ser humano. Ao longo de toda a história da humanidade sucedem-se os desdobramentos da atividade laboral do ser humano. Quem trabalha para quem, quem faz a guerra para quem, quem é o escravo de quem, quem é o dominador, quem é o chefe e coisas do gênero mostram que o trabalho vem sendo desempenhado sob múltiplas formas e diferentes tipos e usos. Todavia, é a partir da Revolução Industrial que surge o conceito atual de trabalho. E é no decorrer do século vente que o trabalho recebeu a configuração que hoje está assumindo.


O século vinte trouxe grandes mudanças e transformações que influenciaram poderosamente as organizações, sua administração e seu comportamento. É um século que ainda pode ser definido como o século das burocracias e das fábricas, apesar da mudança que se acelerou nas últimas décadas. E, sem dúvida alguma, as mudanças e transformações que nele aconteceram marcaram indelevelmente a maneira de administrar as pessoas. Neste sentido é possível visualizar ao longo do século vinte quatro eras organizacionais distintas: 


a) a era industrial, 


b) a era industrial clássica, 


c) a era industrial neoclássica e


d) a era da informação.


A visão das características de cada uma delas permite compreender melhor as filosofias e as práticas de lidar com as pessoas que participam das organizações.


Era da industrialização clássica


É o período logo após a Revolução Industrial e que se estendeu até meados de mil novecentos e cinquenta envolvendo a primeira metade do século vinte. Sua maior característica foi a intensificação do fenômeno da industrialização em amplitude mundial e o surgimento dos países desenvolvidos ou industrializados. Neste longo período de crises e de prosperidade, as organizações passaram a adotar a estrutura organizacional burocrática, caracterizada pelo formato piramidal e centralizador, com ênfase na departamentalização funcional, na centralização das decisões no topo da hierarquia e no estabelecimento de regras e regulamentos internos para disciplinar e padronizar o comportamento das pessoas. A teoria clássica da administração e o modelo burocrático surgiram como a medida exata para as organizações desta época. O mundo se caracterizava por mudanças vagarosas, progressivas e previsíveis que aconteciam da forma gradativa, lenta e inexorável. O ambiente que envolvia as organizações era conservador e voltado para a manutenção do status quo. O ambiente não oferecia desafios devido ao relativo grau de certeza quanto às mudanças externas, o que permitia que as organizações se introvertessem e se preocupassem com os seus problemas internos de produção. A eficiência era a preocupação básica e para alcançá-la eram necessárias medidas de padronização e simplificação, vem como especialização da mão de obra para permitir escalas de produção maiores e a custos menores. O modelo organizacional baseava-se em um desenho mecanístico típico da lógica do sistema fechado.


Neste contexto, a cultura organizacional predominante era voltada para o passado e passado e para a conservação das tradições e valores tradicionais. As pessoas eram consideradas recursos de produção, juntamente com outros recursos organizacionais como máquinas, equipamentos e capital, na conjunção típica dos três fatores tradicionais de produção: natureza, capital e trabalho.


Era da industrialização neoclássica


É o período que se estende entre as décadas de mil novecentos e cinquenta a mil novecentos e noventa. Teve seu início logo após a segunda guerra mundial, quando o mundo começou a mudar mais rápida e intensamente. A velocidade da mudança aumentou progressivamente. As transações comerciais passaram da amplitude local para regional, e de regional para internacional, tornando-se cada vez mais intensas e menos previsíveis, acentuando a competição entre as organizações.


A teoria clássica foi substituída pela teoria neoclássica da administração e o modelo burocrático foi redimensionado pela teoria estruturalista. A teoria das relações humanas foi substituída pela teoria comportamental. Ao longo do período, surge a teoria de sistemas e no seu final, a teoria da contingência. A visão sistêmica e multidisciplinar ( holística ) e o relativismo tomam conta da teoria administrativa. o velho modelo burocrático e funcional, centralizados e piramidal utilizado para formatar as estruturas organizacionais tornou-se rígido e vagaroso demais para acompanhar as mudanças e transformações do ambiente. As organizações tentaram novos modelos estruturais para incentivar a inovação e o ajustamento às mutáveis condições externas. A estrutura matricial, uma espécie de quebra-galhos para reconfigurar e reavivar a velha e tradicional organização funcional, foi a resposta das organizações. a abordagem matricial visava a conjugar a departamentalização funcional com um esquema lateral de estrutura por produtos / serviços, a fim de proporcionar características adicionais de inovação e dinamismo e alcançar maior competitividade. Era como se tentasse colocar um turbo em motor velho e desgastado. De fato, a organização matricial promoveu uma melhoria na arquitetura organizacional das grandes organizações, mas não o suficiente, pois não conseguia remover a rigidez da velha estrutura funcional e burocrática sobre a qual se assentava. Entretanto, as suas vantagens foram aproveitadas através da posterior fragmentação e decomposição das grandes organizações em unidades estratégicas de negócios para torná-las mais bem administradas, mais ágeis e mais próximas do mercado e do cliente.


Era da informação


É o período que começou no início da década de noventa. É a época em que se está vivendo atualmente. A principal característica desta nova era são as mudanças, que se tornaram rápidas, imprevistas, turbulentas e inesperadas. A tecnologia da informação - integrando a televisão, o telefone e o computador - trouxe desdobramentos imprevisíveis e transformou o mundo em uma verdadeira aldeia global. Um impacto comparável ao da revolução industrial em sua época. A informação passou a cruzar o planeta em milésimos de segundos. A tecnologia da informação forneceu as condições básicas para o surgimento da globalização da economia: a economia internacional transformou-se em economia mundial e global. A competitividade tornou-se intensa e complexa as organizações. o volátil mercado de capitais passou a migrar de um continente para o outro em segundos à procura de novas oportunidades de investimentos, ainda que transitórias. Em uma época em que todos dispõem da informação em tempo real, são mais bem-sucedidas as organizações capazes de tomar a informação e transformá-la rapidamente em uma oportunidade de novo produto ou serviço, antes que outras o façam. O capital financeiro deixou de ser o recurso mais importante, cedendo lugar para o conhecimento. Mais importante do que o dinheiro é o conhecimento, como usá-lo e aplicá-lo de maneira rentável. Nestas circunstâncias, os fatores tradicionais de produção - terra, mão de obra e capital - produzem retornos cada vez menores em uma escala de rendimentos decrescentes. É a vez do conhecimento, da capital humano e do capital intelectual. O conhecimento torna-se básico, e o maior desafio passa a ser a produtividade do conhecimento. Tornar o conhecimento útil e produtivo tornou-se a maior responsabilidade gerencial. Na era da informação, o emprego passou a migrar do setor industrial para o setor de serviços, o trabalho manual substituído pelo trabalho mental, indicando o caminho para uma era da pós-industrialização baseada no conhecimento e no setor terciário.


Kiernan lembra que as organizações entraram em um período de permanente volatilidade e turbulência devido ao impacto das seguintes megatendências globais que estão quebrando velhos paradigmas, a saber:


1) A influência das tecnologias de informação e comunicações - que recebem o nome de revolução digital, revolução da multimídia ou superestrada da informação - estão eliminando fronteiras políticas e organizacionais.


2) A globalização dos mercados, da concorrência, das associações, do capital financeiro e da inovação gerencial trazendo uma nova visão cosmopolita do mercado global.


3) A substituição de uma economia baseada na manufatura e na exploração de recursos naturais para a economia baseada no valor do conhecimento, na informação e na inovação.


4) A diferenciação da verdadeira economia global da economia virtual nas transações mundiais e nos instrumentos financeiros sintéticos.


5) O reequilíbrio geopolítico decorrente da nova ordem econômica mundial: a hegemonia dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico ( OCDE ) chegou ao fim, enquanto a do Sudeste da Ásia parece apenas ter começado.


6) A gradativa incapacidade dos governos nacionais em controlarem seus próprios destinos político-econômicos.


7) A convergência setorial e industrial: o crescente terceiro setor formado pela sociedade civil e por ampla variedade de cidadãos baseada na cooperação e nas fusões torna difícil uma distinção entre os setores público e privado.


8) O surgimento de formas inéditas de organização empresarial dentro de e entre as organizações, com equipes interdisciplinares não hierárquicas, proliferação de alianças estratégicas, organizações virtuais e megaconcorrência entre alianças rivais em indústrias como a automobilística, aeroespacial e a de chips de computadores.


9) A substituição no centro de gravidade econômico do mundo empresarial: de organizações multinacionais de grande porte para organizações menores, mais ágeis e mais empreendedoras. O tamanho e massa corporativa para se tornar uma desvantagem.


10) O aumento geométrico na importância comercial, política e social do ambiente e a crescente preocupação ecológica.


Para Kiernan, estas megatendências criaram a transformação mais drástica e intensa de todas: a elevação exponencial na velocidade, na complexidade e na imprevisibilidade da mudança.


As mudanças e transformações na função de rh


As três eras ao longo do século vinte - industrialização clássica, a industrialização neoclássica e a era da informação - trouxeram diferentes abordagens sobre como lidar com as pessoas dentro das organizações sobre como lidar com as pessoas dentro das organizações. Ao longo das três eras, a área de administração de recursos humanos passou por três etapas distintas:


1) Relações industriais,


2) Recursos humanos e


3) Gestão de pessoas.


Cada abordagem está ajustada aos padrões de sua época, à mentalidade predominante e às necessidades das organizações.


Relações industriais


Na industrialização clássica surgem os antigos departamentos de pessoal e, posteriormente, os departamentos de relações industriais. Os departamentos de pessoal eram órgãos destinados a fazer cumprir as exigências legais a respeito do emprego como: 


a) admissão através de contrato individual, 


b) anotação em carteira de trabalho, 


c) contagem das horas trabalhadas para efeito de pagamento, 


d) aplicação de advertências e medidas disciplinares pelo não cumprimento do contrato, 


e) contagem de férias, etc. 


Mais adiante, os departamentos de relações industriais assumem o mesmo papel acrescentando outras tarefas como o relacionamento outras tarefas como:


a) o relacionamento da organização com os sindicatos e


b) a coordenação interna com os demais departamentos par enfrentar problemas sindicais de conteúdo reivindicatório.


Os departamentos de relações industriais se restringem a atividades operacionais e burocráticas, recebendo instruções da cúpula sobre como proceder. As pessoas são consideradas apêndice das máquinas e meras fornecedoras de esforço físico e muscular, predominando o conceito de mão de obra.


Recursos humanos


Na industrialização neoclássica surgem os departamentos de recursos humanos que substituem os antigos departamentos de relações industriais. Além de tarefas operacionais e burocráticas, os chamados drh desenvolvem funções operacionais táticas, como órgãos prestadores de serviços especializados. Cuidam de:


a) recrutamento,


b) seleção,


c) treinamento,


d) avaliação,


e) remuneração,


f) higiene no trabalho,


g) segurança no trabalho,


h) relações trabalhistas e


i) relações sindicais.


Tudo com variadas doses de centralização e monopólio destas atividades.


Gestão de pessoas


Na era da informação, surgem as equipes de gestão com pessoas, que substituem os departamentos de recursos humanos, as práticas de rh são delegadas aos gerentes de linha com toda a organização, os quais passam a ser os gestores de pessoas, enquanto as tarefas operacionais e burocráticas não essenciais são transferidas para terceiros através da terceirização ( outsourcing ). As equipes de rh livram-se de atividades operacionais para proporcionar consultoria interna, para que a área possa assumir atividades  estratégicas de orientação global, visando ao futuro e ao destino da organização e seus membros. As pessoas - de agentes passivos que são administrados - passam a constituir agentes ativos e inteligentes que ajudam a administrar os demais recursos organizacionais. A virada é fenomenal. As pessoas passam a ser consideradas parceiros da organização que tomam decisões a respeito de suas atividades, cumprem metas e alcançam resultados previamente negociados e que servem o cliente no sentido de satisfazer suas necessidades e expectativas.


Na era da informação, lidar com as pessoas deixou de ser um problema e passou a ser a solução para as organizações. Deixou de ser um desafio e passou a ser vantagem competitiva para as organizações bem-sucedidas.


Mas o que está acontecendo com a arh? Na verdade, a arh está se ajustando rapidamente aos novos tempos. Como? De uma maneira ampla e irreversível. Ela está deixando de ser arh para se transformar em gestão de pessoas. De uma área fechada, hermética, monopolística e centralizadora que a caracterizavam no passado, a moderna arh está se tornando uma área aberta, amigável, compartilhadora, transparente e descentralizadora.


Os desafios do terceiro milênio


o terceiro milênio aponta para mudanças cada vez mais velozes e intensas no ambiente, nas organizações e nas pessoas. o mundo moderno se caracteriza por tendências que envolvem:


a) globalização, 


b) tecnologia, 


c) informação, 


d) conhecimento, 


e) serviços, 


f) ênfase no cliente ( ou usuário final ), 


g) qualidade, 


h) produtividade e 


i) competitividade.


Todas estas tendências estão afetando e continuarão a afetar a maneira pela qual as organizações utilizam as pessoas.


Todas estas fortes tendências influenciam poderosamente as organizações e o seu estilo de administrar com as pessoas. O mundo dos negócios ficou completamente:


a) diferente,


b) exigente,


c) dinâmico,


d) mutável e


e) incerto.


E as pessoas sentem o impacto destas influências e necessitam de um apoio e suporte por parte dos seus líderes e gerentes. E eles requerem, por seu lado, o apoio e suporte de arh.


Os novos papéis da gestão de pessoas


Com todas estas mudanças e transformações no mundo todo, a área de rh está passando por profundas mudanças. E nem poderia ser diferente. Nos últimos tempos, a área passou por uma forte transição.


Na verdade, os papéis, os papéis hoje assumidos pelo profissionais de rh são múltiplos: eles devem desempenhar papíes operacionais e ao mesmo tempo estratégicos. precisam ser polícia e parceiros simultaneamente. Em outros termos, para que a área de rh possa adicionar e criar vantagens competitivas ela precisa desempenhar papéis cada vez mais múltiplos e complexos.


Os quatro papéis da gestão de pessoas:


1) Administração de estratégias de recursos humanos. Como rh pode ajudar a impulsionar a estratégia organizacional.


2) Administração da infra-estrutura da organização. Como rh pode oferecer uma base de serviços à organização para ajudá-la a ser eficaz e eficiente.


3) Administração da contribuição dos colaboradores. Como rh pode ajudar no envolvimento e comprometimento dos colaboradores, transformando-os em agentes empreendedores, parceiros e fornecedores para a organização e


4) Administração e da transformação e da mudança. Como rh pode ajudar na criação de uma organização criativa, renovadora e inovadora.


Os quatro papéis exigem um novo posicionamento e uma nova mentalidade do profissional de rh.


Administração de talentos e do capital intelectual


Na era da informação - em que já se está vivendo e / ou aprendendo a viver - as mudanças que ocorrem nas organizações não são apenas estruturais. São acima de tudo mudanças culturais e comportamentais transformando o papel das pessoas que delas participam. E estas mudanças não podem passar despercebidas pela gestão de pessoas. Aliás, elas estão ocorrendo também na área da gestão de pessoas e provocando uma profunda transformação nas características da área.


Para que esta transformação serja plenamente possível e para que a gestão de pessoas possa se situar na dianteira e não simplesmente acompanhar de longe na rabeira e com significativo atraso o que ocorre nas demais áreas da organização, torna-se mister que ela assuma uma nova estrutura e desenvolva novas posturas, a fim de dinamizar intensamente as suas suas potencialidades e contribuir para o sucesso da empresa.


Disto tudo resulta uma completa reorientação da área de rh - nos aspectos organizacionais e culturais - para adequar-se às novas exigências da era da informação tanto nos aspectos organizacionais e estruturais como nos aspectos culturais e comportamentos.


Dentro deste novo contexto estrutural e cultural, os gerentes de linha passam a assumir novas responsabilidades. E para cumpri-las, devem apresentar novas habilidades conceituais e técnicas. Ao lado delas, os gerentes de linha precisam desenvolver também habilidades humanas para lidar com suas equipes de trabalho. Não se trata de mudar apenas o órgão de arh, mas principalmente o papel dos gerentes de linha para que o processo de descentralização de delegação possa ser bem-sucedido.


O importante é que não é preciso ser grande para ser valiosa. O valor de uma organização não depende mais do seu tamanho.


Talento humano


Gerir talento humano está se tornado indispensável para o sucesso das organizações. Ter pessoas não significa necessariamente ter talentos. E qual a diferença entre pessoas e talentos? Um talento é sempre um tipo especial de pessoa. E nem sempre toda pessoa é um talento. E nem sempre toda pessoa é um talento. Para ser talento, a pessoa precisa possuir algum diferencial competitivo que a valorize. Hoje o talento envolve quatro aspectos essenciais para a competência individual:


1) Conhecimento. É o saber. Constitui o resultado de aprender a aprender, aprender continuamente e o conhecimento é a moeda mais valiosa do século vinte e um.


2) Habilidade. É o saber fazer. Significa utilizar e aplicar o conhecimento, seja para resolver problemas ou situações ou criar e inovar. Em outras palavras, habilidade é a transformação do conhecimento em resultado.


3) Julgamento. É o saber analisar a situação e o contexto. Significa saber obter dados e informação, ter espírito crítico, julgar os fatos, ponderar com equilíbrio e definir prioridades.


4) Atitude. É o saber fazer acontecer. A atitude empreendedora permite alcançar e superar metas, assumir riscos, agir como agente de mudança, agregar valor, obter excelência e focar resultados. É o que leva a pessoa a alcançar auto-realização do seu potencial.


Talento era o nome dado a uma moeda valiosa na antiguidade. Hoje, é preciso saber atrair, aplicar, desenvolver, recompensar, reter e monitorar este ativo precioso para as organizações. E quem deve fazê-lo? Este é um desafio para toda a organização e não apenas para a área de gestão de pessoas. Trata-se de um ativo importante demais para ficar restrito a uma única e exclusiva área da organização.


Capital humano


O conceito de talento humano conduz necessariamente ao conceito de capital humano - o patrimônio inestimável que uma organização pode reunir para alcançar competitividade e sucesso. O capital humano é composto de dois aspectos principais:


1) Talentos. Dotados de conhecimentos, habilidades e competências que são constantemente reforçados, atualizados e recompensados. Contudo, não se pode abordar o talento isoladamente como um sistema fechado. Sozinho, ele não vai longe, pois precisa existir e coexistir dentro de um contexto que lhe permita liberdade, autonomia e retaguarda para poder se expandir.


2) Contexto. É o ambiente interno adequado para que os talentos floresçam e cresçam. Sem este contexto, os talentos murcham ou fenecem. O contexto é determinado por aspectos como:


a) Arquitetura organizacional com um desenho flexível, integrador e com uma divisão do trabalho que coordene as pessoas e o fluxo dos processos e das atividades de maneira integrada. A organização do trabalho deve facilitar o contrato e a comunicação com as pessoas.


b) Cultura organizacional democrática e participativa que inspire confiança, comprometimento, satisfação, espírito de equipe. Uma cultura baseada em solidariedade e camaradagem entre as pessoas.


c) Estilo de gestão baseado na liderança renovadora e no coaching, com descentralização de poder, delegação e empowerment.


Assim, não basta ter talentos para possuir capital humano. é preciso ter talentos que sejam integrados em um contexto acolhedor. Se o contexto é favorável e incentivador, os talentos podem se desenvolver e crescer. Se o contexto não é adequado, os talentos fogem ou ficam amarrados e isolados. O conjunto de ambos - continente e conteúdo - proporciona o conceito de capital humano.


Isto tem significado importante para a gestão de pessoas: não se trata mais de lidar com pessoas e transformá-las em talentos apenas mas também do contexto onde elas trabalham. Este é o novo papel da gestão de pessoas: lidar com pessoas, com a organização do trabalho delas, com a cultura organizacional que as envolve e com o estilo de gestão utilizado pelos gerentes como gestores de pessoas. E principalmente o fato de que o conceito de capital humano conduz ao conceito de capital intelectual. Aliás, o capital humano é a parte mais importante do capital intelectual.


Capital intelectual


É um dos conceitos mais discutidos recentemente. Ao contrário do capital financeiro - que é basicamente quantitativo, numérico e baseado em ativos tangíveis e contábeis - , o capital intelectual é totalmente invisível e intangível. Daí a dificuldade em geri-lo e quantificá-lo idealmente. O capital intelectual é composto de capital interno, capital externo, e capital humano.


A gestão de pessoas - mais do que nunca - está agora focada no capital humano e nas suas consequências sobre o capital intelectual da organização. Assim, o campo de influência da gestão de pessoas, como também à organização e aos clientes.


Referência:


Chiavenato, Idalberto. Gestão de pessoas : o novo papel dos recursos humanos nas organizações  - 3ª edição - Rio de Janeiro : Elsevier, 2010 - 6ª reimpressão. ( pp. 33 - 60 ).


Mais em: 


https://administradores.com.br/artigos/sociedade-do-conhecimento-1 .

Sociedade em rede: as organizações inseridas na sociedade numa abordagem sistêmica

Resumo


A teoria dos sistemas é uma decorrência da teoria geral de sistemas desenvolvida por Von Bertalanffy e que se espalhou por todas as ciências, influenciando notavelmente a administração. A abordagem sistêmica contrapõe-se à microabordagem do sistema fechado. O conceito de sistemas é complexo: para a correta compreensão torna-se necessário o conhecimento de algumas características dos sistemas - propósito, globalismo, entropia e homeostasia - bem como os tipos possíveis e dos parâmetros dos sistemas - entrada, processo, saída, retroação e ambiente. O sistema aberto é o que melhor permite uma análise ao mesmo tempo profunda e ampla das organizações. As organizações são abordadas com sistemas abertos, pois o seu comportamento é probabilístico; e não determinístico, as organizações fazem parte de uma sociedade maior, constituídas de partes menores; existe uma interdependência entre as partes das organizações; a organização precisa alcançar uma homeostase ou estado firme; as organizações possuem fronteiras ou limites mais ou menos definidos; têm objetivos; caracterizam-se pela morfogênese. Dentro desta abordagem, avulta o modelo de Katz e Kahn - importação-processamento-exportação - com características de primeira e segunda ordens. Por outro lado, o modelo sociotécnico da Tavistock representa igualmente uma abordagem sistêmica calcada sobre dois subsistemas: o técnico e o social. 


Introdução


A sociedade em rede, segundo a teoria dos sistemas é um ramo específico da teoria geral dos sistemas. Com ela, a abordagem sistêmica chegou à teoria geral da administração a partir da década de sessenta e tornou-se integrante dela.


Origens da teoria de sistemas


A teoria geral de sistemas surgiu com os trabalhos do biólogo alemão Luswig von Bertalanffy. A teoria geral de sistemas não busca solucionar problemas ou tentar soluções práticas, mas produzir teorias e formulações conceituais para aplicações na realidade empírica. Os pressupostos básico da teoria geral de sistemas são:


a) Existe uma tendência para a integração das ciências naturais e sociais.


b) Esta integração parece orientar-se rumo a uma teoria dos sistemas.


c) A teoria dos sistemas constitui o modo mais abrangente de estudar os campos não físicos do conhecimento científico, como as ciências sociais.


d) A teoria dos sistemas desenvolve princípios unificadores que atravessam verticalmente os universos particulares das diversas ciências envolvidas, visando ao objetivo da unidade da ciência.


e) A teoria dos sistemas conduz a uma integração na educação científica.


Bertalanffy critica a visão que se tem do mundo dividida em diferentes áreas, como física, química, bilogia, psicologia, sociologia, etc. São divisões arbitrárias e com fronteiras solidamente definidas. E espaços vazios ( áreas brancas ) entre elas. A natureza não está dividida em alguma destas partes. A teoria geral de sistemas afirma que se deve estudar os sistemas globalmente, envolvendo todas as interdependências de suas partes. A água é diferente do hidrogênio e do oxigênio que a constituem. O bosque é diferente das suas árvores.


A teoria geral de sistemas fundamenta-se em três premissas básicas:


a) O sistemas existem dentro de sistemas. Cada sistema é constituído de subsistemas e, ao mesmo tempo, faz parte de um sistema maior, o supra-sistema. Cada subsistema pode ser detalhado em seus subsistemas componentes, e assim por diante. Também o supra-sistema faz parte de um supra-sistema maior. Este encadeamento parece ser infinito. As moléculas existem dentro de células, que existem dentro de tecidos, que compõem os órgãos, que compõem os organismos, e assim por diante.


b) Os sistemas são abertos. É uma decorrência da premissa anterior. Cada sistema existe dentro de um meio ambiente constituído por outros sistemas. Os sistemas abertos são caracterizados por um processo infinito de intercâmbio com o seu ambiente para trocar energia e informação.


c) As funções de um sistema dependem de sua estrutura. Cada sistema tem um objetivo ou finalidade que constitui seu papel no intercâmbio com outros sistemas dentro do meio ambiente.


A teoria de sistemas introduziu-se na teoria administrativa por várias razões:


a) A necessidade de uma síntese e integração das teorias que a precederam, esforço tentado sem muito sucesso pelas teorias estruturalista e comportamental. Todas as teorias anteriores tinham um ponto fraco: a microabordagem. Elas lidavam com pouquíssimas variáveis da situação total e reduziram-se a algumas variáveis impróprias e que não tinham tanta importância em administração.


b) A cibernética permitiu o desenvolvimento e a operacionalização das ideias que convergiam para uma teoria de sistemas aplicada à administração.


c) Os resultados bem-sucedidos da aplicação da teoria de sistemas nas demais ciências.


O conceito de sistemas proporciona ma visão compreensiva, abrangente, holística e gestáltica de um conjunto identidade total. A análise sistêmica - ou análise de sistemas - das organizações permite revelar o geral no particular, indicando as propriedades gerais das organizações de uma maneira global e totalizante, que não são reveladas pelos métodos ordinários de análise científica. Em suma, a teoria de sistemas permite reconceituar os fenômenos dentro de uma abordagem global, permitindo a inter-relação e a integração de assuntos que são, na maioria das vezes, de natureza completamente diferentes.


Conceitos de sistemas


A palavra sistema denota um conjunto de elementos interdependentes e interagentes ou um grupo de unidades combinadas que formam um todo organizado. Sistema é um conjunto formando um todo unitário.


Características dos sistemas


Os sistemas apresentam características próprias. O aspecto mais importante do conceito de sistema é a ideia de um conjunto de elementos interligados para formar um todo. O todo apresenta propriedades e características próprias que não são encontradas em algum dos elementos isolados. É o que se chama de emergente sistêmico: uma propriedade ou característica que existe no sistema como um todo e não existe em seus elementos em particular. As características da água são totalmente diferentes do hidrogênio e do oxigênio que a formam.


Da definição de Bertalanffy, segundo a qual o sistema é um conjunto de unidades reciprocamente relacionadas, decorrem dois conceitos: o de propósito ( ou objetivo ) e o de globalismo ( ou totalidade ). Estes dois conceitos retratam duas características básicas do sistema.


a) Propósito ou objetivo. Todo sistema tem um ou alguns propósitos ou objetivos. As unidades ou elementos ( o objetos ), bem como os relacionamentos, definem um arranjo que visa sempre a um objetivo ou finalidade a alcançar.


b) Globalismo ou totalidade. Todo sistema tem uma natureza orgânica, pela qual uma ação que produza mudança em uma das unidades do sistema deverá produzir mudanças em todas as suas outras unidades. Em outros termos, qualquer estimulação em qualquer unidade do sistema afetará todas as unidades devido ao relacionamento existente entre elas. O efeito total destas mudanças ou alterações proporcionará um ajustamento de todo o sistema. O sistema sempre reagirá globalmente a qualquer estímulo produzido em qualquer parte ou unidade. Na medida em que o o sistema sofre mudanças, o ajustamento sistemático é contínuo. Das mudanças e dos ajustamentos contínuos do sistema decorrem dois fenômenos: o da entropia e o da homeostasia.


Na verdade, o enfoque de sistemas - como uma série de atividades e processos fazendo parte de um todo maior - é uma maneira de olhar o mundo e a si mesmo. No passado, até se podiam visualizar sistemas, mas não haviam meios tecnológicos para se perceber esta visão. A produção em massa exemplifica um enfoque de sistemas. Ela não é apenas uma coleção de coisas, mas um conceito e uma visão unificadora do processo produtivo que requer um grande número de coisas  - como máquinas, equipamentos e instalações - mas não começa com estas coisas: elas é que decorrem da visão do sistema. A ideia de sistema lembra conectividade, integração e totalidade.


Painel: vários conceitos de sistemas


Sistema é um conjunto de elementos em interação recíproca.


Sistema é um conjunto de partes reunidas que se relacionam entre si formando uma totalidade.


Sistema é um grupo de unidades combinadas que formam um todo organizado cujas características são diferentes das das características das unidades.


Sistema é um todo organizado ou complexo; um conjunto ou combinação de coisas ou partes, formando um todo complexo ou unitário orientado para uma finalidades.


Tipos de sistemas


Há uma variedade de sistemas e várias tipologias para classificá-los. Os tipos de sistemas são:


a) Quanto à sua constituição, os sistemas podem ser físicos ou abstratos:


i) Sistemas físicos ou concretos. São compostos de equipamentos, maquinaria, objetos e coisas reais. São denominados hardware. Podem ser descritos em termos quantitativos de desempenho.


ii) Sistemas abstratos ou conceituais. São compostos de conceitos, filosofias, planos, hipóteses e ideias. Aqui, os símbolos representam atributos e objetos, que muitas vezes só existem no pensamento das pessoas. São denominados software.


b) Quanto à natureza, os sistemas podem ser fechados ou abertos:


i) Sistemas fechados. Não apresentam intercâmbio com o meio ambiente que o circunda, pois são herméticos a qualquer influência ambiental. Sendo assim, não recebem influência do ambiente e num influenciam o ambiente. Não recebem algum recurso externo e nada produzem que seja enviado para fora. A rigor, não existem sistemas fechados na acepção exata do termo. A denominação sistemas fechados é dada aos sistemas cujo comportamento é determinístico e programado e que operam com pequeno e conhecido intercâmbio de matéria e energia com o meio ambiente. Também o termo é utilizado para os sistemas estruturados, onde os elementos e as relações combinam-se de maneira peculiar e rígida, produzindo uma saída invariável. São os chamados sistemas mecânicos, como as máquinas e os equipamentos.


ii) Sistemas abertos. Apresentam relações de intercâmbio com o ambiente por meio de inúmeras entradas e saídas. Os sistemas abertos trocam matéria e energia regularmente com o meio ambiente. São adaptativos, isto é, para sobreviver devem ajustar-se constantemente às condições do meio. Mantêm- um jogo recíproco com o ambiente e sua estrutura é otimizada quando o conjunto de elementos do sistema se organiza através de uma operação adaptativa. A adaptabilidade é um contínuo processo de aprendizagem e auto-organização.


Parâmetros dos sistemas


O sistema é caracterizado por parâmetros cibernéticos. Parâmetros são constantes arbitrárias que caracterizam, por suas propriedades, o valor e a descrição dimensional de um sistema ou componente do sistema. Os parâmetros dos sistemas são: entrada, saída, processamento, retroação e ambiente.


a) Entrada ou insumo ( imput ) é a força ou impulso de arranque ou de partida do sistema que fornece material ou componente do sistema que fornece material ou energia ou informação para a operação do sistema. Recebe também o nome de importação.


b) Saída ou produto ou resultado ( output ) é a consequência para a qual se reuniram elementos e relações do sistema. Os resultados de um sistema são as saídas. Estas devem ser congruentes ( coerentes ) com o objetivo do sistema. Os resultados dos sistemas são finais ( conclusivos ), enquanto os resultados dos subsistemas são intermediários. Recebe o nome de exportação.


c) Processamento ou processador ou transformador ( throughput ) é o mecanismo de conversão das entradas em saídas. O processador está empenhado na produção de um resultado. O processador pode ser representado pela caixa negra: nela entram o insumo e dela saem os produtos.


d) Retroação, retroalimentação, retroinformação ( feedback ) ou alimentação de retorno é a função de sistema que compara a saída com um critério ou padrão previamente estabelecido. A retroação tem por objetivo o controle, ou seja, o estado de um sistema sujeito a um monitor. Monitor é uma função de guia, direção e acompanhamento. Assim, a retroação é um subsistema planejado para sentir a saída ( registrando sua intensidade ou qualidade ) e compará-la com um padrão ou critério preestabelecido para mantê-la controlada dentro daquele padrão ou critério evitando desvios. A retroação visa a manter o desempenho de acordo com o padrão ou critério escolhido.


e) Ambiente é o meio que envolve externamente o sistema. O sistema aberto recebe suas entradas do ambiente, processa-as e efetua saídas ao ambiente, de tal forma que existe entre ambos - sistema e ambiente - uma constante interação. O sistema e o ambiente encontram-se inter-relacionados e interdependentes. Para que o sistema seja viável e sobreviva, ele deve adaptar-se ao ambiente por meio de uma constante interação. Assim, a viabilidade ou a sobrevivência de um sistema depende de sua capacidade de adaptar-se, mudar e responder às exigências e demandas do ambiente externo. O ambiente serve como fonte de energia, materiais e informação ao sistema. Como o ambiente muda continuamente, o processo de adaptação do sistema deve ser sensitivo e dinâmico. Esta abordagem ecológica indica que o ambiente pode ser um recurso para o sistema como pode também ser uma ameaça à sua sobrevivência.


O sistema aberto


O sistema aberto se caracteriza por um intercâmbio de transações com o ambiente e conserva-se constantemente no mesmo estado ( autorregulação ) apesar de a matéria e a energia que o integram se renovarem constantemente ( equilíbrio dinâmico ou homeostase ). O organismo humano, por exemplo, não pode ser considerado uma mera aglomeração de elementos separados, mas um sistema definido que possui integridade e organização. Assim, o sistema aberto - como o organismo  -é influenciado pelo meio ambiente i influi sobre ele, alcançando um estado de equilíbrio dinâmico neste meio. O modelo de sistema aberto é um complexo de elementos em interação e intercâmbio contínuo com o ambiente. por esta razão, a abordagem sistêmica provocou profundas repercussões na teoria administrativa.


Existem diferenças fundamentais entre os sistemas abertos - os sistemas biológicos e sociais, como célula, planta, homem, organização, sociedade - e os sistemas fechados - como os sistemas físicos, as máquinas, o relógio, o termostato - a saber:


a) O sistema aberto está em constante interação dual com o ambiente. Dual no sentido de que o influencia e é por ele influenciado. Age ao mesmo tempo, como variável independente e como variável dependente do ambiente. O sistema fechado não interage com o ambiente.


b) O sistema aberto tem capacidade de crescimento, mudança, adaptação ao ambiente e até autorreprodução sob certas condições ambientais. O sistema fechado não tem esta capacidade. Portanto, o estado atual, final ou futuro do sistema aberto não é, necessária nem rigidamente, condicionado por seu estado original ou inicial, porque o sistema aberto tem reversibilidade. Enquanto isto, o estado atual e futuro ou final do sistema fechado será sempre o seu estado original ou inicial.


c) É contingência do sistema aberto competir com outros sistemas, o que não ocorre com o sistema fechado.


A organização como um sistema aberto


O conceito de sistema aberto é perfeitamente aplicável à organização empresarial. A organização é um sistema criado pelo homem e mantém uma dinâmica interação com seu meio ambiente, sejam clientes, fornecedores, concorrentes, entidades sindicais, órgãos governamentais e outros agentes externos. Influi sobre o meio ambiente e recebe influência dele. Além disto, é um sistema integrado por diversas partes ou unidades relacionadas entre si, que trabalham em harmonia uma com as outras, com a finalidade de alcançar uma série de objetivos, tanto da organização como de seus participantes.


Em suma, o sistema aberto pode ser compreendido como um conjunto de partes em constante interação e interdependência, constituindo um todo sinérgico ( o todo é maior do que a soma das partes ), orientado para determinados propósitos ( comportamento teleológico orientado para fins ) e em permanente relação de interdependência com o ambiente ( entendida como a dupla capacidade de influenciar o meio externo e ser por ele influenciado ).


Características das organizações como sistemas abertos


As organizações possuem as características de sistemas abertos, a saber:


a) Comportamento probabilístico e não determinístico. Como todos os sistemas sociais, as organizações são sistemas abertos afetados por mudanças em seus ambientes, denominadas variáveis externas. O ambiente inclui variáveis desconhecidas e incontroláveis. Por esta razão, as consequências dos sistemas sociais são probabilísticas e não determinísticas e seu comportamento não é totalmente previsível. As organizações são complexas e respondem a muitas variáveis ambientais que não são totalmente compreensíveis.


b) As organizações como partes de uma sociedade maior e constituídas de partes menores. As organizações são vistas como sistemas dentro de sistemas. Os sistemas são complexos de elementos colocados em interação. Esta focalização incide mais sobre as relações entre os elementos interagentes cuja interação produz uma totalidade que não pode ser compreendida pela simples análise das várias partes tomadas isoladamente.


c) Interdependência das partes. A organização é um sistema social cujas partes são independentes mas inter-relacionadas. O sistema organizacional compartilha com os sistemas biológicos a propriedade de interdependência de suas partes, de modo que a mudança em uma das partes provoca impacto sobre as outras. A organização não é um sistema mecânico no qual uma das partes pode ser mudada sem um efeito concomitante sobre as outras partes. Devido à diferenciação provocada pela divisão do trabalho, as partes precisam ser coordenadas através de meios de integração e de controle.


d) Homeostase ou estado firme. A organização alcança um estado firme - ou seja, um estado de equilíbrio - quando satisfaz dois requisitos: a unidirecionalidade e o processo.


i) Unidirecionalidade ou constância de direção. Apesar das mudanças do ambiente ou da organização, os mesmos resultados são atingidos. O sistema continua orientado para o mesmo fim, usando outros meios.


ii) Progresso em relação ao fim. O sistema mantém, em relação ao fim desejado, um grau de progresso dentro dos limites definidos como toleráveis. O grau de progresso pode ser melhorado quando a empresa alcança o resultado com menor esforço, com mais precisão e sob condições de variabilidade.


Estes dois requisitos para alcançar o estado firme - unidirecionalidade e progresso - exigem liderança e comprometimento das pessoas com o objetivo final a ser alcançado.


Além do mais, a organização - como um sistema aberto - precisa conciliar dois processos opostos, ambos imprescindíveis para a sua sobrevivência, a saber:


iii) Homeostasia. é a tendência do sistema em permanecer estático ou em equilíbrio, mantendo inalterado o seu status quo interno.


iv ) Adaptabilidade. é a mudança do sistema no sentido de ajustar-se aos padrões requeridos em sua interação com o ambiente externo, alterando o seu status quo interno para alcançar um equilíbrio frente a novas situações.


e) Fronteiras ou limites. Fronteira é a linha que demarca e define o que está dentro e o que está fora do sistema ou subsistema. Nem sempre a fronteira existe fisicamente. Os sistemas sociais têm fronteiras que se superpõem. Um indivíduo pode ser membro de duas organizações, concomitantemente: o sistema A e o B.


As organizações t~em fronteiras que as diferenciam dos ambientes. As fronteiras variam quanto ao grau de permeabilidade: são linhas de demarcação que podem deixar de passar maior ou menor intercâmbio com o ambiente. As transações entre organização e ambiente são feitas pelos elementos situados nas fronteiras organizacionais, isto é, na periferia da organização. A permeabilidade das fronteiras define o grau de abertura do sistema em relação ao ambiente. É por meio da fronteira que existe a interface. Interface é a área ou canal entre os diferentes componentes de um sistema através do qual a informação é transferida ou ou intercâmbio de energia, matéria ou informação é realizado.


f) Morfogênese. Diferentemente dos sistemas mecânicos e mesmo dos sistemas biológicos, o sistema organizacional tem a capacidade de modificar a si próprio e sua estrutura básica: é a propriedade morfogênica das organizações, considerada por Buckley a característica identificadora das organizações. Uma máquina não pode mudar suas engrenagens e um animal não pode criar uma cabeça a mais. Porém, a organização pode modificar sua constituição e estrutura por um processo cibernético, por meio do qual os seus membros comparam os resultados desejados com os resultados obtidos e detectam os erros que devem ser corrigidos para modificar a situação.


g) Resiliência. Em linguagem científica, a resiliência é a capacidade de superar o distúrbio imposto por um fenômeno externo. Como sistemas abertos, as organizações têm capacidade de enfrentar e superar perturbações externas provocadas pela sociedade sem que desapareça seu potencial de auto-organização. A resiliência determina o grau de defesa ou de vulnerabilidade do sistema a pressões ambientais externas. Isto explica que quando uma organização apresenta elevada resiliência as tentativas de recauchutagem de modelos tradicionais e burocráticos sofrem forte resistência ao avanço da inovação e da mudança.


Modelos de organização


Existem vários modelos de organização como um sistema aberto. Serão abordados três deles: o modelo de Schein, kartz e Kanh e o modelo sociotécnico.


a) Modelo de Schein. Schein propõe alguns aspectos que a teoria de sistemas considera na definição de organização:


i) A organização é um sistema aberto, em constante interação como o meio, recebendo matéria prima, pessoas, energia e informações e transformando-as ou convertendo-as em produtos e serviços que são exportados para o meio ambiente.


ii) A organização é um sistema com objetivos ou funções múltiplas que envolvem interações múltiplas com o ambiente.


iii) A organização é um conjunto de subsistemas em interação dinâmica uns com os outros. Deve-se analisar o comportamento dos subsistemas em vez de focalizar o comportamentos individuais.


iv) Os subsistemas são mutuamente dependentes e as mudanças ocorridas em um deles afetam o comportamento dos outros.

v) A organização existe em um ambiente dinâmico que compreende outros sistemas. O funcionamento da organização não pode ser compreendido sem considerar as demandas impostas pelo meio ambiente.


vi) Os múltiplos elos entre a organização e seu meio ambiente tornam difícil a clara definição e seu meio ambiente tornam difícil a clara definição das fronteiras organizacionais.


b) Modelo de Katz e Kahn. Katz e Kahn desenvolveram um modelo de organização por meio da aplicação da teoria dos sistemas à teoria administrativa. No modelo proposto, a organização apresenta as características típicas de um sistema aberto.


i) A organização como um sistema aberto. A organização é um sistema aberto que apresenta as seguintes características:


- Importação ( entradas ). A organização recebe insumos do ambiente e depende de suprimentos renovados de energia de outras instituições ou de pessoas. Nenhuma estrutura social é autossuficiente ou autocontida.


- Transformação ( processamento ). Os sistemas abertos transformam a energia recebida. A organização processa e transforma seus insumos em produtos acabados, mão de obra treinada, serviços, etc. Estas atividades acarretam alguma reorganização das entradas.


- Exportação ( saídas ). Os sistemas abertos exportam seus produtos, serviços ou resultados para o meio ambiente.


- Os sistemas são ciclos de eventos que se repetem. O funcionamento do sistema aberto consiste em ciclos recorrentes de importação - transformação - exportação. A importação e a exportação são transações que envolvem o sistema e setores do seu ambiente imediato, enquanto a transformação é um processo contido dentro do próprio sistema. As organizações reciclam constantemente suas operações ao longo do tempo.


- Entropia negativa. A entropia é um processo pelo qual todas as formas organizadas tendem à exaustão, à desorganização, á desintegração e, no fim, à morte. para sobreviver, os sistemas abertos precisam mover-se para deterem o processo entrópico e se reabastecerem de energia, mantendo indefinidamente sua estrutura organizacional. É um processo reativo de obtenção de reservas de energia que recebe o nome de entropia negativa ou negentropia.


- Informação como insumo, retroação negativa e processo de codificação. Os sistemas abertos recebem insumos, como materiais ou energia, que são transformados ou processados. Recebem também entradas de caráter informativo, que proporcionam sinais à estrutura sobre o ambiente e sobre seu próprio funcionamento em relação a ele.


- Estado firme e homeostase dinâmica. O sistema aberto mantém uma certa constância no intercâmbio de energia importada e exportada do ambiente, assegurando o seu caráter organizacional e evitando o processo entrópico. Assim, os sistemas abertos caracteriza-se por um estado firme: existe um influxo contínuo de energia do ambiente exterior e uma exportação contínua dos produtos dos sistema, porém, o quociente de intercâmbios de energia e as relações entre as partes continuam os mesmos. O estado firme é observado no processo homeostático que regula a temperatura do corpo: as condições externas de temperatura e umidade podem variar, mas a temperatura do corpo permanece a mesma. A tendência mais simples do estado firme é a homeostase e seu princípio básico é a preservação do caráter do sistema: o equilíbrio quase-estacionário proposto por Lewin. Segundo este conceito, os sistemas reagem à mudança ou antecipam-na por intermédio do crescimento que assimila as novas entradas de energia nas suas estruturas. Os altos e baixos deste ajustamento contínuo nem sempre trazem o sistema de volta ao seu nível primitivo. Assim, os sistemas vivos apresentam um crescimento ou expansão, no qual maximizam seu caráter básico, importando mais energia do que a necessária para a sua saída a fim de garantir sua sobrevivência e obter alguma margem de segurança além do nível imediato de existência.


- Diferenciação. A organização, como sistema aberto, tende à diferenciação, isto é, à multiplicação e à elaboração de funções, o que lhe traz também multiplicação de papéis e diferenciação interna. Os padrões difusos e globais são substituídos por funções especializadas, hierarquizadas e diferenciadas. A diferenciação é uma tendência para a elaboração de estrutura.


- Equifinalidade. Os sistemas abertos são caracterizados pelo princípio de equifinalidade: um sistema pode alcançar, por uma variedade de caminhos, o mesmo resultado final, partindo de diferentes condições iniciais. Na medida em que os sistemas abertos desenvolvem mecanismos regulatórios ( homeostase ) para regular suas operações, a quantidade de equifinalidade é reduzida. Porém, a equifinalidade permanece: existe mais de um modo de o sistema produzir em determinado resultado, ou seja, existe mais de um caminho para o alcance de um objetivo. O estado esta´vel d sistema pode ser atingido a partir de condições iniciais deferentes e por meios diferentes.


- Limites ou fronteiras. Como um sistema aberto, a organização apresenta limites ou fronteiras, isto é, barreiras entre o sistema e ambiente. Os limites ou fronteiras definem a esfera de ação do sistema, bem como o seu grau de abertura ( receptividade de insumos ) em relação ao ambiente.


As organizações constituem uma classe de sistemas sociais, os quais constituem uma classe de sistemas abertos. Como tal, as organizações têm propriedades peculiares e compartilham das propriedades dos sistemas abertos, como entropia negativa, retroinformação, homeostase, diferenciação e equifinalidade. Os sistemas abertos não estão em repouso e nem são estáticos, pois tendem à elaboração e à deferenciação.


ii) características de primeira ordem. As características das organizações como sistemas sociais são as seguintes:


- Os sistemas sociais não têm limitação de amplitude. As organizações sociais estão vinculadas a um mundo concreto de seres humanos, de recursos materiais, de fábricas e de outros artefatos, porém, estes elementos não se encontram em interação natural entre si. O sistema social é independente de qualquer parte física, podendo alijá-la ou substituí-la, pois representa a estruturação de eventos ou acontecimentos então a estruturação de partes físicas. Enquanto os sistemas físicos ou biológicos têm estruturas anatômicas que podem ser identificadas ( como automóveis ou organismos ), os sistemas sociais não podem ser representados por modelos físicos. Há uma enorme diferença entre a estrutura socialmente planejada do sistema social e a estrutura física da máquina ou do organismo humano e do sistema físico ou biológico.


- Os sistemas sociais necessitam de entradas de manutenção e de produção. As entradas de manutenção e de produção. As entradas de manutenção são importações da energia que sustenta o funcionamento do sistema, enquanto as entradas de produção são as importações de energia que é processada para proporcionar um resultado produtivo. As entradas de produção incluem as motivações que atraem as pessoas e as mantêm trabalhando dentro do sistema social.


- Os sistemas sociais têm sua natureza planejada. São sistemas inventados pelo homem e, portanto, imperfeitos. Eles se baseiam em atitudes, crenças, percepções, motivações, hábitos e expectativas das pessoas. Apesar da rotatividade do pessoal, apresentam constância nos padrões de relações.


- Os sistemas sociais apresentam maior variabilidade que os sistemas biológicos. Por isto, os sistemas sociais precisam utilizar forças de controle para reduzir a variabilidade e a instabilidade das ações humanas, situando-as em padrões uniformes e dignos de confiança por parte do sistema social.


- As funções, as normas e os valores são os principais componentes do sistema social. As funções descrevem as forças de comportamento associado a determinadas tarefas a partir dos requisitos da tarefa e constituem formas padronizadas de comportamento, requeridas das pessoas que desempenham as tarefas. As normas são expectativas gerais com caráter de exigência, atingindo a todos os incumbidos de desempenho de função. Valores são as justificações e aspirações ideológicas mais generalizadas. Assim, os comportamentos de função dos membros, as normas que prescrevem e sancionam estes comportamentos e os valores em que as normas se acham implantadas constituem as bases sociopsicológicas dos sistemas sociais para garantir sua integração.


- As organizações sociais constituem um sistema formalizado de funções: representam um padrão de funções interligadas que que definem formas de atividades prescritas ou padronizadas. As regras definem o comportamento esperado das pessoas no sistema e são explicitamente formuladas. Para a imposição das regras existem as sanções.


- O conceito de inclusão parcial: a organização utiliza apenas os conhecimentos e as habilidades das pessoas que lhe são importantes. Os demais aspectos das pessoas são simplesmente ignorados. Assim, a organização não requer e nem solicita a pessoa inteira. As pessoas pertencem a muitas organizações e nenhuma destas é capaz de obter o pleno empenho das suas personalidades. As pessoas incluem-se apenas parcialmente nas organizações.


- A organização em relação ao seu meio ambiente: o funcionamento organizacional deve ser estudado em relação às transações com o meio ambiente. Esta relação envolve os conceitos de sistemas, subsistemas e supersistemas: os sistemas sociais - como sistemas abertos - dependem de outros sistemas sociais. Sua caracterização como subsistemaas, sistemas ou supersistemas depende do grau de autonomia na execução de suas funções.


iii) Cultura e clima organizacionais


Katz e Kahn salientam que cada organização cria sua própria cultura com seus próprios tabus, usos e costumes. A cultura do sistema reflete as normas e os valores do sistema informal, bem como decorre das disputas internas e externas das pessoas que a organização atrai, seus processos de trabalho e distribuição física, as modalidades de comunicação e o exercício da autoridade dentro do sistema. Assim como a sociedade tem uma herança cultural, as organizações sociais possuem padrões distintivos de sentimentos e crenças coletivos, que são transmitidos aos novos membros.


iv) Dinâmica de sistema


Para poderem se manter, as organizações sociais recorrem à multiplicação de mecanismos, pois lhes falta a estabilidade intrínseca dos sistemas biológicos. Assim, as organizações sociais criam mecanismos de recompensas a fim de vincular seus membros aos sistema, estabelecem normas e valores para justificar e estimular as atividades requeridas e as estruturas de autoridade para controla e dirigir o comportamento organizacional.


v) Conceito de eficácia organizacional 


Como sistemas abertos, as organizações sobrevivem enquanto forem capazes de manter negentropia, isto é, importação sob todas as formas, de quantidades maiores de energia do que elas devolvem ao ambiente como produto. A razão é óbvia. Uma parte da entrada de energia em uma organização é investida diretamente e objetivada como saída organizacional. Porém, uma parte da entrada absorvida é consumida pela organização. Para fazer o trabalho de transformação, a própria organização precisa ser criada, receber energia a ser mantida e tais requisitos estão refletidos na inevitável perda de energia entre a entrada e a saída.


vi) Organização como um sistema de papéis


Papel é o conjunto de atividades solicitadas de um indivíduo que ocupa uma determinada posição em uma organização. Os requisitos podem ser óbvios ao indivíduo devido ao seu conhecimento da tarefa ou do processo técnico, ou lhe podem ser comunicados pelos membros da organização que solicitam, ou dependem de seu comportamento no papel para que possam atender às expectativas de seus próprios cargos. Assim, a organização consiste em papéis ou aglomerados de atividades esperadas dos indivíduos e que se superpõem. A organização é uma estrutura de papéis. Ou seja, um sistema de papéis.


c) Modelo sociotécnico de Tavistock


O modelo sociotécnico de Tavistock foi proposto por sociólogos e psicólogos do Instituto de Relações Humanas de Tavistock. Para eles, a organização é um sistema aberto em interação constante com seu ambiente. Mais dos que isto, a organização é um sistema sociotécnico estruturado sobre dois subsistemas:


i) Subsistema técnico. Que compreende as tarefas desempenhadas, as instalações físicas, os equipamentos e instrumentos utilizados, as exigências da tarefa, as utilidades e técnicas operacionais, o ambiente físico e a maneira como está arranjado, bem como a operação das tarefas. Em resumo, o subsistema técnico envolve a tecnologia, o território e o tempo. É responsável pela eficiência potencial da organização.


ii) Subsistema social. Que compreende as pessoas, suas características físicas e psicológicas, as relações sociais entre os indivíduos encarregados de execução de da tarefa, bem como as exigências das organizações formal e informal na situação de trabalho. O subsistema social transforma a eficiência potencial potencial em eficiência real.


A abordagem sociotécnica concebe a organização como a combinação da tecnologia ( exigências de tarefa, ambiente físico, equipamento disponível ) com um subsistema social ( sistema de relações entre aqueles que realizam a tarefa ). Os subsistemas tecnológico e social acham-se em uma interação mútua e recíproca e cada um determina o outro, até certo ponto. A natureza da tarefa influencia ( e não determina ) a natureza da organização das pessoas, bem como as características psicossociais das pessoas influenciam ( e não determinam ) a forma em que determinado cargo será executado.


O modelo de sistema aberto proposto pela abordagem sociotécnica parte do pressuposto de que toda organização importa várias coisas do meio ambiente e utiliza estas importações em processos de conversão, para então exportar produtos e serviços que resultam do processo de conversão. As importações são constituídas de informações sobre o meio ambiente, matérias-primas, dinheiro, equipamento e pessoas implicadas na conversão em algo que deve ser exportado e que cumpre exigências do meio ambiente. A tarefa primária da organização reside em sobreviver dentro deste processo cíclico de:


i) Importação. Aquisição de matérias primas.


ii) Conversão. Transformação das importações em exportações, ou seja, dos insumos em produtos ou serviços.


iii) Exportação. Colocação dos resultados da importação e da conversão.


Referência:


Chiavenato, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração /  8ª edição - Rio de Janeiro : Elsevier, 2011. ( pp. 443-465 ).


Mais em:


https://administradores.com.br/artigos/sociedade-em-rede-1  .

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Licitações: após prisão de Garcia, presidente da Assembleia de SC, ALESC elege novo presidente

Nesta segunda-feira ( primeiro de fevereiro de dois mil e vinte e um ), os deputados estaduais do Estado de Santa Catarina ( SC ) vão eleger o novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado de SC ( ALESC ). A sessão preparatória para eleição começa às quatorze horas no Plenário Deputado Osni Régis, no Palácio Barriga Verde, em Florianópolis ( Capital do Estado de SC ).

Palácio Barriga Verde, sede da Alesc em Florianópolis
Palácio Barriga Verde, sede da ALESC em Florianópolis
( Foto: )

Nesta segunda-feira ( primeiro de fevereiro de dois mil e vinte e um ), os deputados estaduais do Estado de Santa Catarina ( SC ) vão eleger o novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado de SC ( ALESC ). A sessão preparatória para eleição começa às quatorze horas no Plenário Deputado Osni Régis, no Palácio Barriga Verde, em Florianópolis ( Capital do Estado de SC ).

Pelas articulações políticas, existe a expectativa de que o deputado Mauro de Nadal ( do Movimento Democrático Brasileiro - MDB ) seja eleito presidente. Atualmente, ele é o vice de Julio Garcia ( do Partido Social Democrático - PSD ), deputado que preside a Casa ( * vide nota de rodapé ).

O regimento interno da ALESC estabelece que as candidaturas podem ser apresentadas individualmente ou em chapa, na hora da sessão, e a votação será aberta e nominal, com cada deputado declarando seu voto no microfone.

O presidente pode ser declarado eleito por maioria absoluta, ou seja, dos quarenta deputados, seria necessário o voto de vinte e um. Se não obtiver este total, pode ser eleito por maioria simples. No caso de três ou mais candidatos, os dois mais votados vão para segundo turno, e a escolha também se dá por maioria simples, vence quem tiver o maior número de votos, independente da diferença entre as votações.

A sessão será presidida pelo deputado Romildo Titon ( MDB ), o parlamentar mais idoso entre aqueles com maior número de legislaturas estaduais completas, como determina o regimento interno da ALESC.

Ainda nesta data e rito, o presidente eleito toma posse e convoca outra sessão preparatória, que deve ocorrer no mesmo dia, para escolha dos demais membros da mesa diretora.

Então, os deputados vão eleger primeiro vice-presidente, segundo vice-presidente, primeiro secretário, segundo secretário, terceiro secretário e quarto secretário. Assim como na eleição para a presidência, para estes cargos, a candidatura pode ser individual ou por chapa.

Com esta sessão de segunda-feira, chega ao fim o recesso parlamentar e, na próxima terça-feira ( dois de fevereiro de dois mil e vinte e um ), começam os trabalhos de dois mil e vinte e um, com a leitura da mensagem anual do governador durante uma sessão especial. O horário ainda não foi divulgado pela ALESC.

O presidente e a mesa diretora eleitos, na segunda-feira, desempenham estas funções durante o biênio dois mil e vinte e um - dois mil e vinte e três.


P.S:


Nota de rodapé:


* Mais sobre o afastamento de Garcia em:


https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2021/01/licitacoes-presidente-da-assembleia-de.html .


Com informações de:


Juliana Gomes ( juliana.gomes@somosnsc.com.br ) .