quarta-feira, 17 de julho de 2019

Economia internacional: a competitividade do país e a ação do Estado

A terceira grande mudança ( * vide nova de rodapé ) é o surgimento da economia de símbolos ( os movimentos de capital ), moeda estrangeira e fluxo de crédito ) como o leme da economia mundial, no lugar da economia real ( o fluxo de bens e serviços ), sendo a primeira, em grande parte, independente da segunda. esta mudança é a mais visível, porém a menos compreendida.

o comércio mundial de bens é maior, muito maior, hoje do que jamais foi. O mesmo pode ser dito do comércio invisível, o de serviços. Juntos, os dois somam cerca de dois vírgula cinco a três trilhões de dólares por ano. Entretanto, o mercado de eurodólar de Londres, onde as instituições financeiras do mundo concedem e adquirem empréstimos entre si, gira trezentos bilhões de dólares por dia de operação, ou setenta e cinco trilhões de dólares por ano ( estes números podem ter sofrido atualização depois de apurados ). Isto é pelo mesmo vinte e cinco vezes o volume do comércio mundial.

Além disto, existem as transações ( em sua maior parte, separadas ) de moeda estrangeira nos principais centros monetários do mundo, em que uma moeda é trocada por outra ( por exemplo, dólares americanos por ienes japoneses ). Estas somam cerca de cento e cinquenta bilhões de dólares por dia, ou cerca de  trinta e cinco trilhões de dólares por ano: equivalente a doze vezes o comércio mundial de bens e serviços.

Não importa quanto destes eurodólares, ienes ou francos suíços estejam sendo transferidos de um bolso para o outro e, desta forma, estejam sendo somados mais de uma vez. Existe apenas uma única explicação para a discrepância entre o volume de dinheiro que circula no mundo e aquele que transita no comércio de bens e serviços: movimentações de capital não conectadas ao comércio - e, em boa parte, independentes dele - são muito maiores que o financiamento do comércio.

Não existe ma explicação única para esta explosão dos fluxos monetários internacionais ( ou, talvez com mais precisão, transnacionais ). A mudança das taxas de câmbio de fixas para flutuantes, em mil novecentos e setenta e um, pode ter sido a causadora do ímpeto inicial ( embora, ironicamente, a intenção fosse exatamente oposta ). Isto provocou uma especulação com moedas. A eclosão dos fluxos de fundos líquidos para os produtores de petróleo do Oriente Médio, depois dos dois choques do petróleo, de mil novecentos e setenta e três e mil novecentos e setenta e nove, foi, com certeza, um dos principais fatores. Mas não há dúvida de que o déficit do governo americano também desempenha papel central, atraindo fundos líquidos de todas as partes do mundo para o Buraco Negro em que o orçamento americano se transformou e que, em consequência, tornou os Estados Unidos da América ( EUA ) o maior país devedor do mundo. Este tema á abordado convincentemente por Stephen Marris. Ele foi conselheiro econômico por quase trinta anos da organização para a Cooperação e o Desenvolvmento Econômico ( OCDE ). Em mil novecentos e oitenta e cinco ele discorreu sobre este tema no texto Déficits e o dólar: a economia mundial em risco. trata-se de umap publicação do Instituto de Economia Internacional ( IEI ). com efeito, é possível argumentar que é o déficit do orçamento que está por trás do déficit americanos de comércio e pagamentos, que nada mais é que um empréstimo do vendedor de bens e serviços ao comprador, os EUA ( uma espécie de investimento em contas a receber ). Sem isto, o governo não teria como financia seu déficit orçamentário - ou, pelo menos, não sem o risco de uma inflação explosiva.

De modo geral, o grau de aprendizado do uso da economia internacional pelos grandes países para evitar atacar desagradáveis problemas domésticos não tem precedentes. Os EUA, por exemplo, usam altas taxas de juros para atrair capital estrangeiro e, assim, deixam de enfrentar seu déficit interno; o Japão aumenta ao máximo suas exportações para manter empregos, apesar de uma economia nacional inerte. E esta politização da economia internacional é, certamente, também um fator relevante na extrema volatilidade e instabilidade dos fluxos de capital e das taxas de cãmbio.

Quaisquer que sejam as causas, tudo isto produziu uma mudança básica. Na economia mundial, a economia real, de bens e serviços, e a economia de símbolos, do dinheiro, crédito e capital, não estão mais umbilicalmente ligadas. Na verdade, estão se movendo cada vez mais em direções opostas.

A teoria econômica internacional tradicional ainda é neoclássica e se baseia no fato de que o comércio de bens e serviços determina os fluxos internacionais de capital e as taxas de câmbio de moedas estrangeiras que, no entanto, entre mil novecentos e setenta e mil novecentos e oitenta e seis se movimentaram de forma bem independente do comércio internacional, sendo que, em algumas ocasiões ( por exemplo, na alta do dólar ocorrido entre mil novecentos e oitenta e quatro e mil novecentos e oitenta e cinco ), em direção oposta.

Entretanto, a economia mundial tampouco se encaixa no modelo keynesiano, em que a economia de símbolos determina a economia real. E as relações entre as turbulências das economias internacional e nacional se tornaram um tanto obscuras. Apesar de seu déficit comercial até então inédito, os EUA, por exemplo, não tiveram deflação e, a duras penas, mantiveram na época a inflação sob controle. Além disto, conseguiram ter, ao lado do Japão, a menor taxa de desemprego entre as principais potências industriais. Sua taxa chegou a ser menor, por exemplo, do que a da então Alemanha ocidental, cujas exportações de bens manufaturados e superávits comerciais cresciam tão rapidamente quanto os do Japão. Da mesma forma, apesar do crescimento exponencial das exportações e de um até então inédito superávit comercial, a economia interna japonesa não estava crescendo no mesmo ritmo, tendo se mantido notavelmente inerte, sem gerar quaisquer novos postos de trabalho.

E qual será o provável resultado disto? Os economistas partem do pressuposto de que as duas economias, a real e a de símbolos, deverão convergir novamente. Contudo, eles discordam - e com veemência - quanto ao aspecto de este movimento ser um pouso suave ou um choque frontal.

No cenário do pouso suave - com o qual o então governo do ator Ronald Reagan estava comprometido, assim como os governos da maioria dos países desenvolvidos - , a expectativa era de que tanto o déficit do governo americano quanto o déficit comercial do país diminuíram de forma conjunta até que ambos se transformaram em superávit - ou, pelo menos, se equilibraram - até o começo da década de noventa. Então, os fluxos de capital e as taxas de câmbio se estabilizaram, com a produção e o emprego em alta e a inflação baixa na maior parte dos países desenvolvidos.

Em agudo contraste com isto, houve o cenário de pouso forçado, em que, a cada ano de déficit, a inadimplência do governo dos EUA, o que, por sua vez, fez o déficit continuar aumentando. Mas cedo ou mais tarde, segundo esta lógica, isto minaria a confiança dos investidores estrangeiros nos EUA e no dólar americano. Alguns experts já consideravam à época esta hipótese iminente. Então, os estrangeiros, segundo a previsão, deixariam de emprestar dinheiro para os EUA e tentariam converter seus dólares em outras moedas. O adeus ao dólar resultante levaria as taxas de câmbio da moeda para o chão, criando também um arrocho de crédito e, talvez, uma crise de liquidez nos EUA. A única dúvida era se isto levaria o país a uma depressão inflacionária, a um renovado e severo surto inflacionário ou - a consequência mais temida - a uma estagflação, isto é, a uma economia deflacionada e estagnada com a moeda inflacionada.

Existia, no entanto, um cenário de pouso forçado totalmente distinto, segundo o qual era o Japão, e não os EUA, que se defrontava com uma aterrissagem difícil - muito difícil. Pela primeira vez na história até então, em tempos de paz, a dívida externa do principal devedor, os EUA, era em sua própria moeda. Para pagar a dívida, o país não necessitava repudiá-la, negociar sua rolagem ou declarar moratória. tudo o que precisaria fazer seria desvalorizar sua moeda, e o credor estrangeiro, na prática, sofreria ma expropriação.

Como credor estrangeiro, leia-se o Japão. O país, à época, tinha cerca de metade dos dólares que os EUA deviam no exterior. Além disto, praticamente todos os seus créditos no exterior também eram em dólares, principalmente porque, até aquele momento, os japoneses resistiram a todas as tentativas de transformar o iene em uma moeda de comércio internacional, já que o governo temia perder o controle sobre ela. Em conjunto, os bancos japoneses detinham à época mais ativos internacionais do que os bancos de qualquer outro país, incluindo os EUA. E praticamente todos estes ativos estavam em dólares americanos - seiscentos e quarenta bilhões. Uma desvalorização do dólar, portanto, traria consequências drásticas para o Japão, que sofreria imediata expropriação.

Além disto, os japoneses poderiam ser as principais vítimas de um pouso forçado em seu comércio exterior e economia interna. A maioria absoluta das exportações do japão ia para os EUA. Se houvesse um pouso forçado, os americanos poderiam ter se tornado protecionistas quase da noite para o dia, uma vez que era improvável que o país permitisse a entrada de gigantescas quantidades de produtos importados caso o nível de desemprego disparasse. Isto causaria desemprego imediato em Tóquio, Nagoia e Hiroshima e poderia efetivamente ter dado início a uma grande depressão no país.

Havia ainda outro cenário de pouso forçado. Nele, nem os EUA nem o Japão - tampouco os demais países industrializados - sofreriam um pouso forçado e, sim, os produtores de matéria-prima que já enfrentavam uma depressão. Praticamente todas as matérias-primas eram negociadas em dólar e seus preços não aumentariam se a amoeda americana fosse desvalorizada. Elas já haviam experimentado uma queda de preços de trinta por cento, entre junho de mil novecentos e oitenta e cinco e janeiro de mil novecentos e oitenta e seis. O Japão, portanto, poderia praticamente não ser afetado por uma desvalorização do dólar. Afinal, o país só precisava e seus dólares excedentes para pagar pelas importações de matérias-primas, uma vez que comprava muito pouco de outras coisas no mercado internacional e não tinha dívida externa. Os EUA, igualmente, talvez nem teriam sofrido e poderiam até ter se beneficiado à medida que as exportações industriais do país iam se tornando mais competitivas. Mas, enquanto os produtores de matérias-primas vendiam, principalmente em dólares, precisavam pagar na moeda de outras nações desenvolvidas por uma boa parte de sua importação de produtos industrializados. os EUA, afinal, embora fosse o maio exportador do mundo de bens industriais à época, ainda eram responsáveis por apenas um quinto ou vinte por cento dos bens industrializados dos mercados mundiais. Quatro quintos ou oitenta por cento eram fornecidos por outros - Alemanha, Japão, França, Grã-Bretanha e assim por diante. Seus preços em dólares americanos provavelmente aumentariam pelas previsões da época. Então, isto poderia ter trazido maior deterioração em termos de comércio dos produtores de matérias-primas já em depressão. Algumas estimativas da possível diminuição chegavam a dez por cento, o que provocaria grande dificuldade para as mineradoras da América do Sul e Rodésia e para os agricultores do Canadá, Kansas e Brasil.

Contudo, existia ainda mais um cenário possível. E não envolvia aterrissagens, nem suaves nem forçadas. E, se os economistas estivessem errados e tanto o déficit de orçamento quanto o déficit comercial dos EUA pudessem seguir indefinidamente, embora, talvez, em níveis mais baixos do que os ocorridos naqueles anos? Isto poderia acontecer se o desejo do mundo exterior de colocar seu dinheiro nos EUA tivesse por base outras considerações que não puramente econômicas - suas próprias políticas internas, por exemplo, ou para escapar dos riscos políticos domésticos, que pareciam ser bem piores, à época, que uma desvalorização do dólar.

Na verdade, este era o único cenário até aquele momento suportado por fatos reais, e não por teorias. Na verdade, já estava em curso.

O governo dos EUA forçou a desvalorização de sua moeda em trinta por cento ( de uma taxa de duzentos e cinquenta ienes para cento e oitenta ienes por dólar ) entre junho de mil novecentos e oitenta e cinco e fevereiro de mil novecentos e oitenta e seis - uma das desvalorizações mais brutais da história ( embora denominada reajuste ), em se tratando de uma moeda forte. Os credores americanos apoiaram à unanimidade a medida. Na verdade, eles a exigiram. Mais incrível ainda é o fato de que, desde então, aumentaram, de forma substancial, seus empréstimos aos EUA. Aparentemente, existe um acordo entre banqueiros internacionais de que, quanto mais os EUA são merecedores de crédito, mas seus credores correm o risco de sair perdendo.

E uma das principais razões para esta atitude, digna de Alice no país das maravilhas, é que os maiores credores do país, os japoneses, claramente preferem sofrer pesadas perdas em relação aos dólares que possuem a ter desemprego no país. Isto porque, sem as exportações para os EUA, o Japão poderá ter uma taxa de desemprego parecida com a da Europa Ocidental, isto é de nove a onze por cento ( em valores da época ), e ainda por cima, concentrada nas indústrias pesadas básicas mais sensíveis, em que o Japão estava se tornando crescentemente vulnerável á concorrência com novos entrantes, como a Coreia do Sul.

Da mesma forma, somente as condições econômicas não chegariam a induzir, segundo previsões da época, os chineses de Hong Kong a sacar o dinheiro que transfeririam para bancos americanos, já antecipando o retorno da província ao domínio da China Comunista, em mil novecentos e setenta e sete - e estes depósitos chegariam à casa dos muitos bilhões. O volume ainda maior, de pelo menos algumas centenas de bilhões, originário da fuga de capitais da América Latina, que encontrou refúgio no dólar, também não seria repatriado em função apenas de incentivos puramente econômicos, como taxas de juros mais altas.

A soma necessária de capital externo para fazer frente ao déficit orçamentário e ao déficit comercial dos EUA teria de ser muito maior para tornar este cenário mais que uma possibilidade. Ainda assim, se os fatores políticos estivessem sob controle, a economia de símbolos permaneceria, segundo previsão da época, então verdadeiramente desencaixada da economia real, pelo menos na esfera internacional.

E, qualquer que fosse o cenário prevalente, nenhum deles prometia retorno à situação considerada  normal como esta normalidade era conhecida na época.

Uma das implicações deste descolamento das economias de símbolos e real era que, daquele momento em diante, as taxas de câmbio entre as principais moedas teriam, segundo previsão da época, de ser tratadas, igualmente, tanto no contexto da teoria econômica quanto no ano da política de negócios, como um fator - importantíssimo - de vantagem comparativa.

A teoria econômica ensina que os fatores de vantagem comparativa da economia real - custos comparados de mão de obra e de produtividade, custos de matérias primas, custos de energia, de transportes e assim por diante - determinam as taxas de câmbio. E praticamente todos os ramos de negócio baseiam suas políticas neste teorema. Entretanto, cada vez mais, as taxas de câmbio são o fator determinante na hora de comparar os custos de mão de obra do país A com os doa país B; elas são um dos principais custos comparativos e estão inteiramente além do controle das empresas. E, então, qualquer empresa que estivesse naquela época exposta á economia internacional devia perceber que atuava em dois negócios simultaneamente. Ela atuaria tanto como produtora de bens ( ou prestadora de serviços ) quanto como organização financeira - e não poderia ignorar nenhum destes dois papeis.

Especificamente, a empresa que atuava no exterior - fosse como exportadora ou através de subsidiárias em outros países - teria de se proteger contra a influência da moeda estrangeira no que diz respeito aos seguintes três fatores:

1) receita de vendas;

2) capital de giro voltado para a produção desstinada a mercados internacionais e

3) investimentos no exterior.

Isto teria de ser feito independentemente de a empresa esperar que o valor de sua própria moeda aumentava ou diminuía. As empresas que realizavam compras no exterior teriam de agir da mesma maneira. Com efeito, até mesmo as organizações que atuavam estritamente no mercado interno, mas que enfrentavam a concorrência estrangeira, teriam de aprender a manter uma salvaguarda contra a moeda em que sua concorrente estrangeira produz. Se as empresas americanas tivessem sido administrada desta maneira durante os anos em que o dólar estava sobrevalorizado, isto é, de mil novecentos e oitenta e dois até mil novecentos e oitenta e cinco, a maior parte das perdas de posição de mercado e em receitas no exterior teria sido evitada. O que aconteceu foram falhas de administração, e não a vontade de Deus. Certamente, os acionistas, mas também o público em geral, tinham todo o direito de esperar que as equipes gerenciais se saíssem melhor numa eventual próxima oportunidade.

Quanto à política de governo, só existe uma conclusão: não se deve ser esperto demais. é tentador explorar a ambiguidade, a instabilidade e a incerteza da economia mundial para ganhar vantagem de curto prazo e adiar decisões políticas não populares. Mas isto não funciona. Com esfeito - es esta é a lição das tês tentativas realizadas - , o desastre é mais provável que o sucesso.

O governo, do ex-presidente dos EUA, Carter desvalorizou o dólar a patamares artificiais para estimular a economia americana por meio do aumento das exportações. E as exportações, de fato, aumentaram - e de forma espetacular. Mas, ao contrário de estimular a economia interna, o resultado foi uma depressão, o que resultou simultaneamente em desemprego recorde e em acelerada inflação - o pior resultado que se poderia esperar.

Então, alguns anos mais tarde, o presidente Reagan aumentou as taxas de juros para conter a inflação e, além disto, valorizou o dólar. A inflação, de fato, ficou sob controle e houve intenso fluxo de capital de fora para dento dos EUA. Entretanto, o dólar se valorizou tanto que provocou um surto de importações. Em consequência desta política, as mais vulneráveis das antigas indústrias pesadas básicas, como a automobilística e a do aço, ficaram expostas a uma concorrência que não tinham como enfrentar, com o dólar valendo duzentos e cinquenta ienes ( ou uma daxa de câmbio frente ao marco alemão de três para um dólar ). Isto lhes subtraiu as receitas de que precisavam para se modernizar. Além disto, esta política destruiu severamente, talvez de forma permanente, a posição competitiva dos produtos agrícolas americanos nos mercados mundiais, e no pior momento possível. e pior ainda: a esperteza do presidente Reagan derrotou seu propósito principal: a redução do déficit do governo americano. Em função das perdas para a concorrência estrangeira, a indústria doméstica americana anão cresceu suficientemente para produzir maiores receitas provenientes de impostos. No entanto, a disponibilidade fácil e quase ilimitada de moeda estrangeira permitiu ao Congresso nacional dos EUA ( e ao governo ) adiar, mais uma vez, as ações necessárias para cortar o déficit.

Também os japoneses talvez tenham sido excessivamente espertos em sua tentativa de explorar o deslocamento entre economia internacional de símbolos e a real. Ao Explorar um iene subvalorizado, os japoneses conseguiram aumentar as exportações, uma política bastante semelhante com aquela existente à época do governo Carter. Contudo, como ocorreu antes nos EUA, a política nipônica fracassou no estímulo à economia interna. Seu crescimento naqueles anos foi pífio, apesar do grande aumento das exportações. Em consequência, os japoneses, como já mencionado, se tornaram perigosamente dependentes de um único cliente: os EUA. E isto os forçou a investir enormes somas no dólar americano, embora todos os japoneses conscientes ( incluindo, é claro, o governo e o Banco Central ) soubessem, o tempo todo, que estes investimento acabariam por sofrer uma grande desvalorização.

Certamente, estas três lições ( * vide nota de rodapé ) deveriam ter ensinado que políticas governamentais aplicadas á economia mundial serão bem-sucedidas, desde que tentem harmonizar as necessidades de duas economias, e não o contrário, ou seja, que tentem explorar sua desarmonia. Ou, repetindo um antigo ditado: Em finanças, não tente ser esperto, mas simples e consciencioso. Entretanto, já havia o receio de que este fosse um conselho que os governos não seguiriam tão cedo.

Ainda é cedo demais até mesmo para tentar adivinhar como ser parecerá a economia do futuro. Será que os principais países, por exemplo, sucumbirão à tradicional reação de medo - isto é, retrocederão ao protecionismo - ou será que encararão a nova economia como uma oportunidade?

Algumas das principais agendas já pareciam claras àquela altura dos acontecimentos.

Entre as mais prioritárias, está a formulação de novas políticas e de novos conceitos de desenvolvimento, especialmente por parte dos países em desenvolvimento com o México ou o Brasil. Eles já não podem ter a expectativa de financiar o seu desenvolvimento por meio das exportações e matérias-primas ( o petróleo mexicano, por exemplo ). Mas também está ficando claro que não seria realista acreditar que seus baixos custos de mão de obra lhes permitiriam exportar grandes quantidades de bens acabados para países desenvolvidos - que ainda era, por exemplo, à época, a expectativa do Brasil. O país se sairia muito melhor se optasse pelo compartilhamento da produção, isto é, se sairia muito melhor se optasse pelo compartilhamento da produção, isto é, se a indústria usasse sua vantagem de mão de obra para atuar como subcontratada de manufaturas estrangeiras para trabalhos que demandassem o uso intensivo de mão de obra que não pode ser automatizada - alguma operação de montagem, por exemplo, ou partes e componentes que devam ser produzidos apenas em pequenas quantidades. Países desenvolvidos já não dispõem de mão de oba para este tipo de trabalho. E, ainda que seja possível levar em conta o mais complexo processo de automação, ainda assim será equivalente a apenas quinze ou vinte por cento do trabalho de manufatura.

Este modelo de compartilhamento da produção, é claro, foi como os chineses não comunistas do sudeste da Ásia - Cingapura, Hong Kong, Taiwan - alavancaram seu desenvolvimento. No entanto, na América Latina o compartilhamento da produção ainda é politicamente inaceitável e, com efeito, anátema. O México, por exemplo, desde o seu começo como país moderno, nos primeiros anos do século vinte, se investe no profundo compromisso de tornar sua economia menos dependente e menos integrada em relação ao grande vizinho do norte. O fato de esta política ter sido um fracasso total durante mais de cem anos apenas reforça seu apelo político e emocional.

Contudo, mesmo que o compartilhamento da produção fosse usado integralmente, isto não produziria, por si só, receita suficiente para alimentar o desenvolvimento, especialmente o de países muito maiores que as cidades-estado chinesas. Portanto, o que é preciso é de um novo modelo e de novas políticas. Será que seria possível, por exemplo, aprender algo com a Índia? Todos conhecem, naturalmente, os problemas daquele país - e são muitos. Contudo, poucos parecem saber que, desde a sua independência, a Índia se desenvolveu melhor do que qualquer outro país do Terceiro Mundo: o maior aumento de produção agrícola; uma taxa de crescimento em produção de manufaturados igual à do Brasil e talvez até mesmo à da Coreia do Sul ( hoje a Índia tem uma economia industrial maior que a da maior parte dos países desenvolvidos ); o surgimento de uma enorme classe média altamente empreendedora; e, provavelmente, a maior conquista: um grande progresso no oferecimento de educação e assistência de saúde em seus pequenos vilarejos. Tudo isto considerado, os indianos não seguiram qualquer dos modelos estabelecidos. Diferentemente de Stalin, Mao Tsé Tung e tantos africanos, eles não espoliaram os pobres para produzir capital para o desenvolvimento industrial. Tampouco exportaram matérias-primas ou produtos derivados da mão de obra barata. Mas, desde a morte de Nehru, em mil novecentos e sessenta e quatro, a Índia encorajou e recompensou a produtividade no campo e patrocinou a produção de bens de consumo e empreendedores locais. A Índia e suas conquistas certamente obterão muito mais atenção daqui em diante do que tiveram no passado.

Também os países desenvolvidos precisam repensar duas políticas em relação ao Terceiro Mundo - principalmente no que diz respeito às esperanças dos países deste bloco, em rápido processo de industrialização. Existem alguns caminhos iniciais: a nova proposta, recentemente apresentada pela Secretaria do Tesouro dos EUA, para as dívidas dos países produtores de itens primários; ou os novos critérios para a concessão de empréstimos, anunciados pelo Banco Mundial ( BIRD ), segundo os quais, de agora em diante, os empréstimos para países do Terceiro Mundo, serão condicionados às políticas gerais de desenvolvimento do solicitante, e não mais à solidez de projetos individuais. Estas propostas, no entanto, visam muito mais a corrigir erros do passado do que propriamente a desenvolver novas políticas.

Outro dos principais itens da agenda é, inevitavelmente, recorrer ao sistema monetário internacional. Desde a Conferência de Brenton Woods, ao final da Segunda Guerra Mundial, este sistema teve por base e moeda de reserva o dólar americano. Isto, claramente, não funciona mais. O país que detém a moeda de reserva deve estar disposto a subordinar suas políticas internas às necessidades da economia internacional. Por exemplo, arriscar o desemprego interno para manter estáveis as taxas de câmbio da moeda. e, no momento da verdade, os EUA se recusaram a fazer isso. Aliás, Keynes já havia previsto isso há setenta anos.

Hoje, a estabilidade que a moeda de reserva deveria proporcionar poderia ser estabelecida somente se os principais países envolvidos no comércio internacional - pelo menos, os EUA, Alemanha e Japão - concordassem em coordenar suas políticas econômica, fiscal e monetária e, talvez até subordiná-las a um processo decisório conjunto - isto é, supranacional como por exemplo, um fórum econômico mundial ou outro órgão permanente para tal finalidade.

seria isto minimamente concebível em uma situação que não envolvesse um colapso financeiro mundial? A experiência europeia, com muito mais modesta Unidade Monetária Europeia ( ECU - European Currency Unit ), até mil novecentos e oitenta e seis, não era muito animadora. Nenhum governo do continente estava disposto a ceder um milímetro que fosse em benefício da ECU. No entanto, o que mais poderia ser feito? Ou será que chegou-se ao fim de uma tentativa, que já durava mais de trezentos anos, de regular e estabilizar dinheiro sobre o qual, em última análise, tanto o Estado nacional moderno quanto o sistema internacional se baseiam em grande parte? A criação do euro talvez tenha sido uma responta a este drama antigo.

Finalmente, existe uma conclusão: a dinâmica da economia se transferiu decisivamente para a economia mundial. A teoria econômica prevalente - seja ela keynesiana, monetarista ou orientada para a oferta - considera a economia nacional, especialmente aquelas dos grandes países desenvolvidos, autônoma, e a unidade tanto da análise econômica quanto da política econômica. A economia internacional pode ser uma restrição e uma limitação, mas não é central, muito menos determinante. Este axioma macroeconômico do economista moderno se tornou crescentemente instável. Os dois grandes países desenvolvidos que se subordinam inteiramente a ele em suas políticas econômicas - Grã-Bretanha e EUA - são os que menos se saíram bem nos últimos trinta anos e os que tiveram o axioma macroeconômico. Ele é ensinado em suas universidades, é claro, mas os formuladores de políticas, tanto no governo quanto na iniciativa privada, o rejeitam. Em vez disto, ambos sempre basearam sua política econômica na economia internacional e, sistematicamente, tentaram se antecipar às suas tendências e explorar as mudanças como oportunidades. Acima de tudo, em suas políticas econômica, fiscal e monetária ( e, em grande parte, até mesmo social ), ambos consideram a posição competitiva do país sua maior prioridade - e a ela normalmente se subordinam todas as condições internas. E, nos últimos sessenta anos, estes dois países se saíram muito melhor, é claro, tanto econômica quanto socialmente, do que a Grã-Bretanha e os EUA. Na verdade, seu foco e sua prioridade na economia mundial talvez sejam o verdadeiro segredo de seu sucesso.

Da mesma forma, o segredo de empresas bem-sucedidas no mundo desenvolvido - as japonesas, os fabricantes de automóveis alemães, como Mercedes e BMW, ASEA e Ericsson na Suécia, IBM e Citibank nos EUA, mas também inúmeras empresas de médio porte especializadas em manufaturas e diversos tipos de serviços - tem sido o fato de que baseiam seus planos e políticas na exploração das mudanças da economia mundial, encarando-as como oportunidades.

De agora em diante, qualquer país - e também qualquer empresa, especialmente as de grande porte - que deseje se sair bem do ponto de vista econômico terá de aceitar que é a economia mundial que dá as cartas e que as políticas econômicas internas serão bem-sucedidas apenas se fortalecerem - ou, pelo menos, não atrapalharem - a posição competitiva internacional dos país.

Isto poderá ser a característica mais importante ( certamente, é a mais impactante ) da nova economia mundial. Outras informações podem ser obtidas no livro As fronteiras da administração, de autoria de Peter F. Drucker.

Continua em

https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2019/07/crescimento-economico-tecnologia-e-o.html .

P.S:

Nota de Rodapé:

* As outras duas mudanças são melhor introduzidas em

https://administradores.com.br/artigos/economia-mundial-a-a%C3%A7%C3%A3o-do-governo-e-das-empresas-na-nova-realidade .

Mais em

https://administradores.com.br/artigos/economia-internacional-a-competitividade-do-pa%C3%ADs-e-a-a%C3%A7%C3%A3o-do-estado .

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Desenvolvimento: o custo da mão de obra e a desindustrialização

A segunda grande mudança da economia mundial ( * vide nota de rodapé ) é o desencaixe da produção industrial do emprego industrial. Aumentar a produção industrial em países desenvolvidos na prática passou a significar a diminuição dos postos de trabalhadores de chão de fábrica, ou operários ( blue-collar workers ou trabalhadores de colarinhos azuis ). Em consequência, os custos de mão de obra estão se tornando cada vez menos importantes como custo comparativo e como fator de concorrência.

Muito se fala, hoje em dia, da desindustrialização dos Estados Unidos da América ( EUA ). Contudo, na verdade, a produção industrial vem aumentando regularmente em volume absoluto e não sofreu qualquer diminuição em termos relativos em relação ao todo da economia daquele país. Desde o fim da Guerra da Coreia, ou seja há mais de sessenta anos, a produção industrial tem se mantido firme, em torno de vinte e três  a vinte e quatro por cento do Produto Interno Bruto ( PIB ) americano, o mesmo acontecendo em todos os principais países industrializados.

Tampouco é verdade que a indústria americana esteja tendo um desempenho medíocre como exportadora. É verdade que o país jamais importou tantos bens manufaturados do Japão e da Alemanha quanto atualmente. Mas também está exportando mais do que nunca - apesar da enorme desvantagem do dólar muito alto, de aumentos salariais maiores que o de produtos principais concorrentes e do quase-colapso de um dos principais mercados industriais, América Latina. Em mil novecentos e oitenta e quatro, ano em que o dólar disparou, as exportações americanas de bens manufaturados cresceram oito vírgula três por cento e, em mil novecentos e oitenta e cinco, tiveram um novo aumento. A participação americana nas exportações mundiais de bens manufaturados era de dezessete por cento em mil novecentos e setenta e oito. Em mil novecentos e oitenta e cinco, havia crescido para vinte por cento. A então chamada Alemanha Ocidental tinha dezoito por cento e o Japão, dezesseis por cento. Assim, os três países eram responsáveis por mais de cinquenta por cento do total.

Portanto, não é a economia americana que está sendo desindustrializada, mas , sim, a força de trabalho.

Entre mil novecentos e setenta e três e mil novecentos e oitenta e cinco, a produção industrial nos EUA, na verdade, aumentou em quase quarenta por cento. Contudo, o número de postos de trabalho da indústria decresceu consistentemente durante aquele mesmo período. Hoje, existem cinco milhões de trabalhadores a menos na indústria americana em comparação ao toral de mil novecentos e setenta e cinco.

No entanto, nos último anos, o nível de emprego nos EUA cresceu mais rápido do que em qualquer período de paz na história, em qualquer países: de oitenta e dois milhões de postos de trabalho para cento e dez milhões, entre mil novecentos e setenta e três e mil novecentos e oitenta e cinco. Isto é, houve aumento de um terço ou trinta e três por cento. Todo este crescimento, contudo, ocorreu em setores não industriais, especialmente os empregos não industriais.

Esta tendência, em si, não é nova. Nos anos vinte, um em cada três ou trinta e três por cento de membros da força de trabalho americana estava empregado na indústria. Nos anos cinquenta, este número ainda era de um em cada quatro ou vinte e cinco por cento. Hoje, é de um em cada seis ou dezesseis e meio por cento - e continua em declínio.

Entretanto, embora esta tendência já venha ocorrendo há muito tempo, ultimamente houve aceleração ao ponto em que, pelo menos em tempos de paz nenhum aumento da produção de manufaturados, por maior que seja, deverá reverter este declínio de longo prazo do número de postos de trabalho industriais ou de sua proporção em relação à força de trabalho total.

E a tendência é a mesma em todos os países desenvolvidos - e, no Japão, é ainda mais pronunciada. De modo que, em mil novecentos e oitenta e cinco já se previa que seria altamente provável que países desenvolvidos como os EUA ou o Japão estivessem empregando na primeira década do século vinte e um, uma proporção da força de trabalho industrial não superior àquela que naquela época empregam na agricultura: cerca de dez por cento. Em mil novecentos e oitenta e cinco, os EUA empregavam cerca de dezoito milhões de pessoas em chão de fábrica na indústria. Portanto, segundo a previsão da época, hoje este número já esteja em torno de dez milhões - no máximo, doze milhões. Em algumas grandes indústrias, esta queda será ainda maior. É extremamente não realista, por exemplo, que a indústria automobilística americana empregue mais do que um terço de sua atual força de trabalho de operários, ainda que a produção possa estar cinquenta por cento maior do que em mil novecentos e oitenta e cinco.

Se uma empresa, uma indústria ou um país não conseguir, neste quarto de século vinte e um, aumentar significativamente a produção e, ao mesmo tempo, reduzir drasticamente a força de trabalho, não poderá ter esperança de se manter competitivo ou até mesmo desenvolvido. O declínio seria relativamente rápido. A Grã-Bretanha tem passado por um declínio industrial nos últimos cinquenta anos em grande parte porque o número de operários por unidade produzida decresceu muito mais lentamente do que em todos os outros países desenvolvidos não comunistas. Ainda assim, a Grã-Bretanha tem o maior índice de desemprego entre estes países - mais de treze por cento ( pode ser que este número não esteja bem atualizado ).

O exemplo citado indica uma equação nova, mas crítica: um país, uma indústria ou uma empresa que coloca a preservação dos postos de trabalho de operários na indústria acima de sua capacidade de ser manter competitivo internacionalmente ( e isto sugere a redução sistemática destes empregos ) em breve não terá nem produção nem empregos fixos. A tentativa de se preservarem postos de trabalho de empregados de chão de fábrica é, na verdade, a receita do desemprego.

Em nível nacional, até o momento, isto só é aceito no japão. Com efeito, os planejadores do país, fossem do governo ou da iniciativa privada, começavam com o pressuposto de que a produção iria dobrar entre os anos dois mil e dois mil e cinco com base em um corte dos empregos de chão de fábrica em torno de vinte e cinco a quarenta por cento. E muitas grandes empresas americanas, como IBM, General Eletric ( GE ) ou as empresas automobilísticas, previam um desenvolvimento paralelo. Implícito nesta previsão estava o fato paradoxal de que um país terá menos desemprego geral quanto mais rápido conseguir diminuir sua força de trabalho de operários na indústria.

Mas esta não era uma conclusão que os políticos, líderes sindicais ou o público em geral pudessem entender ou aceitar facilmente na época.

O que deixará esta questão ainda mais confusa é o fato de se estar vivendo diversas mudanças diferentes e separadas na economia industrial.

Uma delas é a desaceleração da substituição do trabalho manual por conhecimento e capital. Onde, há algumas décadas, falava-se em mecanização, hoje fala-se em robotização ou automação. Isto, na verdade, é muito mais uma mudança de terminologia do que de realidade. Quando Henry Ford introduziu a linha de produção em mil novecentos e nove, cortou em cerca de oitenta por cento, no espaço de dois ou três anos, o número de homens-hora exigido para a produção de um automóvel. Isto é muito mais do que se espera que aconteça como resultado até mesmo da mais radical robotização. Mas não há dúvida de que se está diante de uma nova e aguda aceleração da troca de mão de obra manual por máquinas, isto é, pelos produtos do conhecimento.

Um segundo acontecimento - que, no longo prazo, poderá ser tão ou mais importante - é a mudança de foco em indústrias primordialmente dependentes de mão de obra para outras que são, desde o começo, primordialmente dependentes de conhecimento. Os custos de um microchip semicondutor são formados por setenta por cento de conhecimento e não mais que doze por cento de mão de obra. Da mesma forma, dos custos dos medicamentos, mão de obra representa não mais que dez a quinze por cento, enquanto o conhecimento - pesquisa, desenvolvimento e testes clínicos - chega a quase cinquenta por cento. Contrastando com isto, mesmo em uma linha de produção de automóveis altamente robotizada, os custos de mão de obra ainda chegam a vinte por cento ou vinte e cinco por cento do tota.

Outro acontecimento, altamente confuso, na produção é a inversão da dinâmica de tamanho. Desde os primeiros anos do século vinte, a tendência, em todos os países desenvolvidos, tem sido a construção de fábricas cada vez maiores. Este quadro foi enormemente favorecido pelas economias de escala. Talvez o que seria possível denominar de economias de administração também o tenha favorecido. Até recentemente, a administração moderna parecia ser aplicável apenas em unidades razoavelmente grandes.

Isto passou por uma forte inversão desde os anos sessenta. A diminuição de postos de trabalho na indústria, nos EUA, ocorreu nas grandes organizações, a começar pelas gigantes da indústria automobilística e do aço. Indústrias de pequeno e médio porte ou se mantiveram estáveis ou até mesmo contrataram pessoas. Também no que se refere á posição no mercado, exportações e lucratividade, as empresas de pequeno e, especialmente, de médio porte tiveram desempenho notavelmente melhor que as de grande porte. A mesma reversão da dinâmica de tamanho também está ocorrendo em outros países desenvolvidos, até mesmo no Japão, onde, historicamente, maior era sempre melhor - e o maior de todos era o melhor. Esta tendência se inverteu, mesmo nas indústrias mais antigas. A indústria automobilística mais lucrativa dos últimos não tem sido uma das gigantes, ma suma de médio porte, da Alemanha: a BMW. Em todo o mundo, seja nos EUA, Suécia ou Japão, as únicas indústrias do aço lucrativas têm sido as de médio porte, fabricantes de produtos específicos, como tubos de perfuração de petróleo. Especialmente nos EUA, ou seja, em parte, como resultado do ressurgimento do empreendedorismo. Outra coisa igualmente importante: talvez tenha havido um aprendizado, nos últimos sessenta anos, como gerenciar empresas de pequeno e médio porte - a ponto de que as vantagens do tamanho menor ( por exemplo, facilidade de comunicação e maior proximidade do mercado e do consumidor ) cada vez mais superem o que no passado eram limitações administrativas insuperáveis. Portanto, nos EUA - e também, cada vez mais, em outros países altamente industrializados, como Japão e Alemanha - o dinamismo da economia se transferiu das empresas de grande porte, que dominaram a economia industrial do mundo desde trina anos após a Segunda Guera Mundial, para empresas que, embora muito menores, são administradas profissionalmente e, em grande parte, beneficiadas pelo financiamento público.

Entretanto, há também dois tipos distintos de indústria de transformação: um grupo tem por base matérias-primas - as indústrias que proporcionaram o crescimento econômico dos primeiros três quartos do século vinte; e o outro grupo tem por base a informação e o conhecimento - farmacêuticos, telecomunicações, instrumentos analíticos, processamento de informações, como computadores, e assim por diante. É precisamente neste segundo grupo que o crescimento está concentrado.

Os dois grupos diferem em suas características econômicas, especialmente no que diz respeito à sua posição na economia internacional. Os produtos das indústrias dependentes de matérias-primas devem ser exportados ou importados como produtos. Eles aparecem na balança comercial. os produtos das indústrias que se baseiam em informação podem ser importados ou expotrados tanto como produtos quanto como serviços.

Um antigo exemplo é o livro impresso. Para uma grande editora de livros científicos, os lucros internacionais representam dois terços de suas receitas totais. No entanto, a empresa exporta poucos livros, quase nenhum. Livros são pesados. Ela exporta direitos. Da mesma forma, as exportações mais lucrativas de uma empresa de computadores poderão aparecer nas estatísticas como importações. São as tarifas que alguns dos maiores bancos do mundo, algumas das grandes multinacionais e trading companies japonesas recebem por processar em seus escritórios centrais dados enviados eletronicamente de suas filiais ou de seus clientes de qualquer parte do mundo. Em todos os países desenvolvidos, trabalhadores da indústria de conhecimento já se tornaram o centro da gravidade da força de trabalho, até mesmo em números. Mesmo na indústria transformadora, eles serão em maior número que os trabalhadores de chão de fábrica em menos de uma década. E, então, exportar conhecimento de forma que produza receitas com licenciamentos, tarifas de serviço e royalties poderá efetivamente criar um número bem maior de empregos do que por meio da exportação de bens.

Isto requer, portanto, como o governo em Washington aparentemente já percebeu, ênfase muito maior em políticas de comércio sobre o comércio invisível e na eliminação de barreiras, principalmente das aduaneiras e não aduaneiras, e das referentes ao comércio de serviços, como informação, finanças e seguros, varejo, patentes e até mesmo assistência á saúde. Com efeito, neste século vinte e um, as receitas provenientes do comércio invisível já são ainda maiores para os países desenvolvidos do que as receitas da exportação de bens. Tradicionalmente, o comércio invisível tem sido tratado como um enteado, atraindo pouquíssima atenção. Mas, cada vez mais, ele se tornará o centro das atenções.

Contudo, outra implicação do desencaixe da produção industrial e do emprego industrial é que a escolha entre uma política industrial que favoreça a produção e outra que favoreça o emprego tornou-se uma polêmica questão política pelo resto do século vinte e ainda não acabou em pleno século vinte e um. Historicamente, estas sempre foram consideradas duas faces da mesma moeda. De agora em diante, entretanto, ambas seguirão direções cada vez mais divergentes e irão se tornar alternativamente distintas, talvez até incompatíveis.

Negligência benevolente - a política do governo do ator Ronald Reagan dos EUA nos anos oitenta - pode ter sido a melhor política que alguém poderia desejar - e a única com chance de legar sucesso pelo século vinte e um adentro. Talvez não seja um acidente que os EUA tenha, ao lado do Japão, a mais baixa taxa de desemprego dente os países industrializados desenvolvidos. Apesar disto, certamente há uma necessidade de repor trabalhadores de chão de fábrica redundantes - algo que ninguém ainda sabe como fazer com sucesso. Finalmente, baixos custos de mão de obra provavelmente irão se tornar uma vantagem cada vez menor no comércio internacional porque, nos países desenvolvidos, serão responsáveis por uma parcela cada vez menor dos custos totais. Mas, além disto, os custos totais de processos automatizados são até mesmo mais baixos que aqueles de unidades fabris tradicionais com baixos custos de mão de obra, principalmente porque a automação elimina os custos ocultos, mas extremamente altos, de não trabalho, como os custos de produtos reprovados, dos de má qualidade e do fechamento da linha de produção para a troca de um modelo por outro.

A RCA e a Motorola, produtoras americanas de receptores de televisão, são um exemplo. Ambas quase foram alijadas no mercado por produtos importados de países com custos de mão de obra mais baixos. Ambas, então, automatizaram suas fábricas. O resultado foi que seus produtos Made in USA conseguiram competir com sucesso com os concorrentes importados. Da mesma forma, algumas indústrias têxteis altamente automatizadas nos Estados americanos de Carolina do Norte ( NC ) e Carolina do Sul ( SC ) são capazes de cotar preços muito mais baixos que os de concorrentes estrangeiros com custos de mão de obra muito baixos ( Tailândia, por exemplo ). Igualmente, na produção de semicondutores, algumas empresas americanas têm baixos custos de mão de obra porque todo o trabalho que demanda esta mão de obra é feito no exterior, na África Ocidental, por exemplo. apesar disto, eles são produtores de alto custo, e os japoneses, altamente automatizados, são capazes de facilmente cotar preços mais baixos, embora tenham custos de mão de obra mais altos.

O custo da mão de obra, portanto, irá se tornar cada vez mais importante na concorrência internacional. E este é o custo a respeito do qual os EUA se tornaram, desde o final do século vinte, o país com custos mais altos - e o Japão, o país de custos mais baixos. A reversão da política americana de altas taxas de juros e de alto custo de capital próprio deverá ser, portanto, a prioridade do governo, isto é, exatamente o oposto do foi a política americana dos últimos vinte anos do século vinte. Contudo, é claro, a política americana de defesa conta a inflação exigiria o corte do déficit americano, em vez das altas taxas de juros.

Para os países desenvolvidos, especialmente para os EUA, a queda regular dos custos de mão de obra como um dos principais fatores competitivos poderá vir a ser positivo. Entretanto, para países do Terceiro Mundo, especialmente para os países em processo de rápida industrialização - como o Brasil, por exemplo, ou a Coreia do Sul ou México - , estas notícias não são boas. Dos países do seculo dezenove que se industrializaram rapidamente, um deles, o Japão, conseguiu isto mediante a exportação de matérias-primas, principalmente seda e chá, cujos preços aumentavam consistentemente. Outro, a Alemanha, se desenvolveu dando um salto diretamente para o estágio das indústrias de alta tecnologia daquela época, como as de eletricidade, química e ótica. o terceiro, os EUA, fez as duas coisas. Ambos os caminhos estão bloqueados para os países que estão hoje se industrializando rapidamente: o primeiro, por causa da deterioração dos termos de comércio para produtos primários, e o segundo, porque é necessária uma infraestrutura de produtos e educação muito além do alcance de um país pobre ( embora a Coreia do Sul esteja neste rumo ). A concorrência com base em custos de mão de obra mais baixos parecia a saída. Será que este caminho também será bloqueado? Outras informações podem ser obtidas no livro As fronteiras da administração, de autoria de Peter F. Drucker.

P.S.:

Nota de rodapé:

* As outras mudanças são melhor introduzidas em

https://administradores.com.br/artigos/economia-mundial-a-a%C3%A7%C3%A3o-do-governo-e-das-empresas-na-nova-realidade .

Continua em

https://claudiomarcioaraujodagama.blogspot.com/2019/07/economia-internacional-competitividade.html .

terça-feira, 9 de julho de 2019

Adm. Cláudio Marcio participa do "IV Gestão Pública em Foco" em SC

O Administrador Cláudio Márcio Araújo da Gama, registrado no Conselho Regional de Administração ( CRA ) de Santa Catarina ( SC ) sob o número vinte e quatro mil seiscentos e setenta e três, participou, nesta quinta-feira ( quatro de julho de dois mil e dezenove ), no auditório do Tribunal de Contas do Estado ( TCE ) de SC, da quarta edição do Gestão Pública em Foco. 

O evento marcou as homenagens do CRA-SC ao Dia do Administrador Público. O evento, promovido pela Câmara de Administração Pública ( CAP ), com o tema "A Cidade que Queremos", realizou uma ampla reflexão sobre as cidades inteligentes e a importância do individuo na transformação dos espaços públicos. 

A vice-presidente de Desenvolvimento Institucional do CRA-SC e coordenadora-geral da CAP, Administradora Karen Bayestorff, deu as boas-vindas aos participantes do encontro, "pelo quarto ano consecutivo promovemos o Gestão Pública em Foco para celebrar o Dia do Administrador Público, lembrado em cinco de julho. Nesta edição focamos nos municípios, afinal são neles que a vida dos cidadãos acontece e onde estão os principais desafios do gestor público". 

O presidente do CRA-SC, Administrador Paulo Sérgio Jordani, em seu discurso, destacou a semana movimentada por grandes eventos na capital catarinense, "nos últimos dias a Administração esteve em destaque aqui em Florianópolis-SC. Estamos recebendo simultaneamente ao Gestão Pública em Foco, as principais lideranças da Administração no país para a Assembleia de Presidentes do Sistema Conselho Federal de Administração ( CFA ) / Conselhos regionais de Administração ( CRAs ). É uma honra para o CRA-SC recepcionar os presidentes de vinte e seis CRAs, conselheiros federais e delegados para debater em SC, os rumos da profissão".

 Encerrando a cerimônia de abertura, o presidente do CFA, Administrador Mauro Kreuz, discursou aos presentes, "o evento desta noite apresenta uma temática muito oportuna e importante para os tempos atuais. A sociedade clama por maior profissionalização na gestão, por uma Administração profissional. Chegou a hora de o Sistema CFA / CRAs contribuir com a nação e ser protagonista nas discussões para a transformação do Brasil. São eventos como este que podem fazer a diferença na propagação das boas práticas e na retomada do crescimento". 

A primeira palestra da noite foi ministrada pelo Administrador Lucas Guimarães, secretário Municipal de Administração da Prefeitura de Teresópolis, do Estado do Rio de Janeiro ( RJ ), com o tema "Programa Municipal de Compras Governamentais". O Administrador apresentou o case do município, onde, após uma longa turbulência no cenário político, um grupo liderado por Administradores transformou a gestão pública, aplicando boas práticas em diferentes setores da economia. Entre os destaques da explanação esteve a ampliação no investimento em análise de dados, que resultaram em tomadas de decisões mais assertivas e redução do desperdício de recursos. Também foi abordada a importância do uso da tecnologia para aproximação do cidadão com o poder público e maior agilidade nos processos. 

A palestrante Stella Hiroki, doutora em Cidades Inteligentes e especialista em inovação urbana, deu seguimento ao evento com a explanação "Cidades Inteligentes". Inicialmente, Stella desmistificou o termo, destacando que não apenas tecnologias transformam um município em inteligente, "seis áreas são fundamentais para o desenvolvimento de uma Smart City: governo, economia, meio ambiente, moradia, mobilidade e principalmente as pessoas, por isso é observada a necessidade da conscientização destes indivíduos durante a implementação dos projetos". Com diversos exemplos nacionais e internacionais, a palestrante demonstrou a importância da evolução das cidades para maior adequação à realidade atual de cada região. 

Por fim, um painel mediado pela Administradora Cristina Schmidt, secretária de Administração do município de Palhoça-SC, promoveu uma reflexão trazendo as expertises dos palestrantes e traçando um paralelo com as cidades de SC e os desafios para avançar no conceito de cidades inteligentes. "Smart City é pensar o município para o cidadão, entender as especificidades de cada local e criar estratégias e ações que reflitam positivamente em determinada sociedade".

Com informações do CRA-SC.

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Tecnologia: o fim da dependência de fornecedores de matéria-prima

A derrocada dos preços de commodities ( produtos cujos preços não são determinados pelos produtores mas sim pelo mercado internacional ) não petrolíferas começou em mil novecentos e setenta e sete e, desde então, tem continuado ininterruptamente, com uma única exceção, ocorrida após o pânico do petróleo em mil novecentos e setenta e nove, provocado por uma onda especulativa que durou menos de um semestre e que foi seguida pela queda mais rápida de preços de commodities na história.

No começo de mil novecentos e oitenta e seis, de modo geral, os preços das matérias-primas ( exceto o petróleo estavam no vível mais baixo da história em relação aos preços dos bens manufaturados e serviços - no nível de mil novecentos e trinta e dois e, em alguns casos ( chumbo e cobre ), menores do que nas profundezas da época da Grande Depressão. E quando o preço do petróleo esteve abaixo dos quinze dólares / barril, no começo de mil novecentos e oitenta e seis, também esta commodity estava sendo vendida pelo mesmo preço de mil novecentos e trinta e três, em relação aos preços dos bens manufaturados e dos serviços.

O colapso dos preços das matérias-primas e a diminuição de sua demanda contrastavam fortemente com o que havia sido confiantemente previsto. Em mil novecentos e setenta e cinco, o Relatório do Clube de Roma previa que, em mil novecentos e oitenta e cinco, deveria ter havido, com absoluta certeza, escassez de todas as matérias-primas. Até mil novecentos e oitenta, o Global 2000 Report, do governo norte-americano do presidente Carter concluía que a demanda mundial por alimentos aumentaria consistentemente por, pelo menos vinte anos; que a produção de alimentos, no mundo todo, iria declinar, exceto nos países desenvolvidos; e que o preço real dos alimentos iria dobrar. Esta previsão explica amplamente a razão pela qual os fazendeiros americanos compraram toda a terra agriculturável disponível, o que lhes trouxe o endividamento que os ameaçavam pelo menos até mil novecentos e oitenta e cinco, em sua maioria.

Entretanto, contrariamente a todas estas previsões, a produção mundial de alimentos aumentou em quase trinta por cento entre mil novecentos e setenta e dois e mil novecentos e oitenta e cinco, alcançando patamar recorde. E foi nos países menos desenvolvidos que este aumento aconteceu com mais rapidez. Da mesma forma, a produção de todos os produtos florestais, metais e minerais aumentaram dntre vinte e trinta e cinco por cento naquele período de dez anos, e, novamente, este crescimento foi mais acelerado nos países menos desenvolvidos. E não existia, na época, motivo motivo algum para que se acredite que estas taxas de crescimento diminuiriam, apesar da derrocada dos preços. Efetivamente, no que diz respeito a produtos agrícolas, o maior aumento, em taxas quase exponenciais, possivelmente estariam por vir senão já acontecendo. Sobre este assunto, houve duas discussões distintas entre si. Uma em "U.S. Farm Dilema: The Global Bad News is Wrong", Science 230, 24 ( outrubro de mil novecentos e oitenta e cinco ), de Dennis Avery, analista de agricultura sênior do U.S. Departament of State; a outra em "A World Awash in Grain", foreign Affairs ( Outono de mil novecentos e oitenta e cinco ), de Bárbara Insel, International Affairs Fellow do Foreigns Affairs Concil, em Nova Iorque.

Contudo, talvez mais incrível do que o contraste entre o que todos esperavam e o que realmente aconteceu é que o colapso da economia de matérias-primas parece não ter tido quase nenhum impacto na economia industrial do mundo. No entanto, se havia uma coisa considerada conhecida e provada, sem sombra de dúvida, na teoria dos ciclos de negócios, era a crença de que uma brusca e prolongada queda dos preços das matérias-primas inevitavelmente, e num prazo de um ano e meio a dos anos e meio, provocaria depressão mundial na economia industrial do mundo estivesse normal à época. Mas certamente não se encontrava em meio a uma depressão. Com efeito, a produção industrial nos países desenvolvidos não comunistas continuavam a crescer consistentemente, embora a uma taxa mais baixa, especialmente na Europa Ocidental.

Naturalmente, a depressão da economia industrial poderá ter sido apenas adiada e talvez ainda possa ser desencadeada, por exemplo, por uma crise bancária provocada por uma avalanche de inadimplências por parte dos produtores de commodities devedores, seja no Terceiro Mundo, seja no Estado de Iowa, nos Estados Unidos da América ( EUA ). Mas, por quase dez anos, o mundo industrial funcionou como se a crise de matérias-primas nem existisse.

A única explicação dos anos vinte, antes da Grande Depressão, produtores rurais ainda constituíam cerca de um terço da população americana, e a receita deste setor correspondia a praticamente a um quarto do Produto Interno Bruto ( PIB ). Em mil novecentos e oitenta e cinco correspondia a um vinte avos ou cinco porcento da população e do PIB, respectivamente. Mesmo que fossem acrescentada a contribuição que as matérias-primas estrangeiras ( do ponto de vista norte-americano ) e os produtores rurais dão à economia dos EUA mediante suas compras de bens industriais no paíse, a contribuição total das economias mundias de matérias-primas e de produção de alimentos ao PIB americano era, à época, no máximo de um oitavo ou doze vírgula cinco por cento. na maioria dos outros países desenvolvidos, a participação do setor de matérias-primas era ainda mais baixa do que nos EUA. Somente na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas ( URSS ), atual Federção Russa, a agroindústria ainda era um empregador importante, com quase um quarto da força de trabalho produzindo no campo.

A economia de matérias-primas tornou-se, portanto, desencaixada da economia industrial. esta foi uma pequena mudança estrutural na economia mundial da época, com grande implicação nas políticas econômicas e sociais e na teoria econômica, tanto em países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento.

Por exemplo, nos EUA, se a relação entre os preços dos bens manufaturados e dos produtos primários ( que não seja o petróleo ) - isto é, de alimentos, produtos florestais, metais e minerais - em mil novecentos e oitenta e cinco tivesse sido a mesma de mil novecentos e setenta e três, ou mesmo de mil novecentos e setenta e nove, o déficit comercial de mil novecentos e oitenta e cinco talvez fosse cerca de trinta por cento menor ( ou seja, cem bilhões de dólares, em vez de cento e cinquenta bilhões de dólares ). Mesmo o déficit comercial dos EUA junto ao Japão poderia ter sido quase um terço menor ( trinta e cinco bilhões de dólares conta cinquenta bilhões de dólares ).

As exportações agrícolas americanas teriam sido uma receita quase duas vezes maior. E estas exportações industrias para um de seus principais clientes,  a América Latina, teriam sido mantidas; somente seu quase colapso correspondiam a um sexto ou onze vírgula vinte e cinco por cento da deterioração do comércio exterior americano. Caso os preços do produtos primários americanos não tivessem entrado em colapso, o balanço de pagamentos dos EUA poderia ter tido um saldo significativo.

Da mesma forma, o saldo comercial do japão com o resto do mundo poderia ter sido um quinto ou vinte por cento menos. E o Brasil, naquela época, poderia ter tido um saldo comercial quase cinquenta por cento maior, o que faria o país ter muito menos dificuldade para pagar os juros de sua dívida externa, antes de ser credor externo como ocorre hoje. Além disto, não precisaria ter comprometido sem crescimento econômico ao fazer na época um drástico corte nas importações. Em suma, se os preços das matérias-primas tivessem se mantido na mesma proporção de mil novecentos e setenta e três ou mesmo de mil novecentos e setenta e nove em relação aos preços dos bens manufaturados, não teria havido crise na maioria dos países endividados, especialmente a América Latina.

O que aconteceu e quais são as perspectivas para o futuro?

A demanda por alimentos efetivamente cresceu quase tão aceleradamente quanto o Clube de Roma e o Global 2000 report haviam previsto. Mas a oferta cresceu muito mais rápido. Ela não apenas acompanhou o aumento da população, como também o ultrapassou. paradoxalmente, uma das causas para este aumento é o medo de ma escassez mundial de alimentos e até mesmo o aumento da fome do mundo. Isto resultou em enormes investimentos para o incremento da produção de alimentos. Os EUA lideraram este esforço com uma política agrícola corretamente voltada para a distribuição de subsídios ( exceto em mil novecentos e oitenta e três ) ao aumento da produção de alimentos. O Mercado Comum Europeu ( MCE ) fez o mesmo e até com maior sucesso. Contudo, o maior aumento, tanto em termos absolutos quanto relativos, aconteceu nos países em desenvolvimento: Índia, china pós-Mao Tsé Tung e nos países com culturas de arroz no Sudeste da Ásia.

Além disto, houve um enorme corte do desperdício. Vinte e cinco anos antes ( em mil novecentos e sessenta ), até oitenta por cento dos grãos cultivados na ásia alimentavam ratos e insetos, e não seres humanos. Em mil novecentos e oitenta e cinco, em grande parte do território indiano e o desperdício foi reduzido a vinte por cento, resultado de inovações em infraestrutura não espetaculares, mas eficazes, como, por exemplo, pequenos compartimentos de concreto para armazenamento, inseticidas ou triciclos motorizados que levam a colheita, anteriormente deixada exposta ao tempo durante semanas, diretamente à planta de processamento.

E não seria excesso de imaginação acreditar que a verdadeira revolução agrícola ainda esteja por vir. Vastas extensões de terra que até hoje eram praticamente áridas estão se tornando férteis, seja de minerais-traços: a argila vermelha do planalto brasileiro, por exemplo, ou os solos contaminados por alumínio no vizinho Peru, que jamais produziram alguma coisa anteriormente e que hoje produzem quantidades substanciais de arroz de alta qualidade. Avanços ainda maiores são obtidos pela biotecnologia, tanto na prevenção de doenças de plantas e animais quanto no aumento das safras.

Em outras palavras, apesar da queda do ritmo de crescimento da população mundial - em alguns casos acentuada - , a produção de alimentos provavelmente continuará a ter forte aumento.

Entretanto, os mercados importadores de alimentos praticamente desapareceram. Em consequência do incremento de sua atividade agrícola, a Europa Ocidental se tornou substancial exportadora de alimentos, cada vez mais vitimada por superávits de produção invendáveis de todos os tipos de alimentos, como laticínios, vinhos, trigo, carne, etc...

Segundo acreditam alguns observadores, a China já teria se tornado, antes do ano dois mil, exportadora de alimentos. A Índia já no final do século vinte, já havia atingido este estágio, especialmente no que diz respeito a trigo e cereais secundários. De todos os principais países não comunistas, somente o Japão ainda era um substancial importador de alimentos em mil novecentos e oitenta e cinco, comprando cerca de um terço de suas necessidades no exterior. Naquela época, a maior parte daquela demanda era tendida pelos EUA. contudo, até o final daquele século, a previsão era de que os produtores de baixo custo da Coreia, Indonésia e Tailândia, que rapidamente sua capacidade de produção, competindo diretamente com os EUA neste mercado. Havia a precisão de que o único país grande comprador de alimentos restante poderia ser a a antiga URSS ( atual Federação Russa ) provavelmente aumentariam no século vinte e um. Entretanto, o excedente de produção de alimentos no mundo é tão grande - talvez de cinco a oito vezes o volume que a Rússia precisaria comprar - que a possível demanda deste país não será suficiente para colocar pressão de alta nos preços mundiais. em contrapartida, a competição pelo acesso ao mercado russo entre os exportadores com superávit de produção - EUA, Europa, Argentina, Austrália, Nova Zelândia ( e, provavelmente, dentro de mais alguns anos, também a Índia ) - já é suficientemente acirrada para derrubar os preços mundiais de alimentos.

No que diz respeito a praticamente todas as commodities não originárias do campo, sejam produtos florestais, minerais ou  metais, a demanda mundial está em queda ( o que representa um agudo contraste com o que o Clube de Roma havia previsto de forma tão confiante ). Com efeito, o volume de matérias-primas necessário para determinado setor de produção econômica vem decrescendo ao longo do século vinte, com exceção dos períodos de guerra. Estudo recente do Fundo Monetário Internacional ( FMI ) calculava à época que este declínio estivesse ocorrendo à razão de um vírgula vinte e cinco por cento ao ano ( de decomposição composta ), desde o ano mil e novecentos. Isto significaria que a quantidade de matéria-prima industrial necessária para uma unidade de produção seria hoje não mais do que dois quintos ou quarenta por cento do que era em mil e novecentos, e este declínio está se acelerando. Mais impressionante ainda é o que vem acontecendo no Japão. em mil novecentos e oitenta e quatro, para cada unidade de produção industrial, o país consumiu apenas sessenta por cento das matérias-primas que havia consumido para o mesmo volume de produção industrial de mil novecentos e setenta e três, apenas onze anos antes.

Qual é a razão deste declínio? Não é que a produção industrial esteja se tornando menos importante, um mito comum para o qual, como ainda será visto, não há a menor evidência. A produção industrial vem regularmente tendo seu foco modificado, de produtos altamente dependentes de matérias-primas para produtos  e processos menos dependentes de matérias-primas. Uma das razões para isso é o aparecimento de novas indústrias, especialmente as de alta tecnologia. As matérias-primas existentes em um microchip semicondutor somam entre um e três por cento; em um automóvel, cerca de quarenta por cento; e, em produtos metalúrgicos, sessenta por cento. Mas a mesma redução de necessidades de matérias-primas também ocorre nas indústrias mais antigas - e tanto com produtos novos quanto com os tradicionais. Vinte e cinco a cinquenta quilogramas de cabos de fibra ótica transmitem tantas chamadas telefônicas quanto um tonelada de fios de cobre, se não mais.

Esta constante queda de participação de matérias-primas nos processos e produtos manufaturados tem reflexo no uso de energia, especialmente do petróleo. Para produzir cinquenta quilos de cabos de fibra ótica, são necessários não mais de um vinte avos ou cinco por cento da energia necessária para extrair e fundir minério, a fim de produzir uma tonelada de metal e, em seguida, transformá-lo em fios de cobre. Da mesma forma, os plásticos, que estão cada vez amais, substituindo o aço na indústria automobilística, representam um custo de matéria-prima, incluindo energia, de menos da metade daquele aço.

E, se os preços do cobre dobrassem -e isto ainda significaria um valor razoavelmente baixo, segundo uma perspectiva histórica - , logo iriam ser minerados os maiores depósitos de cobre do mundo, que não estão localizados nas minas do Chile ou do Estado americano de Utah: os bilhões de toneladas de cabos telefônicos sob o pavimento das ruas das grandes cidades. Seria economicamente viável substituir todos os cabos subterrâneos de cobre por outros de fibra ótica.

Portanto, é bastante improvável que os preços das matérias-primas amentem substancialmente em comparação com os preços dos bens manufaturados ( ou de serviços de alto conhecimento agregado, como informação, educação e assistência de saúde ), exceto com o advento de uma grande e prolongada guerra.

Uma das implicações desta aguda mudança no comércio de produtos primários concerne aos países desenvolvidos, sejam eles grandes exportadores, como os Estados Unidos da America ( EUA ), ou grandes importadores, como o Japão. Durante dois séculos, os EUA dependeram da manutenção dos mercados abertos para escoar seus produtos agrícolas e matérias-primas. Este era m fator crucial de sua política comercial com outros países. Na verdade, este é o significado de economia em um mundo ser fronteiras e livre comer´cio naquele país. Será que isto ainda faz sentido? Ou será que os EUA, em vez disto, deverão aceitar o fato de que os mercados estrangeiros de alimentos e matérias-primas entraram em um irreversível declínio de longo prazo? Mas será que, além disto, ainda faz sentido que o Japão baseie sua política econômica externa na necessidade de faturar o suficiente em moeda estrangeira par apagar por importações de alimentos e matérias-primas? desde que o Japão abriu as portas para o mundo, há cento e cinquenta anos, a preocupação - que s tornou quase uma obcessão nacional - com esta dependência por alimentos e matérias-primas tem sido a força motriz das políticas do país, e não apenas do ponto de vista econômico. Entretanto, agora, o Japão bem que poderia começar pelo pressuposto, muito mais realista no mundo atual, de que alimentos e matérias-primas estarão permanentemente com uma oferta maior do que a demanda ( pelo do ponto de vista que Peter F. Drucker chegou a ter em até mil novecentos e oitenta e cinco ).

Levados á sua conclusão lógica, estes eventos poderão sugerir que alguma variante da tradicional política japonesa - altamente mercantilista, com forte minimização do consumo interno e igualmente forte - enfase na formação de capital, com a proteção de indústrias nascentes - poderá satisfazer mais os EUA do que a original. Da mesma forma, os japoneses poderão estar mais bem servidos por alguma variante das tradicionais políticas americanas, particularmente por trocar a prática de enfatizar a poupança e a formação de capital pelo favorecimento de consumo. Mas qual seria a probabilidade de o país abandonar radicalmente mais de um século de comprometimentos e convicções políticas? Tudo isto considerado, de agora em diante, os fundamentos da política econômica certamente serão alvo de crescentes críticas nestes dois países, e também em todos os demais países desenvolvidos.

Serão alvo também do crescente escrutínio dos principais países do Terceiro Mundo, uma vez que, se os produtos primários estão passando a ter importância marginal nas economias do mundo desenvolvido, as tradicionais teorias e políticas de desenvolvimentistas estarão perdendo seus fundamentos. Todas elas se baseiam no pressuposto - perfeitamente válido pelo ponto de vista histórico - de que os países em desenvolvimento pagam pela importação de bens de capital mediante a exportação de produtos primários - produtos agrícolas e florestais, minerais e metais. todas as teorias desenvolvimentistas, por mais distintas que sejam entre si, pressupõem também que as compras de matérias-primas por parte dos países industrialmente desenvolvidos devem crescer pelo mesmo ritmo que a produção industrial destes países. Portanto, isto sugeriria que, em qualquer período longo, qualquer produtor de matérias-primas se tornaria um risco de crédito melhor e teria uma balança comercial mais favorável. contudo, isto se tornou um fato extremamente duvidoso. Assim, sobre quais fundamentos poderá o desenvolvimento econômico assentar-se, especialmente em países que não têm uma população grande o suficiente para fazer florescer uma economia industrial baseada no mercado interno? Além disto, o desenvolvimento destes países tampouco poderá continuar a ter como base o baixo custo de mão de obra. Outras informações podem ser obtidas no livro As fronteiras da administração, de autoria de Peter F. Drucker.

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Agricultura: Ministério proíbe venda de oito marcas de azeite

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ( MAPA ) proibiu a venda de seis marcas de azeite após a fiscalização de ter encontrado produtos fraudados e impróprios ao consumo. Até a próxima segunda-feira ( 8 de julho de dois mil e dezenove ), deverão ser recolhidos dos supermercados e atacados de todo o país os azeites das marcas Oliveiras do Conde, Quinta Lusitana, Quinta D’Oro, Évora, Costanera e Olivais do Porto.
O MAPA determinou que as redes varejistas e atacadistas ( onde foram encontrados os produtos fraudados ) informem os estoques existentes, sob pena de autuação em caso de omissão de informações. Os responsáveis pelas marcas são Rhaiza do Brasil Ltda, Mundial Distribuidora e Comercial Quinta da Serra Ltda.

Os comerciantes que forem flagrados vendendo os produtos, após as advertências, serão denunciados ao MPF ( Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão ), encaminhados à Polícia Judiciária para eventual responsabilização criminal e multados em cinco mil reais por ocorrência com acréscimo de quatrocentos por cento sobre o valor comercial dos frascos de azeite.

A fiscalização do MAPA encontrou os produtos fraudados em oito Estados, desde Alagoas ( AL ) até Santa Catarina ( SC ), em redes de atacado, atacarejo e pequenos mercados. Foram analisadas dezenmove amostras do Oliveiras do Conde; oito do Quinta Lusitana e duas da marca Évora. Da Costanera e Olivais do Porto, foram encontrados rótulos em uma fábrica clandestina, em Guarulhos, no Estado de São Paulo ( SP ).

Fábrica clandestina

Segundo o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal ( DIPOV ) do MAPA, Glauco Bertoldo, a proibição foi resultante de operação, realizada em doze de maio de dois mil e dezenove, pela Delegacia de Polícia de Guarulhos ( DEMACRO – PC / SP ), que descobriu uma fábrica clandestina de azeites falsificados, com mistura de óleos, sem a presença de azeite de oliva. “Atualmente, o azeite de oliva é o segundo produto alimentar mais fraudado do mundo, perdendo apenas para o pescado”, alerta o diretor. Glauco Bertoldo adverte que a adulteração e falsificação de azeite de oliva, além de ser fraude ao consumidor, é crime contra a saúde pública.

Para comprovar a fraude, o MAPA utilizou pela primeira vez equipamento de análise que emite raios infravermelhos, capazes de fazer a leitura da composição dos produtos ( ácidos graxos ), com resultado instantâneo. As amostras também foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária ( LFDA ) do Rio Grande do Sul, que utilizou novo equipamento que detecta óleos refinados e misturas mesmo que adicionadas em quantidades baixíssimas.

Após a descoberta da fábrica clandestina pela polícia, foi realizada uma força-tarefa pelo ministério em Curitiba ( PR ) e SP, no qual foram testadas cinquenta e quatro marcas de azeite de oliva em grandes redes de varejo. A força-tarefa constatou conformidade de noventa e oito vírgula um por cento das marcas analisadas. O que atesta que o varejo possui controle de qualidade eficiente para selecionar fornecedores. Entretanto, as ações de fiscalização do MAPA evidenciam que este fato não se repete em redes de atacados, atacarejos, e pequenos mercados.

Alerta

O MAPA alerta que o consumidor deve desconfiar de azeites muito baratos, pois, em geral, são fraudados. Glauco Bertoldo constata que os produtos fraudados custam em média entre sete e dez reais, e o verdadeiro azeite de oliva tem preço a partir de dezessete.
Em dois mil e dezessete, o MAPA desencadeou a Operação Isis que detectou fraude que consistia na mistura de óleo de soja com óleo de oliva lampante importado ( de péssima qualidade, impróprio para o consumo e usado em lamparinas ). Desde então, o MAPA conseguiu coibir a importação do lampante.

Com informações do jornal Diário Catarinense.

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quinta-feira, 4 de julho de 2019

Economia mundial: a ação do governo e das empresas na nova realidade

Existe muita discussão nos dias de hoje sobre a transformação da economia mundial. contudo - e este é o tema deste texto - , a economia do mundo não está mudando ( pelo menos as mudanças não são coisa de agora apenas ). Ela já mudou, tanto em seus fundamentos quanto em sua estrutura,e provavelmente isto é irreversível.

Nos últimos quarenta e cinco ou cinquenta anos, ocorreram três mudanças fundamentais no cerne da economia mundial:

1) A economia dos produtos primários se desencaixou da economia industrial;

2) Na própria economia industrial, a produção se desencaixou da oferta de empregos;

3) Movimentos de capital, e não o comercio de bens e serviços, se tornaram os motores e a força motriz da economia mundial. Os dois talvez não tenham se desencaixado, mas seu elo se tornou extremamente folgado e, pior, imprevisível.

Estas mudanças não são cíclicas, mas permanentes. Talvez jamais seja possível entender o que as provocou - as causas de mudanças econômicas raramente são simples. Pode ser que ainda passe um longo tempo até que os teóricos da economia aceitem que ocorreram mudanças fundamentais e mais tempo ainda até que adaptem suas teorias para explicá-las. Decerto, ficarão extremamente relutantes, principalmente para aceitar que a economia mundial está no controle, e não a macroeconomia dos Estados nacionais, em que a maior parte das teorias econômicas ainda faz o foco exclusivo. Entretanto, esta é a clara lição das histórias de sucessos dos últimos cinquenta e cinco anos - do Japão e da Coreia do Sul; da Alemanha  ( que na verdade, teve um desempenho muito mais impressionante, embora menos vistoso, que o do Japão ); e um dos grande sucessos dentro dos Estados Unidos: a virada e rápida expansão de uma Nova Inglaterra industrializada, região que, há apenas cinquenta e cinco anos, era considerada moribunda.

Mas os profissionais, seja do governo ou das empresas, não são capazes de esperar até que uma nova teoria seja desenvolvida, por mais que se precise dela. Eles têm de agir. E suas ações terão maior probabilidade de sucesso quanto maior for sua adesão às novas realidades de uma nova economia mundial. Outras informações podem ser obtidas no livro As fronteiras da administração, de autoria de Peter F. Drucker.

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quarta-feira, 3 de julho de 2019

Orla do centro histórico de São José ( SC ) tem previsão de inauguração em agosto / 19

A revitalização da orla do Centro Histórico de São José, na Grande Florianópolis-SC, está perto de ser concluída. Inciada em dezembro do ano passado, a obra deve ficar pronta até o dia dezessete de agosto, quando a prefeitura pretende fazer um evento de inauguração.

O secretário de Planejamento de São José, Rodrigo de Andrade, afirma que noventa por cento dos trabalhos estão prontos e garante que a entrega será feita a tempo.

— A obra está seguindo como o planejado. O trapiche, por exemplo, já está com toda a infraestrutura finalizada, faltando a conclusão da pintura do piso, que está recebendo uma obra de arte, e a finalização da pavimentação do restante da área — comenta o secretário.
A recuperação promete fazer com que o espaço, antes abandonado, volte a ser uma opção de lazer para os moradores da cidade. Além do trapiche, foram construídas duas quadras, uma poliesportiva e outra de grama sintética, praça e escadaria. O local teve calçadas e iluminação revitalizadas, e receberá também academia ao ar livre, parede de escaladas para crianças e bicicletário.

Conforme o secretário Rodrigo de Andrade, a obra, que abrange a área dos fundos da Câmara de Vereadores até o local onde existia um ginásio de esportes, teve um investimento de três vírgula três milhões de reais, valor recuperado do duodécimo da Câmara de Vereadores.

Trapiche ganha painel com história da cidade

No chão do trapiche construído na orla, um painel contará a história da cidade desde antes de sua fundação, com centenas de imagens e textos explicativos. A obra é assinada pelo artista plástico Plínio Verani.

— Durante as discussões sobre a recuperação do Centro Histórico, chegamos a um conceito de algo como um largo da memória, e então decidimos incorporá-lo no chão do trapiche, pintando esse painel onde será possível acompanhar os momentos da formação da cidade - explica o artista, que é morador de São José e integra o Conselho Municipal de Cultura.

Para ele, a obra de revitalização é o primeiro passo no sentindo de recuperar e valorizar a memória da cidade.

— Há 49 anos, quando o prédio da Câmara de Vereadores foi construído, a cidade deu as costas para o mar, e com isso parece que perdeu a sua essência — observa.

Moradores e comerciantes esperam nova vida para local


Entre os moradores e comerciantes, a expectativa é de que a revitalização da orla também faça com que mais pessoas frequentem o local. Dono de um comércio há 40 anos no Centro Histórico, Antônio Nelson Pereira Soares diz que o movimento tem diminuído nos últimos tempos.

— Eu acho que a obra é positiva, porque vai trazer mais movimento para essa área da cidade. Está muito fraco — opina.

Allana Curcio Siutter, que é moradora e trabalha perto da orla, acrescenta que o espaço também gerava insegurança na população.

— Estava realmente precisando, pois essa área estava muito abandonada, até mesmo perigosa — diz.

Já a moradora Márcia Dutra lamenta que o Ginásio Municipal Carlos Varela, que ficava no local, tenha sido demolido. Ela diz que o espaço tinha um valor sentimental para ela, que o frequentou durante a escola, mas reconhece que a estrutura estava sem condições de uso.

— Até dá pra entender porque demoliram, pois realmente não estava recebendo o cuidado que merecia. O que a gente espera agora é que a nova área receba os cuidados necessários para não acabar ficando do mesmo jeito.

O ginásio esportivo, inaugurado em mil novecentos e oitenta e sete, ficou em desuso por mais de um ano e teve a cobertura destruída por um vendaval. Conforme o secretário Rodrigo de Andrade, a reforma do equipamento era inviável e cara porque a estrutura estava comprometida. Por isso, a prefeitura optou por demoli-lo.

Com informações do jornal Diário Catarinense.

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