segunda-feira, 2 de maio de 2022

Direitos Humanos: jovem é agredida por intolerância religiosa em SC

Uma ministra de confissão religiosa do município de Joinville ( maior cidade do Estado de Santa Catarina - SC ) denunciou que a filha, de Dezesseis anos de idade, foi agredida dentro da escola por intolerância religiosa. O caso aconteceu na última segunda-feira ( Vinte e cinco de abril de Dois mil e vinte e dois ), no Centro Educacional e Social do Itaum ( CESITA ), e veio a público nesta quarta-feira ( Vinte e sete de abril de Dois mil e vinte e dois ) após uma publicação nas redes sociais.

Lesões e inchaços causados pelas agressões na adolescente
Lesões e inchaços causados pelas agressões na adolescente
( Foto : 

​Pricylla Bianchi afirma que a agressão aconteceu por volta de Onze horas e Quinze minutos, quando a filha estava na aula de educação física. Ela conversava com um colega sobre a religião da família, a Umbanda, quando uma outra adolescente ouviu e começou a fazer ofensas.

Segundo o relato da filha de Pricylla, a menina teria afirmado que a religião era "do demônio" e que a adolescente também o cultuava por ser umbandista. Em seguida, partiu para cima dela e a agrediu fisicamente.

- Separaram as duas e tiraram a outra de cima da minha filha. Uma profissional da escola disse para ela que ia passá-la para a noite porque "onde já se viu discutir por religião", que era ridículo - conta Pricylla.


A filha estava havia apenas três dias estudando no período da manhã após ter trocado de turno - a família mudou de endereço e não foi mais possível a adolescente se deslocar para as aulas de noite. Por isto, a jovem não soube informar à direção o nome da profissional que teria falado com ela.


Pricylla diz que as duas alunas foram suspensas e precisou ir até a escola para buscar a filha. Quando chegou, a menina estava com a secretária da unidade e não havia outro representante para conversar com a mãe.

A reunião com a direção aconteceu apenas no dia seguinte. De acordo com Pricylla, a escola afirmou que não sabia que a agressão havia sido motivada por intolerância religiosa e que desconheciam a profissional que teria falado com a adolescente após o caso.

- A diretora disse que eu sabia que criança mente, mas falei que minha filha não estava mentindo. Eles negligenciaram, lidaram com o crime de racismo religioso como algo banal - aponta a mãe.


Denúncia na polícia e busca por Justiça

Após ver a filha machucada pelas agressões, Pricylla registrou um boletim de ocorrência ( BO ) no mesmo dia da confusão. Também realizou um exame de corpo de delito para verificar as lesões e denunciou o caso à ouvidoria da Prefeitura Municipal de Joinville ( PMJ ).

Segundo Pricylla, a Comissão de Promoção da Igualdade Racial ( CPIR ) da Ordem dos Advogados do Brasil ( OAB ) entrou em contato com a família, que vai avaliar uma possível representação jurídica contra o município e a agressora. Alguns movimentos sociais também repercutiram o caso nas redes sociais, como o Movimento Negro Maria Laura ( MNML ).


A mãe conta que já transferiu a filha para outra escola, mas a menina está abalada psicologicamente e tem medo de voltar aos estudos. Pricylla conta que tem um templo aberto há Quinze anos e que a filha cresceu com diversos episódios de intolerância religiosa.

- O sentimento é de impotência e não é de hoje, mas nunca havia entrado na agressão física, só verbal. Espero que desta vez aconteça alguma coisa para que sirva de exemplo para que outras pessoas não se calem quando acontecer esse tipo de coisa - desabafa.

A filha sofreu lesões no olho, boca, supercílio e braço, e inchaços na cabeça. Além do tratamento médico para os ferimentos, a família ainda buscará atendimento psicológico para que a adolescente possa superar o episódio de intolerância.

PMJ apura caso no CESITA

A PMJ se manifestou sobre o caso por meio de nota nesta quarta-feira ( Vinte e sete de abril de Dois mil e Vinte e dois ). A Secretaria Municipal de Educação ( SME ) informou que foi notificada na última terça-feira ( Vinte e seis de abril de Dois mil e vinte e dois ) sobre a situação e que apura os fatos para determinar os próximos passos a serem adotados. Veja a nota na íntegra:

"A PMJ, por meio da SME, informa que foi notificada na última terça-feira ( Vinte seis de abril de Dois mil e vinte e dois ) sobre uma situação envolvendo duas estudantes da Escola de Jovens e Adultos ( EJA ).

A direção da unidade prestou assistência à aluna que teve ferimentos e comunicou a mãe da jovem sobre a situação logo após o ocorrido. No mesmo dia, a mãe da aluna e a diretora da EJA tiveram uma reunião sobre o ocorrido.

A conversa faz parte da apuração dos fatos para que se possam determinar os próximos passos a serem adotados pela gestão da SME.

A PMJ reforça que defende o respeito à diversidade e que propaga este princípio em todas as suas unidades, inclusive de forma multidisciplinar como tema transversal."


Com informações de:


Hassan Farias ( hassan.souza@somosnsc.com.br ) . 


Mais em:


https://administradores.com.br/artigos/direitos-humanos-jovem-%C3%A9-agredida-por-intoler%C3%A2ncia-religiosa-em-sc e


https://kn.org.br/oq/2022/05/02/direitos-humanos-jovem-e-agredida-por-intolerancia-religiosa-em-sc/ .

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