sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Produtividade: tempos e movimentos no trabalho intelectual

Uma das principais tarefas da administração nos países desenvolvidos, durante as próximas décadas, será tornar o conhecimento produtivo. O trabalhador manual pertence ao passado - onde só é possível agir de retaguarda. O principal recurso de capital, o investimento fundamental e o centro de custos de uma economia desenvolvida é o trabalhador intelectual, aquele que põe a funcionar tudo que seu intelecto absorveu através de uma educação sistemática, isto é, conceitos, ideias e teorias, contrapondo-se ao indivíduo que põe em ação suas habilidades manuais e braçais.

Taylor pôs o conhecimento em prática para tornar o trabalhador manual produtivo. Seu engenheiro industrial foi um dos primeiros trabalhadores intelectuais empregados no processo industrial. Mas Taylor nunca se fez a pergunta: "O que constitui produtividade com relação ao engenheiro industrial que aplica a administração científica?". Como resultado do trabalho de Taylor, é possível definir produtividade em relação ao trabalhador manual; mas ainda não é possível dizer o que ela é com respeito ao engenheiro industrial, ou a qualquer outro trabalhador intelectual. Os parâmetros que determinam a produtividade do trabalhador manual - como o número de peças produzidas por hora ou por unidade salarial - são irrelevantes quando aplicados ao trabalhador intelectual. Poucas coisas podem ser tão inúteis e improdutivas quanto o departamento de engenharia que, com grande diligência e elegância, elabora projetos de um produto invendável. A produtividade com respeito ao trabalhador intelectual é, em outras palavras, antes de tudo qualidade.

Uma coisa é bem clara: o processo de tornar o conhecimento produtivo acarretará alterações tão drásticas na estrutura dos empregos, das carreiras e das organizações quanto aquelas provocadas pela aplicação da administração científica ao trabalho manual fabril. O emprego inicial - ou seja, o cargo que introduz o homem ou mulher recém-formados ao mundo adulto do trabalho e da experiência prática - terá de sofrer drásticas modificações a fim de permitir que o trabalhador intelectual se torne produtivo. Pois está mais do que evidente que o conhecimento não pode ser produtivo a menos que o trabalhador intelectual descubra a si mesmo, a qual tipo de trabalho ele melhor se presta e qual o modo que ele trabalha melhor. Não é possível haver divórcio entre o planejamento e execução no trabalho intelectual - que um perito de fora, como o engenheiro industrial ou o especialista em estudos do trabalho, tem condições de determinar a melhor maneira de executar um determinado tipo de trabalho. Estes estudos de trabalho são processos de sistematicamente examinar, analisar e medir os métodos de execução de um trabalho que envolva atividade humana visando a aperfeiçoá-lo. Também é chamado de estudo de tempos e movimentos. No trabalho que exige conhecimentos, isso simplesmente não é verdade. 

Talvez exista uma maneira ideal, porém está fortemente condicionada ao indivíduo e não é inteiramente determinada pelas características físicas, ou mesmo mentais, da tarefa. É também de cunho temperamental. Outras informações podem ser obtidas no livro Fator humano e desempenho, de autoria de Peter F. Drucker.

Mais em: http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/produtividade-tempos-e-movimentos-no-trabalho-intelectual/108887/

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